
O Parktech, Parque Tecnológico localizado na cidade da Praia, capital de Cabo Verde, sediará entre os dias 3 e 10 de setembro a segunda edição do Fórum Brasil-Cabo Verde. O evento reunirá empresários e autoridades públicas dos dois países com o objetivo central de concretizar a instalação do Arquipélago Digital, uma iniciativa projetada para transformar o país africano em um polo internacional de inovação tecnológica inspirado no modelo do Porto Digital de Recife.
Durante a programação do encontro, os participantes presenciarão a inauguração formal do Arquipélago Digital Teleport, ambiente físico estruturado para abrigar a instalação das empresas brasileiras que buscam expandir suas operações para o exterior.
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A proposta visa posicionar a nação insular como a principal porta de entrada e distribuição de produtos e serviços digitais para o mercado africano, aproveitando vantagens operacionais, fiscais e logísticas estratégicas.
A conectividade direta entre o Nordeste do Brasil e o arquipélago africano atua como facilitação logística para os negócios, visto que o tempo de voo partindo do Recife rumo à capital Praia é de três horas e 40 minutos.
Essa proximidade geográfica com o continente africano, explica a organização do negócio, reduz distâncias de deslocamento e permite que companhias nacionais atendam de maneira remota um mercado consumidor regional estimado em 1,5 bilhão de pessoas.
Vantagens fiscais e conectividade impulsionam negócios
No âmbito tributário e operacional, o ambiente de negócios estruturado oferece isenção total de impostos e tarifas para organizações que atuarem a partir do território cabo-verdiano voltadas ao atendimento do continente.
A iniciativa busca preencher a demanda por soluções tecnológicas na África, considerada uma área de oceano azul devido à escassez de ofertas locais diante das crescentes necessidades operacionais e de consumo da região. ”Estamos com as inscrições abertas e a expectativa é de levar acima de dez empresas para darmos o start do Arquipélago Digital”, afirma o coordenador do projeto, Gildo Baptista Jr..
”Vamos levando empresas, empresários e entes públicos para os unir a empresários de Cabo Verde e os entes públicos de lá. Vamos também inaugurar o Arquipélago Digital Teleport, local onde as empresas brasileiras irão se instalar fisicamente”, destaca o empresário, ressaltando a construção desse ecossistema colaborativo entre as duas nações.
O ecossistema conta também com diferencial de infraestrutura de telecomunicações, apresentando uma das menores latências do mundo na transmissão de dados. Essa velocidade deve-se ao fato de Cabo Verde funcionar como entroncamento e hub de amarração do sistema de cabos submarinos Ellalink, malha de fibra óptica que conecta a América do Sul, América do Norte, Europa, África e Ásia, assegurando alta estabilidade para o processamento e segurança das informações.
Imersão comercial e visitas às instituições locais
A programação do fórum foi desenhada para promover conexões diretas entre o setor privado brasileiro e os agentes econômicos cabo-verdianos através de rodadas de apresentação e debates.

“A gente faz uma programação que envolve toda essa experiência, envolve as passagens aéreas de Recife direto para Praia, o hotel que fica a delegação brasileira, a participação no fórum e todas as visitas técnicas”, explica o coordenador.
O itinerário oficial prevê reuniões dinâmicas organizadas de acordo com o perfil das empresas inscritas na missão. “O fórum é um ambiente onde a gente tem uma pauta específica que tem a ver com as empresas que vão conosco, onde cada um tem espaço para falar suas oportunidades de negócio. Os empresários de Cabo Verde também têm uma pauta para apresentar suas respectivas oportunidades de negócio”, detalha Gildo Baptista Jr..
Estão agendadas ainda rodadas de visitas em locais estratégicos como a sede do governo da Praia, a CV Telecom, a rede pública de radiodifusão e o Fundo Soberano de Cabo Verde. “A gente faz visitas técnicas no fundo soberano, que é uma instituição financeira que dá garantia real para as empresas que querem aportar e fazer investimentos em Cabo Verde. Quando o projeto é aprovado, o fundo soberano é o que dá o aval garantidor”, explica o empresário.
Capacitação de talentos e transição da matriz econômica
Além da infraestrutura física e digital, a sustentabilidade do hub tecnológico repousa sobre uma estratégia de qualificação profissional acelerada para a população local.
O pilar formador do Arquipélago Digital projeta a capacitação de 100 mil jovens e trabalhadores em transição de carreira, utilizando a metodologia de ensino híbrido denominada Educação Tribida, que combina transmissões via televisão, ambiente virtual e aulas presenciais com estágio supervisionado.
A formação ofertada abrangerá cursos técnicos nas áreas de informática, logística e administração, respaldada por convênios que asseguram a dupla certificação com reconhecimento oficial pelo Ministério da Educação do Brasil e pelo Ministério da Educação de Cabo Verde.
O plano inclui também ações sociais voltadas ao provimento e manutenção de equipamentos de informática para os estudantes participantes das comunidades locais. A diversificação da matriz econômica figura como um dos principais vetores para a criação do polo de inovação no Atlântico Médio.
“Cabo Verde tem uma localização estratégica invejável, operando como um centro logístico entre a África, Europa e América. Nossa missão é incrementar as oportunidades digitais, especialmente na capital, Praia, e em São Vicente, transformando o país em um exportador de serviços tecnológicos”, sintetiza Baptista Jr.
O evento é aberto à participação de empresários, executivos do setor de tecnologia e representantes de entidades públicas e privadas interessados em expandir operações para o mercado internacional.
Os detalhes sobre a delegação, custos da programação e inscrições para a missão empresarial podem ser obtidos por meio do e-mail [email protected] ou pelo atendimento via WhatsApp pelo número (81) 99185-9036.
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