
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o restabelecimento da operação comercial das termelétricas Global I e II, localizadas em Candeias, na Bahia. A decisão permite que os contratos dessas usinas entrem em vigor em 1º de outubro de 2025, antecipando em nove meses o cronograma original.
A medida foi viabilizada após autorização do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que identificou a necessidade de reforço no atendimento ao sistema elétrico durante horários de maior demanda. As termelétricas, que utilizam óleo combustível como fonte energética, somam 272 megawatts (MW) de capacidade instalada e pertencem à Global Participações em Energia.
Medidas emergenciais garantem segurança energética
Os contratos originais, firmados no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2021, só entrariam em vigor em julho de 2026. A antecipação integra um conjunto de medidas emergenciais adotadas pelo governo e órgãos reguladores para garantir a segurança energética nacional, especialmente durante períodos de pico de consumo.
Em maio deste ano, o CMSE havia autorizado a antecipação de outras termelétricas vencedoras do LRCap 2021. A medida visa compensar o cancelamento do leilão que seria realizado em junho, que previa a contratação de usinas existentes com início de operação já em setembro.
Complemento essencial para fontes renováveis
Com a decisão, as termelétricas Global I e II poderão contribuir mais cedo para o equilíbrio do sistema elétrico brasileiro. As usinas ajudarão a reduzir riscos de déficit de energia em momentos de alta demanda e complementarão a geração de fontes renováveis, como eólica e solar, que apresentam maior variabilidade na produção.
Embora a expansão de energias renováveis seja prioridade nacional, o acionamento de usinas a óleo combustível ainda é considerado essencial em situações críticas, especialmente durante períodos de seca ou baixa produção hidrelétrica.
Flexibilidade regulatória em teste
Ao permitir a antecipação das termelétricas da Global Energia, a Aneel e o CMSE buscam não apenas reforçar o sistema em 2025, mas também testar a flexibilidade do modelo de contratação, ajustando a resposta do setor elétrico a mudanças inesperadas no consumo ou na oferta de energia.
Para os consumidores, a decisão representa maior segurança de fornecimento, especialmente em períodos de maior risco, como os meses de seca no Brasil, quando a geração hidrelétrica é mais limitada. Para o mercado, a medida sinaliza que o governo está disposto a utilizar todos os instrumentos regulatórios disponíveis para garantir a confiabilidade do sistema elétrico nacional.
Impactos no mercado de energia
A antecipação das termelétricas pode influenciar significativamente a dinâmica de preços no mercado de energia, já que é uma geração com custo operacional mais elevado. A entrada antecipada das usinas adiciona capacidade firme ao sistema, ajudando a evitar cenários de escassez que pressionam os custos energéticos e proporcionando maior estabilidade tarifária.
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