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Atrio reforça aposta no Nordeste e prepara hotéis em Salvador e Fortaleza

Grupo amplia presença no Nordeste, mantém Maceió e Recife no radar e estreia em São Paulo com ativo ligado a investidores cearenses
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  1. Atrio anuncia dois hotéis de bandeira internacional em Salvador e Fortaleza para 2026.
  2. Cada empreendimento terá 140 quartos e investimento estimado em R$ 50 milhões.
  3. Grupo possui mais de 600 unidades hoteleiras no Ceará e Alagoas desde 2023.
  4. Maceió e Recife também estão no radar da Atrio para futuros negócios.
  5. Atrio opera oito propriedades no Nordeste com diferentes modelos de hotéis e resorts.
Salvador Nordeste hotel Atrio
Salvador entra na rota para expansão de investimentos a serem anunciados pela Atrio ainda em 2026, que incluem ainda Fortaleza. Foto: Divulgação

O Nordeste segue sendo uma das principais rotas de investimentos no setor hoteleiro. A Atrio Hotel Management prepara o anúncio de dois novos hotéis de bandeira internacional na região, em Salvador e Fortaleza. Eles se juntam às três unidades previstas do grupo para iniciar operação ainda este ano.

Os novos empreendimentos, segundo adiantou o diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Atrio em entrevista ao Movimento Econômico, João Cazeiro, têm previsão de 140 quartos e investimentos estimados em R$ 50 milhões cada.

As duas capitais aparecem como os anúncios mais próximos da estratégia de expansão regional da companhia, que desde 2023 vem ampliando sua presença no Nordeste. Somente no Ceará e Alagoas, a Atrio possui mais de 600 unidades hoteleiras (UHs), somando 300 apartamentos em cada estado. Cazeiro também disse que Maceió e Recife também permanecem no radar da Atrio para novos negócios, mas ainda sem contratos divulgados.

“Salvador e Fortaleza devem ter anúncios em breve. São hotéis relativamente grandes, com bandeira internacional e investimentos na casa de R$ 50 milhões cada. Eu gosto muito das capitais porque a gente tem um mercado com ocupação alta, porque mistura o corporativo e o lazer. Na baixa temporada do lazer, normalmente você tem alta temporada de eventos. É o mix ideal para o hotel viver ocupado”, afirmou ao Movimento Econômico João Cazeiro, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Atrio.

João Cazeiro, grupo Livá
Diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Atrio, João Cazeiro, fala de novos investimentos do grupo para o Nordeste. Foto: Assessoria

A empresa, que opera marcas como ibis, ibis Styles, Mercure, Novotel e Grand Mercure, soma oito propriedades abertas no Nordeste. A operação regional reúne diferentes modelos, entre hotéis patrimoniais, condohotéis, resorts e projetos associados a empreendimentos imobiliários.

Em entrevista ao Movimento Econômico em abril, durante a WTM Latin America 2026, em São Paulo, o CEO do grupo Atrio, Beto Caputo, disse que este ano a previsão é de iniciar a operação do Vilaruna Maragogi, empreendimento de multipropriedade em Maragogi (AL) desenvolvido pela Livá Hotéis & Resorts, braço de resorts e lazer do grupo; o Alma Aramis, primeiro branded residence do grupo, localizado na Península de Maraú (BA), com 22 casas de alto padrão em condomínio de luxo, em parceria com a incorporadora mineira F2; e o Riacho Doce, empreendimento de multipropriedade pé na areia próximo a Maceió.

Na estratégia da companhia, o Nordeste ganhou relevância por combinar destinos turísticos consolidados, expansão do mercado imobiliário e demanda corporativa nas capitais. Para Cazeiro, os projetos mais aderentes ao perfil da empresa são aqueles capazes de sustentar ocupação durante todo o ano.

“O hotel não consegue viver só de temporada. Ele precisa viver os 365 dias. E as capitais hoje no Nordeste têm essa condição para a hotelaria internacional, que é onde a gente sobrevive e onde olha mais”, afirmou.

Grand Mercure Pinheiros
Grand Mercure São Paulo Pinheiros entra em operação dia 1º de julho e marca estreia do grupo Atrio na capital paulista; hotel pertence à CVPar, de origem cearense. Foto: Assessoria

Grupo cearense leva investimento para São Paulo

A expansão da Atrio também alcança São Paulo. A companhia assume em 1º de julho a operação do Grand Mercure São Paulo Pinheiros, localizado na Avenida Rebouças, entre os eixos Paulista e Faria Lima.

O hotel pertence à CVPar, grupo de origem cearense que adquiriu o prédio em 2025 por R$ 110 milhões. Com 170 apartamentos distribuídos em dez andares, o empreendimento integra um complexo multiuso com área residencial, conveniência e opções gastronômicas.

Cazeiro explicou que a entrada da Atrio ocorrerá por meio de uma conversão da operação, com mudança de marca e requalificação do produto. Restaurante, bar e academia passarão por intervenções dentro do novo conceito do Grand Mercure.

“A gente não está só convertendo o hotel. Estamos mudando de marca e dando um upgrade no produto. Nesse caso de São Paulo, a maioria dos investidores desse fundo é de Fortaleza. Tem muita gente do Sul investindo no Nordeste, mas também existem investidores nordestinos olhando oportunidades fora da região”, disse Cazeiro.

ibis Style Maragogi
Ibis Style Maragogi possui um dos resultados mais expressivos da operação regional da Atrio e alcançou no primeiro ano de atividade a rentabilidade prevista para o prazo de três anos. Foto: Divulgação

Crédito e capital patrimonial impulsionam hotelaria no Nordeste

Com presença em 15 estados e mais de 50 cidades, a Atrio projeta ultrapassar 150 hotéis sob gestão até 2029. Além de novas implantações, o grupo também trabalha com conversões e avalia oportunidades de fusões e aquisições no mercado hoteleiro.

Parte da expansão da Atrio no Nordeste também tem sido sustentada por estruturas de crédito regional e investidores patrimoniais. Cazeiro citou como exemplos o Novotel Recife Marina, o ibis Styles Maragogi e o ibis Styles Giga Mall Fortaleza, empreendimentos financiados pelo Banco do Nordeste e desenvolvidos com participação de famílias, consórcios ou investidores únicos.

“Hoje, com a taxa de juros que temos, desenvolver um hotel é muito difícil. O hotel não rende o que o banco está rendendo sem fazer nada. No Nordeste, algumas linhas de fomento facilitam esse desenvolvimento”, afirmou.

O ambiente de crédito e incentivos ajuda a explicar a nova onda de investimentos no segmento. O Banco do Nordeste disponibilizou R$ 1,4 bilhão para financiar atividades do turismo em 2026, incluindo implantação, ampliação, reforma e modernização de meios de hospedagem. Já a Sudene registrou R$ 1,1 bilhão em investimentos e 64 pleitos aprovados no segmento de Turismo-Hotelaria em 2025, ante R$ 296,5 milhões no biênio 2023-2024.

Leia mais: De Maragogi a Maraú, NE responde por expansão hoteleira do grupo Atrio

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