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Antes do tarifaço de Trump, portos do NE crescem em movimentação

Exportações do Nordeste somam R$ 8,7 bi até junho, mas tarifa de 50% imposta pelos EUA a partir de agosto ameaça o desempenho de portos e cadeias produtivas da região
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Portos do Nordeste exportação de frutas RN Rio Grande do Norte Porto de Natal Codern
Entre os portos do Nordeste, o de Natal teve movimentação maior por causa do incremento nas exportações de frutas. Foto: Codern/Divulgação

Os portos do Nordeste mantiveram trajetória de crescimento em 2025, com movimentação superior a 33,5 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a maio, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Os destaques foram os terminais de Itaqui (MA), Salvador (BA) e Natal (RN). Apesar do desempenho positivo, a partir de 1º de agosto entra em vigor a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, com potencial de impacto direto sobre as exportações do Nordeste para os EUA, especialmente em setores que concentram vendas naquele mercado.

No Maranhão, o Porto do Itaqui movimentou 13,1 milhões de toneladas, alta de 12,28% em relação ao mesmo período de 2024. O avanço foi puxado por fertilizantes (+35,69%), petróleo (+15,05%) e soja (+11,05%). Na Bahia, o Porto de Salvador registrou 2,9 milhões de toneladas, crescimento de 1,52%, com predominância da cabotagem (86,1%). Em Natal (RN), a movimentação foi de 397 mil toneladas, alta de 2,86%, impulsionada pelas exportações de frutas, que saltaram de 46,4 mil para 131,5 mil toneladas.

Exportações somam R$ 8,7 bilhões até junho

As exportações do Nordeste para os Estados Unidos totalizaram US$ 1,58 bilhão (R$ 8,7 bilhões) no primeiro semestre de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. O volume representa crescimento frente ao mesmo período de 2024, mas está sob ameaça com a entrada em vigor da nova tarifa.

Ceará, Bahia e Maranhão responderam por 84,1% do total exportado, com o Ceará na liderança (US$ 557 milhões), seguido pela Bahia (US$ 440 milhões) e Maranhão (US$ 335 milhões). Pernambuco aparece na quarta posição, com US$ 54 milhões. Os principais produtos exportados incluem aço semiacabado, frutas frescas, mel, suco de laranja e pescados.

Estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o impacto da tarifa pode resultar em perdas de até R$ 16 bilhões anuais para o Nordeste.

Movimentação dos portos do Nordeste Antaq janeiro a maio de 2025
Arte: MPor/Divulgação

Exportações sensíveis concentram risco bilionário no segundo semestre

A fruticultura do Vale do São Francisco, nos municípios de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), está prestes a iniciar sua janela exportadora de manga. A expectativa é embarcar cerca de 12 milhões de caixas, a US$ 6 cada, em aproximadamente 2 mil contêineres com destino aos Estados Unidos. Com a tarifa adicional, o prejuízo estimado pode chegar a R$ 2,2 bilhões. O polo responde por 40% da manga exportada ao mercado norte-americano e emprega diretamente cerca de 30 mil trabalhadores formais, com base em área cultivada de 30 mil hectares irrigados.

A situação é semelhante no setor de mel orgânico do Piauí, que já teve cancelamento de 585 toneladas destinadas aos EUA por parte do Grupo Sama, e 95 toneladas da cooperativa Casa Apis — posteriormente embarcadas após renegociação. A Fiepi estima que 12 mil pequenos produtores do Piauí, Ceará, Maranhão e Bahia foram atingidos. Em 2024, o Piauí liderou as exportações nacionais de mel para os EUA, com 85% do volume destinado ao país.

Em Sergipe, o setor de suco de laranja também acompanha com cautela os desdobramentos da medida. Com 32 mil toneladas exportadas em 2024, o estado teme perda de competitividade frente a concorrentes da América Central que operam com isenção tarifária.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas), Guilherme Coelho, alertou que o Brasil vive uma “crise comercial com potencial de escalar para consequências sociais”, e cobrou ação diplomática imediata do Itamaraty para preservar as exportações de frutas frescas para os EUA. A atual janela mexicana de exportação de manga já se encerra, e a safra brasileira, que a sucederia, enfrenta agora barreira tarifária sem precedentes.

Logística regional sustenta avanço até maio

Além dos três principais portos, outros terminais da região mantêm trajetória de crescimento. O Porto de Pecém (CE) movimentou 19,65 milhões de toneladas em 2024 e lançou, em fevereiro de 2025, rota direta para a China. Já Suape (PE) encerrou 2023 com movimentação de 24 milhões de toneladas, com ênfase em combustíveis, automóveis e contêineres.

A localização estratégica e a infraestrutura logística conferem ao Nordeste papel relevante no escoamento de produtos agrícolas e industriais. No entanto, a partir de agosto, a continuidade desse desempenho dependerá da evolução das exportações para os EUA, diante do novo cenário tarifário.

Leia mais: Trump pode amargar a rota histórica e milionária do açúcar do NE para os EUA

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