Alepe cobra diálogo a Raquel Lyra. Álvaro Porto choca com áudio vazado contra governadora

O presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), cobrou mais diálogo por parte da governadora Raquel Lyra (PSDB) e ainda protagonizou uma polêmica ao ter áudio agressivo vazado contra a chefe do executivo estadual. Foto: Roberto Soares/ Alepe

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O presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), cobrou mais diálogo por parte da governadora Raquel Lyra (PSDB) e ainda protagonizou uma polêmica ao ter áudio agressivo vazado contra a chefe do executivo estadual. Foto: Roberto Soares/ Alepe

A governadora Raquel Lyra já deixava o plenário da Assembleia Legislativa de Pernambuco, na tarde de quinta-feira, após participar da reabertura dos trabalhos legislativos, quando vazou um áudio do presidente da casa, Álvaro Porto. Com o microfone aberto, ele deixou escapar uma fala agressiva contra a governadora Raquel Lyra. “O discurso dela, eu não entendi nada. Conversou merda demais e não disse nada”, disse Álvaro Porto, que notando o equipamento de som com volume público, ainda inteirou com um “Está aberto aqui, posso até perguntar”, ridicularizou.

Durante seu discurso, Raquel Lyra reforçou como vem sendo difícil para uma mulher governar enfrentando o machismo, por exemplo. “Não é fácil ser mulher na política. E ser mulher na política com filho pequeno é mais difícil ainda. Sempre querem nos excluir. Mas estarmos aqui, nós três, representa essa resistência”, afirmou a governadora, fazendo uma referência à vice-governadora Priscila Krause e à líder da oposição, Dani Portela, que tinha feito suas cobranças.

“A violência política, violência contra a mulher, ela é normalizada. Não deixar quieto, parece que não aconteceu, e falar sobre isso é importante e demonstra o quanto que a gente ainda tem que avançar para que mulheres possam conquistar espaços de poder e sejam julgadas, não pelo seu gênero, mas pelas suas condutas e atuação”, disse. E frisar aqui a grande capacidade de diálogo que a gente tem exercido ainda durante a transição. Fizemos o ano inteiro isso, com a população, com os prefeitos, lideranças políticas, deputados e deputadas, senadoras e senadores, com o governo federal como um todo, com o presidente da república, e essa é a tônica da nossa forma de fazer política. Fazendo de um jeito diferente, buscando sempre construir consensos, pontos, para que a gente possa solucionar os problemas que refletem a população”, completou a governadora.

Depois da grande repercussão negativa, o presidente Álvaro Porto, esclareceu, em nota, que usou uma expressão não condizente com o contexto e local ao avaliar o discurso da governadora Raquel Lyra após a sessão de abertura dos trabalhos legislativos de 2024.

Todavia, mesmo admitindo que não deveria ter usado a palavra que usou, reafirmou que considera o teor do discurso desconectado com a realidade vivida em Pernambuco. E acrescentou que sua reação é fruto de indignação em relação à falta de resultados do governo em questões sérias como saúde e segurança, por exemplo.

Afirmou ainda ter o direito e o dever de avaliar e criticar discursos que não correspondam à realidade observada. Por fim, enfatizou que em nenhum momento fez referência à pessoa da governadora, mas ao discurso proferido por ela e que o áudio que acabou vazado do canal de transmissão do evento, aconteceu durante conversa informal, já no final na sessão.

Diálogo

Na volta aos trabalhos na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), nesta quinta-feira (dai 1º), o tom de cobrança foi elevado na casa. E partiu dos deputados estaduais na direção da governadora Raquel Lyra (PSDB) ratificando o clima ruim que se instalou entre o Legislativo e o Executivo desde 2023, primeiro ano de governo da tucana.

“É fundamental reiterar que esta Casa é território de diálogo e entendimento e segue mobilizada em favor de uma sociedade justa, igualitária e solidária. Além de legislar e fiscalizar, a Alepe continuará trabalhando para assegurar direitos e, acima de tudo, garantir conquistas à população pernambucana”, disse o presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), em discurso. 

