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Rota Energética: pesquisa prepara interior de AL para transição energética

Última matéria da série mostra como a transição energética avança pelo interior de Alagoas com apoio da pesquisa em uma nova economia de baixo carbono
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  1. IFAL Campus Piranhas pesquisa conversão de milho e plantas aquáticas em etanol segunda geração
  2. Pesquisa remove plantas invasoras do Rio São Francisco gerando solução ambiental e energética simultânea
  3. Processo biotecnológico completa ciclo de conversão em aproximadamente uma semana através de fermentação
  4. Etapas de patenteamento em andamento abrem caminho para transferência de tecnologia ao setor privado
  5. Interior alagoano capacita jovens com cursos técnicos pioneiros alinhados às demandas do mercado energético
Pesquisa Ifal Piranhas produz etanol de segunda geração
Pesquisa realizada no Campus Piranhas do Instituto Federal de Alagoas utiliza milho e plantas aquáticas do Rio São Francisco para desenvolver etanol de segunda geração. Foto: Arquivo pessoal

Depois da energia gerada no campo e da infraestrutura que abastece a indústria, a transição energética em Alagoas passa por outro eixo decisivo: a formação de mão de obra e a pesquisa aplicada no interior. Na última matéria da série Rota Energética, vamos mostrar pesquisas de vanguarda que transformam passivos ambientais crônicos em biocombustíveis e a abertura de cursos técnicos pioneiros focados nas demandas reais do mercado privado capacita jovens para atuar com alta tecnologia fora da capital.

No Sertão alagoano, o Laboratório do Instituto Federal de Alagoas (IFAL ) Campus Piranhas desenvolve uma pesquisa que ataca duas frentes simultâneas: a busca por matrizes limpas e a despoluição do Rio São Francisco. Sob a coordenação do professor Willyan Costa, os estudantes pesquisam a viabilidade de converter o bagaço do milho e plantas aquáticas invasoras, como o aguapé e a alface-d’água, em etanol de segunda geração (2G).

Willyan explicou que as espécies de plantas aquáticas se proliferam de forma desordenada nos Cânions do São Francisco, criando barreiras físicas que sufocam o tráfego de embarcações turísticas, prejudicam a pesca local e comprometem o ecossistema subaquático ao bloquear a luz e o oxigênio. Até então, o material retirado não possuía nenhum destino nobre.

aguapé e plantas invasoras no Rio São Francisco
Plantas invasoras tem se tornado um problema para a navegabilidade no Rio São Francisco e abastecimento de comunidades ribeirinhas. Foto: CBHSF

“Realizamos etapas chamadas de pré-tratamento, onde agentes químicos atuam sobre a estrutura da biomassa e liberam os açúcares presentes em sua composição. Em seguida, esses açúcares liberados são quantificados e fermentados por microrganismos (leveduras), que convertem esse açúcar em etanol“, explica o professor Willyan Costa ao Movimento Econômico.

Já nas pesquisas para produção de etanol de segunda geração a partir do milho, o grupo recebe o apoio indireto de profissionais do setor agroindustrial que cedem pequenas amostras, entre 10 kg e 30 kg, para os testes laboratoriais.

De acordo com Costa, após a otimização dos processos químicos, todo o ciclo de conversão biotecnológica leva em torno de uma semana para atingir o etanol pronto. “É um período ótimo para processos biotecnológicos que dependem da ação de células vivas (leveduras)”, completou.

O avanço técnico é tão expressivo que várias etapas do modelo desenvolvido durante as pesquisas já estão em processo de patenteamento, abrindo caminho para uma futura transferência de tecnologia para o setor privado.

IFAL Piranhas Etanol segunda geração
Pesquisa realizada no Campus Piranhas do Instituto Federal de Alagoas utiliza milho e plantas aquáticas do Rio São Francisco para desenvolver etanol de segunda geração. Foto: Arquivo Pessoal

Novo curso do IFAL foca no biogás do Agreste

Se o Sertão desenvolve a tecnologia, o Agreste prepara a mão de obra para operar a nova realidade do mercado. De olho na expansão de projetos estruturantes, o IFAL vai ofertar o curso pioneiro de Auxiliar de Operação de Biodigestores. Vinculada à Pró-Reitoria de Extensão, a formação Inicial e Continuada (FIC) terá 160 horas e será viabilizada por meio do Pronatec e do programa EnergIFE, do Ministério da Educação.

No caso da região da Bacia Leiteira, as aulas ocorrerão no município de Girau do Ponciano, onde será implementado o novo campus da instituição.

O professor Elias Gallina, coordenador da iniciativa, detalha que o foco do curso é formar profissionais capazes de monitorar e dar manutenção a sistemas de biodigestão, desde o manejo dos substratos até a destinação do biogás e do biometano. O movimento acompanha uma recente reformulação sofrida também pelo curso técnico integrado em Biotecnologia do campus de Batalha, redesenhado para aproximar os estudantes das indústrias sucroenergética e láctea.

“Identificou-se a necessidade de expandir a formação para outras fontes renováveis além da [energia] solar, como o biogás. Há um grande potencial de produção em Alagoas, especialmente pela forte presença do setor sucroenergético, que gera grandes volumes de resíduos e efluentes como a vinhaça”, aponta Gallina.

O professor cita como exemplo prático de mercado a recente parceria firmada entre a Cooperativa Pindorama e a multinacional Veolia para a construção de uma planta industrial voltada a esse fim.

Curso no IFAL de Girau do Ponciano vai ensinar técnicas para manusear biodigestores
Atento às demandas de cidades do interior alagoano, IFAL vai ofertar em Girau do Ponciano curso de auxiliar de operações de biodigestores. Foto: Divulgação

Pesquisas destacam potencial do campo

A aposta do IFAL na formação de operadores de biodigestores antecipa uma demanda que deve explodir nos próximos anos no campo alagoano. De um lado, o crescimento da atividade leiteira abre espaço para que pequenas propriedades e cooperativas adotem biodigestores particulares, tratando os dejetos animais para gerar energia própria e produzir biofertilizantes para as pastagens.

De outro, Alagoas se destaca no cenário regional por já possuir um arcabouço legal moderno e estruturado, em total consonância com as agências federais, regulamentando a produção, a venda e, principalmente, a injeção do biometano diretamente na rede estadual de distribuição de gás natural canalizado operada pela Algás.

“Esse conjunto de fatores indica que a demanda por profissionais capacitados para operar e monitorar biodigestores tende a crescer fortemente nos próximos anos, acompanhando a expansão dos projetos sustentáveis”, conclui Elias Gallina.  

Leia as outras matérias da série: Rota Energética: tecnologia descarboniza o agro em usinas de Alagoas

Rota Energética: indústria de Alagoas avança com gás, vapor verde e resíduos

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