
O Porto de Suape inicia, na próxima semana, uma nova etapa de sua estratégia de expansão logística e inserção internacional. Técnicos da Solve Shipping desembarcam em Pernambuco para dar início, em campo, aos estudos que vão mapear o potencial de cargas da região, identificar novas rotas comerciais e propor soluções para reduzir o tempo de trânsito, um dos principais desafios para a competitividade de produtos exportados, sobretudo os perecíveis.
A mobilização ocorre após a assinatura do contrato entre Suape e a consultoria, formalizada em abril, dentro do Pacto pelo Agro, iniciativa conduzida em parceria com a Secretaria estadual de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca (SDA-PE). O objetivo é estruturar soluções logísticas capazes de consolidar o porto pernambucano como uma das principais portas de saída da produção agroindustrial do Nordeste para o mercado internacional.
De acordo com o presidente do porto, Armando Monteiro Bisneto, a chegada da equipe técnica marca o início de um trabalho estratégico que vai muito além dos limites geográficos de Pernambuco. “Contratamos uma empresa especializada em inteligência marítima, com expertise em analisar a capacidade econômica da hinterlândia que Suape atende, que muitas vezes é maior do que o próprio estado”, afirmou.
Na prática, essa área de influência (conhecida como hinterlândia) se estende por diversos estados do Nordeste, incluindo Ceará, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte e Sergipe, além de regiões do interior da Bahia. A proposta da consultoria é compreender, com maior precisão, o fluxo de mercadorias que já circula por esse território, bem como identificar cargas potenciais ainda não capturadas pelo porto.
Mapeamento em campo e escuta dos agentes econômicos
Durante o período em Pernambuco, os especialistas da Solve Shipping vão realizar uma série de entrevistas com operadores logísticos, exportadores, armadores, terminais e usuários do porto. A ideia é construir um diagnóstico detalhado sobre o perfil das cargas movimentadas, suas origens e destinos, além de entender gargalos operacionais e oportunidades de expansão.
Segundo Monteiro Bisneto, esse mapeamento é essencial para viabilizar novas rotas marítimas de forma sustentável. “Quando você consegue identificar a carga que você tem de ida e a carga que você tem de retorno ao longo do ano, você consegue criar um ‘match’ que permite a abertura de novas linhas marítimas”, explicou.
Hoje, Suape já conta com conexões regulares para a Ásia, América do Sul, América Central e Europa, além de rotas para o Mediterrâneo. No entanto, a estratégia do porto é ampliar esse leque, criando ligações mais diretas e competitivas com mercados considerados prioritários.
“A gente quer novas linhas para os Estados Unidos, quer reduzir escalas nas rotas para a Ásia e fortalecer conexões com o norte da Europa, que é um mercado muito relevante para produtos como frutas”, destacou o presidente. Ele também ressalta que a presença de empresas europeias instaladas em Suape reforça a vocação internacional do complexo.
Redução de tempo e ganho de competitividade
Um dos focos centrais do estudo será a redução do tempo de trânsito das cargas, fator decisivo para produtos perecíveis, como frutas, carnes e derivados. A diminuição de escalas e a criação de rotas mais diretas podem representar ganhos expressivos de competitividade para os exportadores nordestinos.
O trabalho da Solve Shipping também busca alinhar a oferta logística à demanda produtiva regional, criando condições para que novos fluxos de exportação se consolidem. A expectativa é que, ao reduzir custos e prazos, o porto amplie sua atratividade frente a outros hubs logísticos do país, mesmo estando mais distante
Potencial de novas cadeias exportadoras via Suape
Outro ponto destacado por Monteiro Bisneto é o potencial de desenvolvimento de cadeias produtivas que ainda não operam plenamente no comércio exterior. “Há cargas que ainda não são exploradas. Um exemplo é o ovo, que fez sua primeira exportação recentemente. Pode não parecer relevante em termos de contêiner, mas tem importância para regiões como o Agreste e a Zona da Mata”, afirmou.
Segundo ele, a criação de uma rota específica pode funcionar como catalisador para o crescimento dessas cadeias. “Se você começa exportando 15 contêineres de ovos para a África, isso pode evoluir para 30, 45. A partir daí, toda a cadeia produtiva se reorganiza para atender não só o mercado local, mas também o internacional”, explicou.
Além das melhorias operacionais, o projeto também carrega o componente cultural importante de incentivar empresários locais a enxergarem o mercado externo como parte de sua estratégia de crescimento. “É fundamental mostrar que o empresário pernambucano não precisa produzir apenas para o mercado local. Ele pode exportar para a África, Europa, América do Sul e até Ásia, dependendo do produto”, afirmou.
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