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Inteligência artificial desafia nova gestão de pessoas nas empresas

Durante congresso realizado pela ABRH-PE, especialistas alertam para impactos da automação através de inteligência artificial na saúde mental e na rotina dos profissionais
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  1. Recife sedia 18ª edição do Congresso de Gestão de Pessoas com foco em IA e saúde mental
  2. Inteligência artificial altera estruturas corporativas e cria preocupações com impactos emocionais nas equipes
  3. Atualização da NR-1 amplia responsabilidade das empresas sobre riscos psicossociais no ambiente laboral
  4. Automação substitui funções e sobrecarrega saúde mental de profissionais que permanecem nas organizações
  5. Áreas de RH precisam preparar-se para gerenciar efeitos da inteligência artificial nos colaboradores
Congresso de recursos humanos acontece no Recife tendo a inteligência artificial como um dos debates centrais – Foto: Silla Guedes/ABRH-PE

Em um cenário de profundas mudanças no mercado de trabalho, impulsionadas pelo avanço acelerado da inteligência artificial e pelas novas exigências relacionadas à saúde mental nas empresas, o Recife recebe nesta terça-feira (26) a 18ª edição do Congresso de Gestão de Pessoas de Pernambuco (Congepe 2026). Promovido pela ABRH-PE, o evento será realizado das 8h às 20h, no Recife Expo Center, reunindo executivos, profissionais de recursos humanos, estudantes e especialistas de todo o país.

Com o tema “Qual é a sua voz?”, o congresso chega à edição de 2026 consolidado como um dos principais encontros do segmento no Brasil. A programação foi estruturada em quatro trilhas temáticas: Saúde Mental e Bem-Estar; Cultura e Desenvolvimento; RH do Futuro; e Remuneração.

Entre os assuntos que devem dominar os debates está a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia a atenção das empresas aos chamados riscos psicossociais no ambiente corporativo. A nova regulamentação reforça a necessidade de as companhias monitorarem fatores que possam afetar o equilíbrio emocional, as relações de trabalho e as condições psicológicas dos profissionais.

Inteligência artificial e saúde mental no centro do debate

A diretora de RH, conselheira e consultora da ABRH-PE Ana Tomazelli afirma que o tema ganhou protagonismo justamente por coincidir com um período de rápida transformação tecnológica nas empresas. Segundo ela, a discussão sobre saúde mental não pode mais ser tratada apenas como uma pauta restrita ao setor de recursos humanos.

“A atualização da NR-1 não faz a empresa ser responsável pela saúde mental do profissional, mas entende a empresa como responsável pelo ambiente de trabalho desse profissional”, afirma.

De acordo com Ana, o crescimento da inteligência artificial nas rotinas corporativas cria uma nova camada de preocupação para as organizações. Ferramentas de automação vêm sendo usadas em diferentes áreas para análise de dados, organização de processos, recrutamento e atendimento, alterando estruturas internas e redefinindo funções.

Ela alerta que a adoção dessas tecnologias precisa ser acompanhada de avaliações constantes sobre os impactos emocionais e operacionais gerados nas equipes. “Antes você tinha uma ferramenta para dar suporte para alguém. Agora você tem uma ferramenta que ocupa o lugar de alguém. Quem fica acaba assumindo mais responsabilidades e tendo a saúde mental mais sobrecarregada”, diz.

RH terá papel estratégico nas mudanças

A especialista avalia que um dos principais desafios dos próximos anos será justamente preparar as áreas de RH para lidar com os efeitos da automação sobre os profissionais. Para ela, muitas empresas ainda não tratam a inteligência artificial como um potencial fator de risco psicossocial dentro das novas exigências da NR-1.

“Os RHs precisam considerar a inteligência artificial como um ofensor de saúde mental de quem permanece na companhia. Esse processo de substituição por IA já está acontecendo, mas ainda não vem sendo considerado à luz da NR-1 como um fator de risco”, afirma.

Segundo Ana, a implementação de inteligência artificial exige mais do que apenas adoção tecnológica. Ela afirma que a eficiência das ferramentas depende da maturidade dos processos internos das organizações.

“A inteligência artificial não é uma mágica. Ela depende de processos bem estruturados e indicadores bem desenhados. Ela pode aumentar o que é bom ou ampliar o que é ruim”, ressalta.

A avaliação é que empresas mais organizadas conseguem utilizar a tecnologia com maior eficiência em tarefas operacionais e administrativas, enquanto funções mais subjetivas ainda exigem supervisão humana e análises críticas.

Relações geracionais e novas lideranças

Além da inteligência artificial, o Congepe também terá debates sobre longevidade profissional, etarismo, produtividade sustentável e relações intergeracionais. Para os especialistas, o convívio entre diferentes gerações nas empresas passou a exigir novas formas de liderança e comunicação.

Ana Tomazelli destaca que cobranças, metas e relações interpessoais passaram a ser percebidas de maneiras distintas pelos trabalhadores mais jovens e pelos profissionais mais experientes. “As diferentes gerações registram as cobranças e as demandas de formas diferentes. Isso exige mais atenção das lideranças e das empresas”, afirma.

O congresso também discutirá temas ligados à cultura organizacional, transparência, governança corporativa e capacitação contínua. Entre as recomendações defendidas pelos especialistas estão o fortalecimento da supervisão humana nos processos automatizados, o envolvimento dos trabalhadores nas decisões relacionadas à tecnologia e a ampliação do chamado letramento digital dentro das empresas.

Novo modelo de trabalho ainda está sendo criado

Para Ana Tomazelli, o mercado corporativo atravessa um período de redefinição profunda das relações de trabalho, em que empresas e profissionais ainda estão aprendendo a lidar com novos formatos de produção, gestão e convivência. “Não estamos apenas aprendendo uma nova forma de trabalhar. Estamos inventando um novo jeito de trabalhar”, afirma.

Segundo ela, a forma como organizações, lideranças e profissionais irão estabelecer essas novas relações nos próximos anos deverá definir o futuro do trabalho na próxima década. “É a maneira como vamos construir esses modelos agora que vai ditar os próximos cinco ou dez anos das relações de trabalho”, conclui.

Leia também: Brasil lidera adoção de IA na gestão de contratos, aponta pesquisa

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