
A cultura do café em Alagoas tem ganhado amplitude e deve colher sua primeira safra entre os meses de maio e junho. Cerca de 12 famílias que vivem em três assentamentos em União dos Palmares já plantaram cerca de 14 mil pés de café do tipo arábica e pretendem ampliar a plantação nos próximos meses.
A altitude nas terras onde estão os cafeeiros é apontado como um diferencial para a qualidade das plantas e da colheita, que se aproxima. Um dos principais produtores é o casal André e Manoela Souza. Eles trocaram a vida em Maceió para viver no assentamento, onde possuem sete mil cafeeiros, distribuídos em 1,5 hectares. A meta é ampliar a área plantada para cinco hectares.
O café plantado em seu lote teve como técnica utilizada a de terraceamento, com a plantação em degraus, que se ajusta à declividade do terreno, facilita o trabalho do agricultor e diminui a erosão do solo. O lote da família está situado numa localidade com 400 metros de altitude e tem estimativa de colher a primeira safra entre os meses de maio e junho deste ano.
“As características climáticas do assentamento propiciam as condições de cultivo do café em relação à altitude, clima e solo, favorecendo também que outros assentados invistam nessa produção”, avalia o superintendente do Incra Alagoas, Júnior Rodrigues

Viveiros de mudas de café
André e a esposa também instalaram viveiros de mudas de café para ampliar o cultivo em municípios vizinhos. Segundo André Souza, o lote possui 40 mil mudas que já foram negociadas com outros assentados e agricultores familiares de União dos Palmares, Flexeiras, Santana do Mundaú, Murici e Jundiá.
“Meu sonho sempre foi mexer com café. Além de estar fazendo o que eu gosto, com o café eu vejo o futuro e a esperança de ter algo melhor para mim, meus vizinhos e toda a região. Isso não tem preço”, disse.
Ele e a esposa também tem incentivado outros agricultores que moram no mesmo assentamento a investirem na cultura. Doze famílias que vivem no assentamento Chico Mendes, Santa Maria II e Limão, também em União dos Palmares, já estão plantados mais 14 mil pés de café.
Enquanto a colheita de sua primeira safra não acontece, André conta que tem se preparado para estruturar a atividade, de modo que consiga beneficiar os grãos colhidos do seu lote e dos vizinhos. Futuramente, o plano é montar uma cooperativa.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), informou que realizou a entrega do Contrato de Concessão de Uso (CCU) e a inscrição do assentamento Chico Mendes/Bebidas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). André também foi inscrito no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), que permite acessar linhas de crédito da autarquia e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
Além do incentivo ao cultivo do grão, André Souza conta que iniciou a construção de um galpão para abrigar uma agroindústria. Ele também adquiriu um secador de grãos e uma máquina para descascar o café. “As próximas aquisições serão máquinas para torrar e moer. A meta é produzir o pó do café e criar uma marca própria”, contou.
Alagoas avança no desenvolvimento de cadeia produtiva do café
A experiência dos agricultores do assentamento em União dos Palmares tem sido acompanhada pelo Sebrae e pelo Sistema Faeal/Senar Alagoas e a Embrapa Alimentos e Territórios.
Segundo a superintendente adjunta do Senar, Luana Torres, a Embrapa Alimentos e Territórios já visitou o município de União dos Palmares para conhecer a produção local e agora vai somar esforços para desenvolver estudos de viabilidade técnica visando a estruturação de uma futura cadeia produtiva do café em Alagoas.

“O Sistema Faeal/Senar está sempre atento às sinalizações do mercado agropecuário. Foi assim que incluímos novas cadeias em nosso portfólio, como a cultura do eucalipto, a equideocultura e, mais recentemente, a maricultura. O café já está sendo cultivado em outros estados nordestinos e, aqui em Alagoas, temos a região serrana com clima propício para essa produção”, avaliou Luana Torres.
O Senar também vai promover estudos específicos nos municípios de Mar Vermelho, Viçosa, Quebrangulo e Pindoba para analisar quais variedades de café se adaptam à região e podem ser cultivadas em escala.
Já no Litoral Sul de Alagoas, a Cooperativa Pindorama também possui um projeto para plantar de forma experimental café do tipo conilon em cerca de 10 hectares nas terras da cooperativa, entre os municípios de Coruripe e Penedo.
Segundo o presidente da cooperativa, Klécio Santos, estudos apontaram que o clima e tipo de solo na região são propícios para o cultivo da linhagem conilon.
O projeto da Pindorama deve servir como uma das primeiras referências práticas do cultivo do café em Alagoas, especialmente em regiões de clima quente como o Litoral Sul.
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