
O Nordeste comercializou R$ 10,38 bilhões em 14 substâncias metálicas e grafita em 2024, o equivalente a 4,7% da produção nacional de R$ 220,5 bilhões, segundo o Anuário Mineral Brasileiro 2025, ano-base 2024, publicado pela Agência Nacional de Mineração (ANM) em 9 de fevereiro deste ano. Segundo o documento, o desempenho é sustentado por posições estratégicas únicas no cenário mineral do país: a Bahia concentra os únicos produtores nacionais de cromo e vanádio, e o conjunto regional lidera a emissão de autorizações de pesquisa mineral no Brasil. O resultado representa expansão de 15,6% sobre os R$ 8,98 bilhões registrados em 2023.
A Bahia manteve a liderança regional absoluta, com R$ 8,08 bilhões em valor comercializado, o equivalente a 77,8% da produção metálica nordestina. O desempenho baiano foi sustentado por cinco pilares: ouro, níquel, cobre, cromo e vanádio. O ouro respondeu por R$ 4,07 bilhões pela Jacobina Mineração e Comércio Ltda., que detém 9,94% da produção aurífera nacional. O níquel contribuiu com R$ 1,32 bilhão, operado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), responsável por 37,02% da produção nacional. O cobre gerou R$ 1,69 bilhão pela Vale Caraíba S.A., com teor médio de 33,00% Cu no produto beneficiado e participação de 7,41% no mercado nacional. O
O estado responde ainda por participações exclusivas em duas substâncias críticas para a transição energética: o vanádio, utilizado em baterias de fluxo para armazenamento de energia em larga escala, com R$ 313 milhões, exclusivamente pela Vanádio de Maracás S.A.; e o cromo, insumo siderúrgico de largo espectro, com R$ 546 milhões, de responsabilidade das empresas Vale do Jacuri e Ferbasa, com 100% da produção nacional concentrada na Bahia.
Piauí desponta com extração de ferro
O maior crescimento proporcional entre os estados nordestinos coube ao Piauí, cuja produção saltou de R$ 52,1 milhões em 2023 para R$ 239 milhões em 2024, variação de 358,6%. A expansão foi inteiramente protagonizada pelo ferro, com extração bruta (ROM) de 1.307.651 toneladas a teor médio de 58,86% de Fe. O estado também apresenta produção de níquel registrada em volume bruto de 113.824 toneladas ROM, sem valor de comercialização declarado no período. A cadeia piauiense de ferro ainda opera em escala média, mas o volume crescente de autorizações de pesquisa na região sugere expansão de capacidade no médio prazo.
Em direção oposta, Alagoas registrou retração de 7,1%, com a produção passando de R$ 1,23 bilhão em 2023 para R$ 1,14 bilhão em 2024. A variação reflete oscilação operacional da Mineração Vale Verde do Brasil, responsável pela extração de cobre em Craíbas (AL), que responde por 4,50% da produção nacional da substância em 2024, com o maior teor de beneficiamento do Brasil registrado no AMB 2025: 21,23% Cu. O estado registrou ainda 290 kg de ouro comercializados a 100% de recuperação no beneficiamento, acrescentando R$ 111,5 milhões ao total estadual.
O Maranhão registrou retração de 19,5%, encerrando 2024 em R$ 912,6 milhões ante R$ 1,13 bilhão no ano anterior. A produção estadual está concentrada no ouro por concessão, com R$ 912,3 milhões e 2.268 kg comercializados a teor de recuperação de 93,46%, e em ouro garimpeiro no regime de Permissão de Lavra Garimpeira. O ferro maranhense apresenta 105.413 toneladas ROM a teor de 47% Fe, mas sem valor de comercialização declarado na base RAL do período. A participação maranhense no ouro ocorre na região do sul do estado, próxima à fronteira com o Pará, no corredor de Canaã dos Carajás, com escoamento pelo Porto de Itaqui.
Base tributária regional de royalties é concentrada na Bahia
A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) recolhida pelos estados nordestinos totalizou R$ 172,5 milhões em 2023, correspondentes a 2,79% do total nacional de R$ 6,18 bilhões. A Bahia concentrou R$ 131,7 milhões (76,4% do total regional), reflexo direto da diversidade e da escala produtiva baiana. O segundo maior recolhedor regional foi Alagoas, com R$ 22,9 milhões, seguido pelo Maranhão, com R$ 17 milhões. O restante dos estados nordestinos respondeu por menos de R$ 800 mil em conjunto, evidenciando a concentração da base tributária mineral da região em apenas três estados.
O Nordeste recolheu R$ 172,5 milhões em royalties, ante R$ 3,06 bilhões de Minas Gerais e R$ 2,68 bilhões do Pará, os dois estados que dominam 93,2% da arrecadação nacional de CFEM. A disparidade expressa a diferença de escala produtiva entre as economias minerais do Sudeste/Norte e do Nordeste: enquanto Minas Gerais e Pará operam grandes complexos de ferro e bauxita em regime de produção em massa, o Nordeste concentra sua cadeia em depósitos de menor porte e maior diversidade de substâncias. Em 2024, a CFEM nordestina totalizou R$ 168,3 milhões, correspondendo a 2,4% do nacional de R$ 7,0 bilhões, com a Bahia mantendo concentração de 77,8% da CFEM regional (R$ 130,9 milhões).
Nordeste lidera pesquisa com 40,3% das autorizações nacionais
Em 2023, o Nordeste recebeu 2.552 autorizações de pesquisa mineral, o equivalente a 40,3% do total nacional de 6.331 concessões. O dado revela uma assimetria estrutural relevante: a região detém participação modesta na produção atual (4,4% do valor nacional em 2023), mas concentra quatro vezes mais atividade de pesquisa do que a proporção produtiva indicaria. A explicação está na combinação de dois fatores: a existência de províncias minerais ainda subexploradas no semiárido e a demanda por lítio, cobre e terras raras associada à transição energética global.
A Bahia liderou entre os estados nordestinos com 1.470 autorizações de pesquisa, 23,2% do total nacional. O Ceará foi o segundo colocado regional, com 549 autorizações, concentradas em lítio e minérios polimetálicos na região do Seridó e na Chapada do Araripe. Rio Grande do Norte (152), Piauí (126) e Paraíba (97) completam o grupo de estados com volumes significativos de títulos de pesquisa. Em termos de concessões de lavra ativas, estágio que indica operação em curso, o Nordeste registrou apenas 5 concessões em 2023, contra 38 no Sudeste, o que reforça o caráter prospectivo ainda predominante da mineração nordestina.
Produção mineral metálica supera marca de R$ 200 bilhões
No conjunto nacional, a produção mineral metálica do Brasil totalizou R$ 204,4 bilhões em 2023, com Minas Gerais (44,6%) e Pará (43,2%) respondendo por 87,8% do valor total. O Nordeste representou 4,4% do total nacional, com a Bahia como quarto estado produtor do país em valor, com R$ 6,54 bilhões e participação de 3,2%, atrás apenas de Minas Gerais, Pará e Goiás.
Em 2024, o ferro dominou a estrutura produtiva nacional, respondendo por 71% do valor brasileiro, com Pará e Minas Gerais concentrando 83,4% da produção. Há 274 minas em produção no Brasil, com 83 operando acima de 1 milhão de toneladas/ano de ROM, nenhuma delas localizada nos estados nordestinos. No campo do comércio exterior, o Brasil exportou US$ 59,9 bilhões em produtos minerais metálicos em 2024 e importou US$ 17,9 bilhões, com saldo superavitário de US$ 42 bilhões.
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