
O avanço do agronegócio no Nordeste, com polos produtivos cada vez mais consolidados e novas áreas em expansão, tem ampliado a demanda por tecnologias de mecanização, conectividade e agricultura de precisão adaptadas às características da região. Empresas do setor vêm reforçando a aposta em soluções capazes de atender diferentes perfis de solo, clima e escala de produção no Nordeste.
O crescimento da atividade agrícola tem posicionado a região de forma estratégica nas discussões sobre produtividade no campo. Durante a Agrishow, realizada entre os dias 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, diversas empresas apresentaram maquinários que atendem especificidades da agricultura nordestina, com foco em ganho de eficiência e competitividade.
O gerente de marketing de produto da PTx para a América Latina, Giancarlo Rocco, disse ao Movimento Econômico que regiões produtivas do Nordeste têm demandado tecnologias específicas para atender determinados tipos de solo e garantir qualidade na produção.

Ele cita o Oeste da Bahia, com produção de grãos em escala nacional, e o Vale do São Francisco, em Pernambuco, como exemplos de polos que hoje já exigem mais tecnologia no processo produtivo.
“O Oeste da Bahia é uma região muito tecnificada, tem um solo mais arenoso, e o polo de fruticultura, no Vale do São Francisco, é outra região que demanda tecnologias específicas. Hoje atendemos com soluções que se integram a esse agricultor, como, por exemplo, o controle de população de plantas, onde conseguimos garantir a qualidade e a produção”, explicou.
A alta produção observada em diferentes áreas do Nordeste também tem demandado maior controle produtivo, automação e soluções inteligentes. O coordenador comercial da Massey Ferguson, Marcelo do Carmo, explicou à reportagem que essa expansão na região tem exigido diferentes perfis de maquinário, com destaque para equipamentos voltados à abertura de áreas e para tecnologias que permitam elevar o nível de precisão das operações.

“Hoje, as máquinas passam por tratores com grades aradoras e niveladoras, plantadeiras com maior capacidade de fertilização e taxa variável, além de piloto automático, seja elétrico ou hidráulico. Na prática, todo o conjunto é necessário: tratores, implementos, plantadeiras, pulverizadores autopropelidos e colheitadeiras. Todos esses equipamentos são fundamentais para viabilizar a expansão e aumentar a produtividade no Nordeste”, afirmou.
Ele acrescentou que, em estados como Bahia e Ceará, os tratores de menor porte, na faixa de 80 cavalos, ainda predominam, embora exista uma tendência de aumento gradual do tamanho e da potência das máquinas ao longo do tempo.
Máquinas ganham inteligência para operar no clima do Nordeste
O avanço agrícola no Nordeste também tem levado as empresas do segmento a oferecer mais inteligência de dados embarcada nos maquinários. O coordenador de marketing tático da Valtra, Gustavo dos Santos, afirmou ao Movimento Econômico que a diversidade de solos e o rigor térmico da região exigem soluções capazes de operar com eficiência em cenários distintos.
Na Agrishow, a Valtra apresentou os tratores Série A5 e sua versão A5 HiTech, recém-lançados, que combinam força, eficiência térmica e alta tecnologia, com potências entre 105 e 145 cv e foco em propriedades de diferentes portes.
“Eles são equipados com a nova geração de motores AGCO Power, que trazem a otimização da eficiência térmica, que é um fator estratégico para operar no clima frequentemente quente da região, garantindo alta performance e melhor aproveitamento de combustível com o menor custo operacional possível. Como são multitarefas, eles performam bem em propriedades de todos os portes”, explicou.
Outra novidade apontada como estratégica para o Nordeste é a nova Série M5, apresentada com foco no preparo de solo e na melhoria do perfil do terreno para implantação de culturas e abertura de novas frentes de plantio. De acordo com ele, em áreas com terrenos irregulares ou formatos complexos, a tecnologia embarcada se torna decisiva.
“Eles possuem o piloto automático hidráulico, que oferece respostas mais rápidas e maior precisão no direcionamento da máquina. Além disso, contam com o Wayline Assist, focado justamente em otimizar a criação e o gerenciamento de linhas de orientação no campo, e o TaskDoc, que atua na gestão automática dos dados agrícolas”, disse.

Tecnologia também avança para reduzir custos no campo
A adoção de tecnologias no campo nordestino também tem sido impulsionada pela necessidade de reduzir custos operacionais e melhorar o uso de insumos. Segundo o gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson, Lucas Zanetti, soluções embarcadas nas máquinas têm permitido ao produtor economizar combustível e tornar a operação mais eficiente.
“Hoje, o produtor conta com soluções embarcadas nas máquinas que permitem economizar de 15% a 35%, graças à motorização eletrônica, que trabalha em baixa rotação com alta eficiência. Quando combinada à transmissão Dyna-VT (CVT), essa economia pode chegar a até 35%”, afirmou.

Ele destacou ainda que o piloto automático e o controle de seções ajudam a reduzir desperdícios ao garantir passadas mais precisas e evitar sobreposições. “O controle de seções, presente por exemplo na plantadeira Momentum, permite aplicar fertilizantes e sementes apenas onde necessário, evitando desperdícios, o que pode gerar economias significativas, dependendo da operação”, disse.
Na Valtra, a avaliação é de que a pressão sobre os fertilizantes exige mais eficiência no uso dos insumos. Gustavo dos Santos afirmou que a agricultura de precisão tem avançado justamente nesse ponto, com soluções voltadas à aplicação precisa de sementes e adubo.
“A máquina apresenta tecnologias que proporcionam uma assertividade total na deposição. Ela conta com o sistema vDrive para o desligamento linha a linha e controle de sementes, aliado ao vApply Granular, que realiza o gerenciamento preciso e em taxa variável do adubo, permitindo ajustar a dosagem conforme a necessidade real do solo e reduzindo em até 50% o desperdício de fertilizantes”, explicou.
Escassez de mão de obra impulsiona automação no campo
A falta de mão de obra qualificada também é uma preocupação para a produção agrícola no Nordeste e abre caminho para o avanço da automação. No Oeste da Bahia, por exemplo, produtores têm recorrido a soluções tecnológicas para mitigar esse problema.
“Temos oferecido aos produtores da região soluções que integram piloto automático, orientação perfeita das linhas, tudo atrelado à melhoria da plantabilidade. Há ainda muito espaçamento nos plantios, que rouba muita produtividade do agricultor, então oferecemos automações que fornecem respostas diretas às informações que estão sendo lidas no campo de forma momentânea”, explicou Giancarlo Rocco.
A Valtra também tem oferecido aos produtores nordestinos soluções de inteligência e telemetria voltadas à otimização do uso de insumos e à preservação dos recursos naturais.
“A recém-lançada plataforma FarmENGAGE, da PTx, atua como um hub central que conecta frotas de diferentes marcas e modelos, permitindo o rastreamento do trabalho em tempo real e a geração de relatórios automatizados para o planejamento da lavoura. Com essas ferramentas de agricultura de precisão aliadas a mapas de prescrição e taxa variável, o produtor consegue aplicar insumos na quantidade exata e no local correto, reduzindo desperdícios e potencializando o uso dos recursos naturais”, explicou Gustavo dos Santos.
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