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Com “mofo azul”, queijo de cabra paraibano ganha medalha de ouro em mundial

Maturado entre 30 e 40 dias, o queijo de cabra O Aventureiro desenvolve mofo azul natural e leva ouro em evento internacional em Araxá (MG). O nome nasceu de uma provocação a queijeiros paraibanos em concurso de 2024
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  1. Queijo Aventureiro da Paraíba conquista ouro em competição internacional de queijos em Araxá.
  2. Mofo azul natural resulta de clima do Cariri, alimentação das cabras e processo artesanal de produção.
  3. Produtor Renato Brito nomeou queijo após provocação de competitor que questionava capacidade dos queijeiros paraibanos.
  4. Três medalhas conquistadas em menos de três meses elevam presença da Paraíba no circuito de queijos.
  5. Laticínio paraibano Ilpla também vence na mesma competição com prata em duas categorias diferentes.
Com "mofo azul", queijo de cabra paraibano O Aventureiro ganha medalha de ouro em mundial
 Reação do “mofo azul” do queijo de cabra premiado O Aventureiro está relacionada às condições ambientais do Cariri paraibano, à alimentação dos animais e ao modo de produção. Foto: Divulgação

Três medalhas em menos de três meses e o primeiro registro sanitário de um queijo artesanal sertanejo ampliam a presença da Paraíba no circuito de queijos de alta qualidade. O queijo Aventureiro, produzido com leite de cabra pela Capril Encanto da Macambira, em São João do Cariri, conquistou a medalha de ouro na categoria Queijo com Mofo Azul na Expo Queijo Brasil 2026, realizada em Araxá (MG) no fim de junho de 2026. Em abril, o mesmo produto havia levado duas pratas no 4º Mundial do Queijo no Brasil, em São Paulo, competição que reuniu representantes de 20 países e mais de 2.600 queijos inscritos.

O Aventureiro é fabricado pelo caprinocultor Renato Brito a partir de leite de cabra e passa por maturação de 30 a 40 dias. Durante o processo, o queijo desenvolve naturalmente uma coloração azulada na superfície. Segundo Brito, análises identificaram que a reação decorre das condições climáticas do Cariri, da alimentação dos animais e do modo artesanal de preparo. “O queijo tem um mofo azul na composição, que é característico da nossa região. Foram feitas análises e chegamos à conclusão que é devido ao nosso clima, alimentação das cabras e o modo de preparo”, afirmou o produtor à Agência Sebrae de Notícias.

O nome que veio de uma provocação

A escolha do nome tem origem em um episódio de 2024. Durante outro concurso, um participante classificou os queijeiros paraibanos como “aventureiros” que não sabiam fabricar queijo. Renato Brito decidiu batizar o produto com o termo e prometeu a colegas produtores que o Aventureiro ganharia ouro. “Eu falei para os meus amigos, que também são queijeiros, que eu faria um queijo, daria o nome de aventureiro e que esse queijo ganharia uma medalha de ouro”, relatou Brito.

A primeira resposta veio em abril de 2026, no 4º Mundial do Queijo no Brasil, realizado no Teatro B32, em São Paulo, entre os dias 16 e 19 daquele mês. O evento reuniu mais de 2.600 queijos de 20 países. O Aventureiro saiu com duas medalhas de prata.

Pouco mais de dois meses depois, no fim de junho, veio o ouro na Expo Queijo, em Araxá. “São conquistas muito importantes para mim e para a nossa região, que vem se destacando. Isso faz com que a gente sempre esteja levando o nome da Paraíba e da caprinocultura pelo Brasil”, disse Brito.

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Outros produtores paraibanos de queijo de cabra no pódio

A Paraíba não teve apenas o Aventureiro entre os premiados na Expo Queijo Brasil 2026. O Laticínio Ilpla, de Belém (PB), faturou medalha de prata em duas categorias: Queijo de Manteiga e Ricota. A presença de um segundo produtor paraibano no pódio do mesmo concurso amplia o alcance geográfico das premiações para além do Cariri.

