
De olho em uma geração que está consumindo menos cerveja, o Grupo Petrópolis amplia seu portfólio de bebidas Ready to Drink com um sabor nordestino: o caju. A aposta é a Crystal Ice Caju, bebida produzida com vodca, saquê e suco clarificado de caju proveniente do Ceará, com distribuição já iniciada neste mês de março e teor alcoólico de 5%. O produto integra a linha Crystal Ice ao lado dos sabores Limão, Frutas Vermelhas e Frutas Amarelas. A fabricação ocorre em cinco unidades industriais: Itapissuma (PE), Boituva (SP), Uberaba (MG), Teresópolis (RJ) e Rondônopolis (MT).
“A gente já deixou de ser uma empresa exclusiva de cervejas há um bom tempo. A gente tem uma linha muito vasta, várias categorias. Agora, essas bebidas prontas para consumo, o famoso RTD, vem cada vez mais aumentando no mercado de uma forma geral”, afirma César Fortes, diretor regional Norte-Nordeste do Grupo Petrópolis.
A escolha do ingrediente tem sustentação geográfica: 95% da produção nacional de caju é proveniente do Nordeste, com os maiores estados produtores sendo Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. O Grupo Petrópolis formalizou contrato com fornecedor do Ceará exigindo que o suco utilizado seja proveniente exclusivamente de caju cultivado na região. “A gente pesquisou muito, foi buscar a formulação ideal para esse produto, com uma fruta que obviamente vai cair no gosto, já é do gosto do nordestino”, diz César Fortes.
“Primeiro porque a gente tem o caju, uma fruta muito querida e privilegiada aqui para a região. Uma fruta 100% brasileira, 95% da produção do caju sai do Nordeste. Então isso realmente para a gente é motivo de orgulho”, acrescenta Cristiane Rosa, Head de Marketing do Grupo Petrópolis.
Segmento de drinques prontos
No Nordeste, o Grupo Petrópolis detém mais de 20% de market share no segmento de drinques prontos, segundo dados da área Nielsen, e empata na primeira posição no ranking nacional do segmento. No mercado regional de RTDs, a empresa ocupa a segunda posição na categoria e busca a liderança.
A meta estabelecida para a linha Crystal Ice como um todo é atingir 10% de market share no primeiro ano. A distribuição é nacional, sem restrição de canal — supermercados, lojas de conveniência, bares e mercearias —, com maior concentração de volume e investimento no Nordeste.
“É uma categoria movida por inovação, movida por sabores. O consumidor quer experimentar, diferente da cerveja que é um sabor mais único. A ideia é que a gente traga sempre novidades, sempre perto das datas sazonais”, afirma Cristiane Rosa. O consumidor do segmento tem entre 18 e 25 anos e busca experiências com sabores diferentes — fator central da estratégia de lançamentos do grupo. Novas inovações além do Crystal Ice Caju serão apresentadas na feira APAS, em São Paulo, em maio de 2026.
Fábrica de Itapissuma integra rede do caju
A unidade de Itapissuma (PE) tem área construída de mais de 103.000 m² e capacidade produtiva anual de 8,6 milhões de hectolitros. A planta opera com seis linhas de produção — duas de garrafa, duas de lata, uma de PET e uma de chope — e emprega entre 900 e 950 colaboradores diretos e indiretos. A linha de envase do Crystal Ice tem capacidade de 50.000 garrafas por hora, equivalente a 833 garrafas por minuto. Em marços, foram produzidos pouco mais de 700.000 pacotes do produto — cada pacote com 12 unidades de 275ml.
O processo produtivo inicia na xaroparia, onde o açúcar cristal — fornecido por usina pernambucana — é dissolvido e passa por três filtros: areia, resina e carvão ativado. O xarope resultante é combinado com o suco de caju, conservado em câmara fria a -12°C por exigência das características da fruta. Vodca e saqê são adicionados na etapa seguinte. As garrafas, novas e descartáveis, passam por lavagem, esterilização e inspeção antes do envase a 3°C. Após climatização, recebem rotulagem e são embaladas para venda.

Disputa no Nordeste nas cervejas sem glúten
O lançamento do Crystal Ice Caju ocorre em um mercado regional em acirramento. O Grupo Heineken iniciou neste ano a distribuição da Praya — cerveja sem glúten do segmento premium — nos estados nordestinos do Maranhão, Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Piauí, Ceará e Pernambuco, com projeção de crescimento de 57% para 2026. No portfólio do Grupo Petrópolis, a resposta no segmento cervejeiro inclui cerveja sem glúten, zero álcool, a linha premium Black Prince e cervejas draft. “Temos planos de expansão. Tem algumas novidades que não posso antecipar aqui, mas na APAS, em maio em São Paulo, a gente já traz algumas inovações além do Crystal Ice Caju”, afirma César Fortes.
O consumo de cerveja no Brasil recuou 5% em 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), enquanto o segmento de RTD cresceu 32,4% entre 2019 e 2024 — praticamente o dobro dos 16,8% registrados pelo mercado cervejeiro no mesmo período, conforme dados da Euromonitor. No Carnaval de 2026, a venda de RTDs em bares e festas cresceu 94% frente a 60% das cervejas, segundo dados da Zig.
O segmento de RTD cresceu 11% em volume em 2025 frente ao ano anterior, segundo dados da Nielsen, e responde por 8% do mercado brasileiro de bebidas e alimentos — setor que movimentou R$ 1,277 trilhão em 2024. O mercado brasileiro de RTDs produziu 178,4 milhões de litros em 2024 e deve atingir 228,6 milhões de litros em 2029, segundo a Euromonitor. O segmento ainda representa 1,8% do mercado alcoólico brasileiro, contra 10,7% na América do Norte, segundo dados da Diageo — indicador que o setor usa como referência de potencial de expansão.
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