Ao ser questionado, se teria a convicção de que haveria abertura para negociações partindo de Raquel Lyra, Álvaro Porto demonstrou descrença na governadora. Aliás, elencou alguns pontos de discordância para exemplificar, na prática, uma postura autocrática da sua correligionária em determinados momentos como na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada pela Governadora Raquel Lyra ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo uma liminar para suspensão imediata de pontos aprovados na Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) de 2024.

“O que a gente viu mais uma vez, que essa palavra de diálogo, por parte do governo, não existe. Que entrou com o Adin, entrou na Justiça, em vez de ter chamado mais uma vez a Alepe para ter uma conversa. Então, a gente espera que realmente essa palavra de diálogo vai existir, não fique só da boca para fora”, apontou Álvaro Porto.

Ele ainda remeteu a outros trâmites legislativos, como a votação de vetos do Executivo pela Casa de Joaquim Nabuco. “Espero que essa palavra de diálogo não seja só da boca para fora, porque o que vem acontecendo ultimamente, por parte do governo e do Estado, vou ser exemplo que essa semana, faltando dois dias para que fosse feita a redistribuição entre os poderes do superávit que teve no Estado, em vez de ter chamado para uma conversa, onde também poderia ter sido chamada essa conversa lá atrás, antes de ser votado os vetos, para sentar para conversar, para tentar chegar no entendimento”, disse Álvaro Porto.

A líder da oposição, deputada Dani Portela (PSOL), também cobrou diálogo entre os poderes. Foto: Roberto Soares/ Alepe

A líder da oposição, deputada Dani Portela (PSOL), também cobrou diálogo entre os poderes. “O diálogo precisa ser uma via de mão dupla. Essa casa tem toda a disposição de dialogar com o governo do Estado e a gente precisa que esse diálogo também venha de lá para cá. Pois o diálogo deve ser a fonte de inesgotável dissolução dos conflitos para o nosso Estado e não apenas buscar outras formas. Somos surpreendidos com uma judicialização por parte da governadora sobre as nossas imensas parlamentares. Então acho que isso fere um pouco a autonomia dessa casa. Então acho que a gente dá um recado da importância de que esse ano seja marcado de maneira diferente, seja marcado por diálogo, construção coletiva para o melhor para Pernambuco”, disse Dani Portela.

As cobranças de Dani Portela exigem da governadora posicionamentos e ações mais imediatas. “Acho que no discurso da governadora, ela ainda falou muito no futuro. Iremos, faremos, a gente precisa conjugar esse verbo no presente. O primeiro ano representa 25 % da gestão”,

A governadora Raquel Lyra também acenou na direção de abrir mais diálogo com os parlamentares. Foto: Roberto Soares/ Alepe

Por sua vez, a governadora Raquel Lyra também acenou na direção de abrir mais diálogo com os parlamentares. “Diálogo e respeito entre os poderes são valores fundamentais para a democracia. Mas não se deve atribuir isso a significados de concordância total e permanente. O nosso sistema é democrático justamente porque constitui várias vozes, que ao fim buscam um resultado único. Respeito profundamente o Legislativo estadual e deixo registrado, para juntos fazermos de 2024 um ano de mais mudanças para melhor”, respondeu a governadora, que aproveitou seu discurso para fazer um balanço das ações do seu primeiro ano de gestão. 

O PSDB nacional saiu em defesa de Raquel Lyra

“A Comissão Executiva Nacional do PSDB manifesta sua integral solidariedade à governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, pelos comentários agressivos contra ela emitidos pelo presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto.

Nosso partido luta incessantemente para que as mulheres sejam protagonistas de verdade na política e em todos os espaços de poder. Nós, tucanos, temos muito orgulho de termos eleito uma jovem e competente mulher como governadora de Pernambuco e não podemos tolerar manifestações agressivas contra ela venha de quem vier. Muito menos de um deputado do próprio PSDB.

