
O Nordeste segue sendo uma das principais rotas de investimentos no setor hoteleiro. A Atrio Hotel Management prepara o anúncio de dois novos hotéis de bandeira internacional na região, em Salvador e Fortaleza. Eles se juntam às três unidades previstas do grupo para iniciar operação ainda este ano.
Os novos empreendimentos, segundo adiantou o diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Atrio em entrevista ao Movimento Econômico, João Cazeiro, têm previsão de 140 quartos e investimentos estimados em R$ 50 milhões cada.
As duas capitais aparecem como os anúncios mais próximos da estratégia de expansão regional da companhia, que desde 2023 vem ampliando sua presença no Nordeste. Somente no Ceará e Alagoas, a Atrio possui mais de 600 unidades hoteleiras (UHs), somando 300 apartamentos em cada estado. Cazeiro também disse que Maceió e Recife também permanecem no radar da Atrio para novos negócios, mas ainda sem contratos divulgados.
“Salvador e Fortaleza devem ter anúncios em breve. São hotéis relativamente grandes, com bandeira internacional e investimentos na casa de R$ 50 milhões cada. Eu gosto muito das capitais porque a gente tem um mercado com ocupação alta, porque mistura o corporativo e o lazer. Na baixa temporada do lazer, normalmente você tem alta temporada de eventos. É o mix ideal para o hotel viver ocupado”, afirmou ao Movimento Econômico João Cazeiro, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Atrio.

A empresa, que opera marcas como ibis, ibis Styles, Mercure, Novotel e Grand Mercure, soma oito propriedades abertas no Nordeste. A operação regional reúne diferentes modelos, entre hotéis patrimoniais, condohotéis, resorts e projetos associados a empreendimentos imobiliários.
Em entrevista ao Movimento Econômico em abril, durante a WTM Latin America 2026, em São Paulo, o CEO do grupo Atrio, Beto Caputo, disse que este ano a previsão é de iniciar a operação do Vilaruna Maragogi, empreendimento de multipropriedade em Maragogi (AL) desenvolvido pela Livá Hotéis & Resorts, braço de resorts e lazer do grupo; o Alma Aramis, primeiro branded residence do grupo, localizado na Península de Maraú (BA), com 22 casas de alto padrão em condomínio de luxo, em parceria com a incorporadora mineira F2; e o Riacho Doce, empreendimento de multipropriedade pé na areia próximo a Maceió.
Na estratégia da companhia, o Nordeste ganhou relevância por combinar destinos turísticos consolidados, expansão do mercado imobiliário e demanda corporativa nas capitais. Para Cazeiro, os projetos mais aderentes ao perfil da empresa são aqueles capazes de sustentar ocupação durante todo o ano.
“O hotel não consegue viver só de temporada. Ele precisa viver os 365 dias. E as capitais hoje no Nordeste têm essa condição para a hotelaria internacional, que é onde a gente sobrevive e onde olha mais”, afirmou.

Grupo cearense leva investimento para São Paulo
A expansão da Atrio também alcança São Paulo. A companhia assume em 1º de julho a operação do Grand Mercure São Paulo Pinheiros, localizado na Avenida Rebouças, entre os eixos Paulista e Faria Lima.
O hotel pertence à CVPar, grupo de origem cearense que adquiriu o prédio em 2025 por R$ 110 milhões. Com 170 apartamentos distribuídos em dez andares, o empreendimento integra um complexo multiuso com área residencial, conveniência e opções gastronômicas.
Cazeiro explicou que a entrada da Atrio ocorrerá por meio de uma conversão da operação, com mudança de marca e requalificação do produto. Restaurante, bar e academia passarão por intervenções dentro do novo conceito do Grand Mercure.
“A gente não está só convertendo o hotel. Estamos mudando de marca e dando um upgrade no produto. Nesse caso de São Paulo, a maioria dos investidores desse fundo é de Fortaleza. Tem muita gente do Sul investindo no Nordeste, mas também existem investidores nordestinos olhando oportunidades fora da região”, disse Cazeiro.

Crédito e capital patrimonial impulsionam hotelaria no Nordeste
Com presença em 15 estados e mais de 50 cidades, a Atrio projeta ultrapassar 150 hotéis sob gestão até 2029. Além de novas implantações, o grupo também trabalha com conversões e avalia oportunidades de fusões e aquisições no mercado hoteleiro.
Parte da expansão da Atrio no Nordeste também tem sido sustentada por estruturas de crédito regional e investidores patrimoniais. Cazeiro citou como exemplos o Novotel Recife Marina, o ibis Styles Maragogi e o ibis Styles Giga Mall Fortaleza, empreendimentos financiados pelo Banco do Nordeste e desenvolvidos com participação de famílias, consórcios ou investidores únicos.
“Hoje, com a taxa de juros que temos, desenvolver um hotel é muito difícil. O hotel não rende o que o banco está rendendo sem fazer nada. No Nordeste, algumas linhas de fomento facilitam esse desenvolvimento”, afirmou.
O ambiente de crédito e incentivos ajuda a explicar a nova onda de investimentos no segmento. O Banco do Nordeste disponibilizou R$ 1,4 bilhão para financiar atividades do turismo em 2026, incluindo implantação, ampliação, reforma e modernização de meios de hospedagem. Já a Sudene registrou R$ 1,1 bilhão em investimentos e 64 pleitos aprovados no segmento de Turismo-Hotelaria em 2025, ante R$ 296,5 milhões no biênio 2023-2024.
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