
O Governo do Ceará lançou, nesta terça-feira (7), o Plano Estratégico de Negócios de Impacto (Ceará Edimpacto), que pretende consolidar um novo modelo de desenvolvimento econômico baseado em sustentabilidade, inovação e redução das desigualdades sociais. A proposta, conduzida pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), busca atrair investimentos privados e incentivar empresas que combinem rentabilidade com impacto social e ambiental positivo.
O plano prevê incentivos fiscais específicos para empresas que comprovem resultados mensuráveis em indicadores sociais, econômicos e ambientais, além de oferecer apoio técnico e articulação institucional com universidades, federações e órgãos públicos.
O plano chega em um momento em que o Ceará tenta diversificar sua base produtiva e estimular setores de maior valor agregado, diante de um cenário nacional em que os negócios de impacto movimentam mais de R$ 60 bilhões por ano, segundo estimativas do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE). No estado, a expectativa é que o programa estimule o surgimento de dezenas de novos empreendimentos e amplie a geração de empregos em atividades sustentáveis, com o apoio de instituições financeiras e entidades empresariais.
Em entrevista exclusiva ao Movimento Econômico, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, Domingos Filho, explicou que o estado atuará como indutor e articulador desse novo ecossistema de negócios, sem realizar investimento direto, mas oferecendo contrapartidas fiscais que estimulem a expansão de empreendimentos comprometidos com impacto positivo.
“Quando o estado concede um benefício fiscal, ele participa indiretamente do investimento. É uma forma de apoiar o setor produtivo que investe com responsabilidade social e ambiental. O Ceará quer crescer, mas com propósito”, afirmou o secretário.
Segundo Domingos Filho, a política estadual está alinhada à Política Nacional de Negócios de Impacto, e busca criar um ambiente mais favorável para o empreendedorismo de base sustentável. “O Ceará sai na frente, em harmonia com a política pública nacional. Estamos mostrando que o Estado é atrativo para o investimento, mas também comprometido com o impacto positivo na vida do cidadão e no meio ambiente”, ressaltou.
A empresária e fundadora da Associação Somos Um, organização que busca resolver problemas sociais e ambientais por meio de negócios, Ticiana Rolim, destacou a importância da colaboração entre os diferentes setores para impulsionar mudanças significativas. “Hoje vemos uma união de forças que se complementam. Cada instituição traz sua contribuição única, e juntas conseguimos tecer soluções efetivas. O envolvimento do Poder Público é fundamental para ampliar o alcance das iniciativas de impacto”.

O que o Edimpacto oferece às empresas
O Ceará Edimpacto estabelece um conjunto de etapas e critérios de adesão, com metas claras para empreendimentos de diferentes portes, micro, pequenas, médias e grandes empresas. O objetivo é incentivar a formalização de negócios que gerem impacto social direto, como inclusão produtiva, educação, economia circular e inovação ambiental.
Entre as vantagens para as empresas participantes, o governo oferece: Incentivos fiscais progressivos, condicionados a metas de impacto socioambiental; Apoio técnico e capacitação, em parceria com instituições como Sebrae, Funcap e universidades estaduais; Acesso facilitado a linhas de crédito e financiamento junto ao Banco do Nordeste (BNB) e fundos de desenvolvimento estaduais; Reconhecimento público e certificação para empresas que atingirem indicadores de impacto definidos pelo plano.
“Teremos incentivos fiscais específicos e metas de desempenho. Cada empresa poderá se enquadrar conforme seu porte e área de atuação, e o cumprimento dos objetivos determinará o nível do benefício concedido”, explicou Domingos Filho.
Ele destacou que o Estado não realizará aportes diretos, mas atuará como corresponsável no estímulo econômico, por meio da compensação tributária. “Se a empresa teria um valor a pagar ao estado e deixa de pagar por atingir metas de impacto, é como se o Estado estivesse investindo com recursos próprios”, completou.

Governança colaborativa e estrutura institucional
A implementação do plano será conduzida pelo Comitê Estadual de Negócios de Impacto (CENI), criado em julho de 2024, e que reúne 17 instituições estratégicas do setor público, privado e da sociedade civil. Entre os integrantes estão a SDE, Sefaz, Jucec, Uece, Secitece, SET, Adece, Funcap, Sebrae, UFC, Fiec, Fecomércio, Faec, Alece, BNB, Associação Somos Um e o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE).
O CENI será responsável por definir as regras de adesão, critérios de avaliação e métricas de impacto, além de monitorar e ajustar a política conforme os resultados. A proposta é criar um modelo de governança colaborativa, unindo governo, academia, setor produtivo e sociedade civil.
Domingos Filho enfatizou que o Ceará quer consolidar uma nova matriz de crescimento, onde inovação, responsabilidade e equidade caminham juntas. “O desafio é produzir mais e melhor, mas com consciência social e ambiental. O sucesso dessa iniciativa depende da adesão dos empreendedores e do envolvimento das instituições”, pontuou.
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