O Conselho Nacional de Ética e Disciplina do PSDB está pronto para avaliar eventuais medidas disciplinares contra o deputado Álvaro Porto e o PSDB está à disposição da governadora Raquel Lyra também para apoiá-la em eventuais medidas jurídicas que se fizerem necessárias”, diz a nota. 

O PSDB estadual também se posicionou por meio de nota:

O diretório estadual do PSDB-Partido da Social Democracia Brasileira, vem a público manifestar seu descontentamento com as recentes demonstrações de desrespeito ao cargo e à pessoa da Governadora do Estado de Pernambuco, Raquel Lyra.

A convivência democrática estabelecida em nossa Constituição Federal exige o respeito à independência e à harmonia entre os poderes da República; ao passo que o senso comum de urbanidade preza pela deferência às instituições de Estado e às pessoas que as representam.

Ressaltamos que os pontos acima são aspectos mandatórios de quem opta pela vida pública; e, a quem divide a mesma agremiação partidária, denotam aspectos claros de civilidade.

O PSDB entende também que ataques como este ultrapassam a já reprovável ofensa à esfera pessoal, atingindo igualmente a independência dos poderes e os mais valiosos princípios democráticos, responsáveis por alçar de forma inédita uma mulher ao mais alto posto do Poder Executivo estadual.

Renovamos a cada dia nossa confiança na liderança da Governadora Raquel Lyra, sendo certo que Pernambuco seguirá avançando no combate a discriminação e na defesa da igualdade de gênero.

PSDB Caruaru

A Comissão Executiva do PSDB em Caruaru manifesta, por meio deste, sua total e inabalável solidariedade à Governadora Raquel Lyra. Lamentamos profundamente que, mais uma vez, ela tenha sido alvo de comentários misóginos, especialmente vindo de um membro do nosso próprio partido.

Reafirmamos nosso compromisso inequívoco de unir forças ao lado da Governadora na construção de uma sociedade totalmente isenta de qualquer forma de discriminação ou preconceito contra as mulheres. É com veemência que repudiamos os comentários proferidos, reiterando nossa postura firme contra qualquer atitude que desrespeite os princípios republicanos e os valores de igualdade.

Nossa responsabilidade e empenho são em prol de um ambiente político e social que promova a equidade e o respeito, repudiando veementemente qualquer comportamento que vá de encontro a esses princípios. A Comissão Executiva do PSDB em Caruaru reitera seu apoio irrestrito à Governadora Raquel Lyra, consolidando-se como defensora ativa na busca por uma sociedade mais justa e inclusiva.

Liderança do Governo na Alepe

Nós, enquanto deputados líder e vice-líder do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco, Izaías Régis e Joãozinho Tenório, manifestamos aqui a nossa solidariedade com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra.

Acreditamos que o presidente Álvaro Porto não foi feliz ao tecer comentários negativos à fala da governadora, que se dispôs ir à Alepe com todo seu secretariado, mostrando que quer trabalhar dialogando com o legislativo.

Em seu discurso, Raquel frisou seu foco no comprometimento com o Estado e que assim possamos seguir, trabalhando pelo melhor para todos os pernambucanos e pernambucanas.

Frente Nacional dos Prefeitos

Em nome da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos manifestamos solidariedade à governadora
de Pernambuco, Raquel Lyra, pela violência política que sofreu. Recentemente, a FNP incluiu no
seu nome a palavra prefeitas, como um compromisso de promover o protagonismo das mulheres
na política.

Diante disso, reiteramos o posicionamento de apoio à Raquel Lyra, que foi vice-presidente do
g100 na FNP e prefeita de Caruaru, e contra qualquer ato que comprometa a inclusão das
mulheres em todos os espaços de poder.

Assina o presidente da FNP e prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira

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