
A vinhaça, resíduo gerado durante a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, vai ganhar um novo destino e gerar biogás, vapor verde e biometano em escala industrial em Coruripe, no Litoral Sul de Alagoas. O processo de produção de biocombustível deve iniciar no segundo semestre de 2028, fruto de uma parceria entre a Cooperativa Pindorama e a multinacional francesa Veolia. A tecnologia prevê a biodigestão do resíduo para capturar o gás metano e convertê-lo em energia para uso industrial e substituição de combustíveis fósseis.
A vinhaça é considerada um resíduo de alto impacto ambiental quando descartada sem tratamento adequado. Por ter grande quantidade de matéria orgânica, baixo pH e alta demanda bioquímica de oxigênio, pode alterar o equilíbrio de ecossistemas aquáticos e favorecer processos como a eutrofização, que reduz a qualidade da água.
Por outro lado, quando manejada corretamente, também pode ser reaproveitada na fertirrigação dos canaviais por conter nutrientes como potássio, fósforo, nitrogênio, enxofre, magnésio e cálcio.
A Cooperativa Pindorama chegou a anunciar em 2024 parceria com aZEG Biogás, braço de biogás e biometano da Vibra Energia, para a instalação da usina de produção de biogás e biometano, mas por problemas com a empresa parceira, o projeto acabou sendo cancelado e foi retomado e oficializado junto a executivos da Veolia no último dia 01 de maio.
Vinhaça vai tornar cooperativa autossuficiente em vapor
Previsto para iniciar no segundo semestre de 2028, o projeto denominado Bioenergias Pindorama – Veolia prevê a biodigestão de 350 m³/h anuais de vinhaça a partir de cana-de-açúcar, milho e sorgo, para geração de biogás, vapor verde e biometano em escala industrial.
O gerente industrial da Cooperativa Pindorama, Erikson Viana, explicou ao Movimento Econômico que o projeto que será executado em Alagoas vai permitir que a cooperativa continue utilizando a vinhaça para produção de biocombustíveis e a fertirrigação do canavial.
“A fábrica de recuperação de gás metano da vinhaça consiste em um grande reator, que vai absorver esse resíduo, uma retenção de aproximadamente 24 horas, que é o tempo que vai sendo gerado esse gás por meio de um processo enzimático. Teremos sensores avaliando a propagação do gás em cada camada do tanque”, explicou.
Segundo Viana, a capacidade atual de produção de vinhaça na Cooperativa Pindorama é de 14 litros do resíduo para cada litro de álcool processado. Já a vinhaça oriunda dos grãos possui um teor alcoólico menor, o que resulta em menos vinhaça produzida por dia.

“Nossa demanda química de oxigênio, que é a minha capacidade de geração de gás, é aproximadamente 60. Isso gira em torno de 13 m³ de gás biometano purificado por metro cúbico de vinhaça. Com uma produção de 250 m³ por hora, temos uma capacidade de 3.300 metros cúbicos hora de geração de gás biometano purificado, que num dia seria seis mil metros cúbicos de vinhaça”, explicou o gerente industrial da Cooperativa Pindorama ao Movimento Econômico.
A expectativa é que quando a unidade estiver em operação, parte do biogás gerado a partir do processo de biodigestão dos materiais orgânicos será aproveitada para a produção de 15 toneladas por hora de vapor verde, que será utilizado para o processo produtivo da cooperativa. Outra parte será purificada e produzirá 10.000 m³ de biometano por dia, visando a substituição de diesel em frotas e transporte.
A Cooperativa Pindorama quer se tornar autossuficiente em vapor, além de substituir metade do combustível fóssil comercializado em seu posto, localizado no município de Coruripe, evitando a emissão de aproximadamente 10 mil toneladas de CO2 equivalente por ano.
Cooperativa agroindustrial será a primeira a produzir biogás e biometano
O anúncio da parceria com a Veolia vai consolidar os planos da Cooperativa de se tornar a primeira cooperativa agroindustrial do Norte – Nordeste a implementar uma unidade de produção de biogás e biometano.
“Além de muito importante para Alagoas e o Nordeste, esta parceria tem extrema relevância para a Pindorama, pois nos possibilitará fechar todo o ciclo produtivo da cana e do milho, transformando a vinhaça em bioenergia e impulsionando a transição energética na região. Estamos muito felizes com esta evolução”, destacou Klecio Santos, Presidente da Cooperativa Pindorama durante o anúncio.
A expectativa é que a unidade de processamento dos biocombustíveis funcione em uma área de 5 hectares, cedida pela Cooperativa, entre os municípios de Coruripe e Feliz Deserto.
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