
O acordo do Mercado Comum do Sul (Mercosul) com os estados da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) pode abrir novos mercados para produtos brasileiros, que incluem as frutas do Vale do São Francisco, farelo de soja, carnes e etanol até manufaturados como a linha de eletrodomésticos branca, alimentos – como sucos industrializados, entre outros.
“Todo acordo é muito bem-vindo num momento em que uma parte do mundo está se fechando. Isso também cacifa o Brasil a fechar o acordo com a União Europeia, porque é um bloco próximo. Os parâmetros são muito parecidos”, comenta o gerente de Política Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Maurício Laranjeiras.
Ele estava se referindo ao tarifaço imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que estabeleceu uma taxa de 50% para a maioria dos produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos. No mês passado, ocorreu uma queda de 18% nas vendas que o Brasil fez aos EUA em decorrência da nova taxação.
Maurício acredita que além dos produtos citados acima também podem se beneficiar do acordo os sucos brasileiros e os açúcares. O EFTA é formado por quatro estados: Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. “A Noruega tem um fundo soberano que faz investimentos com outros países. Isso pode trazer investimentos em energias renováveis e também no setor naval”, comenta Maurício.

Os países que fazem parte do EFTA também trazem outra vantagem: têm poder aquisitivo alto. “O momento é muito oportuno. Os acordos de bloco vão ter um efeito maior no Mercosul. E o Brasil é o maior país deste bloco”, comenta o economista e professor da Centro Universitário Tiradentes de Pernambuco (Unit-PE), Paulo Alencar.
Ele argumenta que produtos agrícolas como café e carnes terão um aumento da cota – com tarifa reduzida – que pode ser exportada para os países do EFTA. O Brasil está tendo dificuldade e exportar os dois produtos para os EUA por causa da tarifa de 50%.
“Até os países poderão fazer licitações internacionais. Vão ocorrer mais integração e cooperação econômica com tarifas menores, maiores volumes de cotas e acesso aos produtos (dos dois países dos dois blocos) de forma mais rápida”, argumenta Paulo.
Essa cooperação também pode envolver, segundo Paulo, mais vendas do Brasil para os países do EFTA em energias renováveis, equipamentos, produtos agropecuários, como café, soja e açúcar, frutas do Vale do São Francisco, etanol, linha branca e alimentos industrializados.
Ainda na indústria, Paulo acrescenta que poderão ganhar mais espaço com o acordo a comercialização de produtos brasileiros, como químicos, máquinas, equipamentos, metalurgia e manufaturados de metal.
O Mercosul tem 11 países, incluindo o Brasil. E o EFTA é formado por quatro estados. Desde 2017, que os dois blocos tentavam fechar um acordo de livre comércio.
Pelo que foi divulgado, a EFTA vai eliminar 100% das tarifas de importação sobre produtos industriais e pesqueiros do Mercosul. Quase 99% das exportações brasileiras destinadas ao bloco terão livre acesso. Já o Brasil vai liberar, de imediato, 97% do comércio bilateral.
CNI diz que acordo é estratégico
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera um passo estratégico o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e (EFTA) e argumenta que, na avaliação da indústria, o acordo propiciará um incremento nas exportações do Brasil para os países que compõem o EFTA: Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
“Esse acordo traz novas oportunidades para aumentar os investimentos e a presença dos nossos produtos no comércio internacional, sobretudo porque oferece melhores condições de acesso a mercados relevantes e com grande poder de consumo. A conclusão do acordo vem, ainda, num momento muito importante para a indústria nacional, que enfrenta enormes perdas relacionadas ao tarifaço dos Estados Unidos”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
O bloco europeu reúne 14,3 milhões de habitantes e apresenta um PIB de US$ 1,4 trilhão. As relações econômicas entre Brasil e EFTA vêm se fortalecendo na última década. Um levantamento da própria CNI mostra que o Brasil dispõe de mais de 700 oportunidades de exportação ao bloco, que se consolidou como o terceiro maior parceiro do país no comércio de serviços.
O EFTA tornou-se o segundo maior destino das exportações brasileiras na Europa em 2024 ao ultrapassar o Reino Unido, ficando atrás da União Europeia. O valor exportado somou US$ 3,1 bilhões também no ano passado.
Leia também
Chamada Nordeste: com R$ 128,7 bi, propostas superam 13 vezes o valor previsto
Mel de mangue vira modelo de negócio sustentável em Pernambuco