A própria Capril Encanto da Macambira já havia sido premiada na edição de 2025 da Expo Queijo. Naquele ano, o empreendimento de Renato Brito conquistou ouro com o queijo Boursin, feito de leite de cabra com coagulação enzimática, e bronze com o Queijo do Reino aromatizado de leite pasteurizado, segundo a mesma publicação. O ouro de 2026 com o Aventureiro é, portanto, a segunda medalha dourada consecutiva da Capril no concurso de Araxá.

A Paraíba é o estado com a maior produção de leite de cabra do Nordeste. Essa base produtiva sustenta o surgimento de queijos como o Aventureiro, cujo diferencial, o mofo azul natural, está diretamente ligado ao rebanho caprino e às condições ambientais da região.

Bola do Lastro ganha registro sanitário e projeto de fábrica

No Alto Sertão paraibano, outro queijo artesanal avança por um caminho distinto: o da formalização. O Queijo Bola do Lastro, produzido no município de Lastro, a cerca de 420 quilômetros de João Pessoa, recebeu o primeiro Certificado de Registro de Estabelecimento (nº 001) emitido pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM) local. Na mesma ocasião, o município aprovou o projeto para a primeira fábrica artesanal padronizada da região. A certificação abre caminho para a comercialização do produto em outros estados.

O Bola do Lastro é reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado da Paraíba pela Lei Estadual nº 2.246/2024, originada do PL nº 2.446/2024, de autoria do deputado estadual Jutay Meneses (Republicanos). A receita remonta a 1889, quando um missionário alemão ensinou a técnica a fazendeiros do Alto Sertão paraibano. A coloração vermelha da casca é uma das marcas identitárias do produto, e o método de preparo é mantido em sigilo pelos produtores.

A principal referência contemporânea de produção é a Queijaria Dona Nenega, conduzida pelo empreendedor Renato Almeida, que fabrica 250 peças por mês. Cada peça exige 12 litros de leite e um mês inteiro de processo artesanal. Segundo a justificativa do PL nº 2.446/2024, a produção do Bola do Lastro no município não ultrapassava 60 peças mensais, o que indica que a Dona Nenega expandiu a capacidade local. O queijo conquistou medalha de ouro no 3º Concurso de Queijos da Paraíba, em outubro de 2025, concurso promovido pelo Instituto Social do Queijo (Isaque) com apoio do Sebrae, Sistema Faepa, Senar e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Apoio do Sebrae e estruturação da cadeia

A Capril Encanto da Macambira recebe apoio do Sebrae/PB desde 2022 em ações voltadas à gestão empresarial e à melhoria dos processos produtivos. Segundo Pablo Queiroz, gestor do Sebrae que acompanha o agronegócio no estado, o trabalho abrange do manejo à inserção de mercado. “O Sebrae continua atuando junto ao produtor rural, desde o manejo ao mercado, com o beneficiamento, a certificação e adequação, como também à presença no mercado e à participação em eventos do setor”, afirmou Queiroz.

A Queijaria Dona Nenega, em Lastro, também recebeu acompanhamento da entidade para capacitações, orientações técnicas, análises físico-químicas e microbiológicas e preparação para feiras e concurso. Renato Almeida estimou que seria necessário triplicar a produção mensal para atender à demanda gerada por eventos como o 2º Salão do Queijo da Paraíba, realizado em outubro de 2025 em João Pessoa.

Para Queiroz, a medalha de ouro em Araxá dimensiona a competitividade da produção paraibana. “Com essa conquista da Capril, a Paraíba mostra o seu poder de competitividade, não somente diante de outros estados, mas também fora do país. Esse é um queijo que não é tradicional na Paraíba, mas o produtor mostra que tem capacidade de fazer produtos de qualidade e se igualar a qualquer outra região”, disse o gestor à ASN.

*Com informações do Sebrae da Paraíba

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