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Primeira floresta nacional do Brasil completa 80 anos no Cariri cearense

Flona do Araripe-Apodi celebra 80 anos com seminário no Cariri sobre a Caatinga e reconhecimento inédito de mais de 1,5 mil famílias que vivem no território da unidade de conservação
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Floresta Nacional do Araripe-Apodi no Cariri cearense
A Floresta Nacional do Araripe-Apodi (CE) tem cerca de 38 mil hectares e tem seus recursos naturais utilizados por mais de 1,5 mil famílias do Cariri cearense. Foto: Débora Agostini/ICMBio

A Floresta Nacional do Araripe-Apodi, primeira unidade de conservação de uso sustentável do Brasil, completa 80 anos nesta semana. Criada em 1946 no Cariri cearense, a Flona ocupa 38 mil hectares e foi palco, nas comemorações do aniversário, do Seminário de Políticas Públicas para a Caatinga, que reuniu lideranças nacionais, representantes de governos, pesquisadores e comunidades locais em torno de debates sobre o futuro do bioma.

Um dos marcos das comemorações foi o reconhecimento institucional inédito de mais de 1,5 mil famílias que utilizam tradicionalmente os recursos naturais da unidade. O levantamento, realizado em 2025 com a participação de agentes públicos e das próprias comunidades, foi conduzido pela Coordenação-Geral de Povos e Comunidades Tradicionais (CGPT) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo a analista ambiental Mara Nottingham, o reconhecimento amplia o acesso dessas populações a políticas públicas.

“A conservação ambiental não se faz de forma isolada, mas integrada às dimensões social, cultural, educativa e econômica”, afirmou Carlos Augusto Pinheiro, chefe da unidade de conservação.

Seminário no Cariri aborda gestão territorial

O Seminário de Políticas Públicas para a Caatinga marcou o início oficial das comemorações e reuniu, sob o tema “Flona do Araripe: território estratégico para a sociobioeconomia, segurança alimentar, restauração ecológica inclusiva e desenvolvimento territorial sustentável”, autoridades e representantes da sociedade civil para debater o futuro do bioma.

O presidente do ICMBio, Mauro Pires, participou das atividades e destacou os resultados da gestão participativa. “A atuação conjunta de organizações da sociedade civil, lideranças comunitárias, universidades e governos tem produzido resultados concretos para a conservação da Flona e para o desenvolvimento da região”, afirmou.

A diretora de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial do ICMBio, Kátia Torres, reforçou que a gestão de uma floresta nacional envolve não apenas a proteção ambiental, mas o fortalecimento das comunidades que vivem no território, valorizando saberes e práticas das populações locais.

Entre as iniciativas em curso na unidade estão o fortalecimento da sociobioeconomia, o incentivo ao turismo de base comunitária, trilhas inclusivas e o Programa Bolsa Verde. “A conservação praticada na Flona do Araripe é, de fato, uma obra coletiva, feita com compromisso público, participação social e amor pelo território”, disse Pires.

*Com informações da Agência Gov

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