
Camarões cultivados no mesmo viveiro que tilápias atingiram peso médio de 25 a 30 gramas em cerca de 90 dias de cultivo, mais que o dobro da média comercial de 12 gramas, em propriedade rural de Carutapera, no litoral ocidental do Maranhão. A experiência tem consultoria técnica do Sebraetec, programa do Sebrae. No sistema consorciado, os crustáceos se alimentam dos resíduos orgânicos e das sobras de ração destinada aos peixes, o que reduz o custo de produção para cerca de R$ 1,50 por quilo, diante de um preço de comercialização a partir de R$ 45 por quilo.
A experiência é conduzida no povoado Livramento, na propriedade do produtor rural Jader Dias. Em uma área de 100 hectares dedicada a fruticultura, bovinocultura, apicultura e piscicultura, nove viveiros são utilizados para reprodução e engorda de animais. Um deles abriga o sistema consorciado de camarão marinho e tilápia.
As tilápias criadas no mesmo viveiro alcançaram peso médio entre 1,1 e 1,2 quilo, com expectativa de chegar a 1,5 quilo na próxima despesca. Segundo a consultora credenciada pelo Sebrae, Jéssica Adriane Soares, os resultados são atribuídos ao manejo correto e ao acompanhamento técnico contínuo.
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Complementaridade entre tilápia e camarão reduz custo de produção
Enquanto os peixes recebem toda a alimentação, os camarões aproveitam os resíduos orgânicos e as sobras de ração, contribuindo para a limpeza natural dos viveiros, melhorando a qualidade da água e reduzindo custos com manejo. O sistema também exige um rigoroso controle das condições da água, planejamento alimentar e acompanhamento permanente para garantir o desenvolvimento adequado das duas espécies.
O custo médio de produção da tilápia na propriedade gira em torno de R$ 4 por quilo. Como o camarão se alimenta dos resíduos do cultivo da tilápia, seu custo de produção cai para cerca de R$ 1,50 por quilo. Comercializado a partir de R$ 45 o quilo, o crustáceo amplia o retorno econômico da mesma área produtiva.
Consultoria técnica acompanhou todas as etapas
O acompanhamento do Sebraetec abrangeu desde a estruturação dos viveiros e a definição da salinidade ideal da água até o planejamento produtivo, o manejo alimentar e o monitoramento das condições de cultivo. Segundo o coordenador estadual do programa, Cícero Almeida, a expectativa é alcançar produção superior a 15 toneladas de camarão por ano na propriedade.
O produtor Jader Dias já havia investido na atividade antes da consultoria, sem obter os resultados esperados. “O sentimento é de alegria e felicidade por ver o resultado de um investimento que antes não tinha dado certo. Mas o negócio é insistir, persistir e buscar orientação”, afirmou.
Propriedade vira referência para outros produtores
O secretário municipal de Pesca e Aquicultura de Carutapera, José Luis Pantoja Alves, classificou a propriedade como vitrine para que outros produtores do município invistam no cultivo consorciado. Segundo o analista do Sebrae Hudson Gomes, a tecnologia pode ser replicada por produtores da região, que podem procurar a Secretaria Municipal ou a Sala do Empreendedor de seu município para solicitar atendimento.
Gomes destacou ainda o prazo de cerca de 90 dias para atingir o porte registrado nos camarões colhidos, resultado considerado expressivo tanto pela quantidade quanto pela qualidade do produto.
*Com informações da Agência Sebrae de Notícias
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