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Petrobras demite diretor após leilão de gás com ágio de 100%

​Decisão do Conselho ocorre após o presidente Lula classificar venda de GLP como "cretinice" e sugerir anulação do certame
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Petrobras
O movimento da estatal atende à insatisfação do Palácio do Planalto. Dois dias após o certame, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra a operação, alegando que a venda feriu as diretrizes do governo. Foto: arquivo/Agência Brasil

A Petrobras oficializou a destituição de Claudio Romeo Schlosser do cargo de diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados. A queda do executivo acontece em meio a uma crise interna deflagrada pelo leilão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha, realizado no último dia 31 de março, onde o combustível foi vendido para distribuidoras por mais que o dobro do preço de tabela.

​O movimento da estatal atende diretamente à insatisfação do Palácio do Planalto. Dois dias após o certame, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra a operação, alegando que a venda feriu as diretrizes do governo.

Segundo o presidente, as pessoas sabiam da orientação de não aumentar o valor do insumo e, mesmo assim, fizeram o leilão contra a vontade da direção. “Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras”, declarou Lula, classificando o episódio como “cretinice, bandidagem”.

Fiscalização da ANP e o impacto da guerra

No mesmo dia das críticas presidenciais, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) iniciou uma fiscalização nas refinarias da companhia para investigar suspeitas de práticas de preços abusivos. O leilão ocorreu sob pressão do mercado internacional, onde o preço do barril escalou devido aos conflitos no Irã.

A instabilidade gerou temores de escassez, levando a diretoria de Schlosser a realizar o certame com lances elevados em um momento em que o governo Federal estudava justamente o oposto: subsídios para baratear o gás.

​A área comandada por Schlosser desde março de 2023 é estratégica, pois define para quem e por quais valores a Petrobras comercializa sua produção. Com a saída do engenheiro, que atuava na empresa desde 1987, a diretora de Transição Energética e Sustentabilidade, Angélica Laureano, assume o posto de Logística e Comercialização. As funções anteriores de Angélica serão acumuladas temporariamente por William França.

Mudanças no Conselho e indicação da Fazenda

Além da troca na diretoria, o Conselho de Administração da Petrobras elegeu Marcelo Weick Pogliese como presidente interino do colegiado. Ele substitui Bruno Moretti, que deixou o posto para assumir o Ministério do Planejamento no lugar de Simone Tebet. O conselho é o órgão máximo de orientação estratégica da petroleira e conta com a participação da presidente da estatal, Magda Chambriard.

​Como acionista controlador, o Governo Federal já indicou Guilherme Santos Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, para assumir a presidência definitiva do conselho. Mello é doutor em ciência econômica pela Unicamp e já preside o conselho do BNDES.

A indicação agora passará pelos trâmites internos de integridade e gestão da Petrobras, devendo ser submetida à assembleia-geral de acionistas nos próximos dez dias.

A dinâmica do leilão sob suspeita

O leilão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), realizado pela Petrobras em março, foi marcado por uma oferta que ignorou as diretrizes de moderação de preços defendidas pelo governo federal. Durante o certame, o combustível foi arrematado por distribuidoras com um ágio superior a 100%, o que na prática significou que o valor final pago superou o dobro do preço de referência praticado na tabela da estatal.

A manobra ocorreu em um cenário de tensão internacional no mercado de petróleo, provocada pela guerra no Irã, que gerava temores imediatos de desabastecimento. A operação foi conduzida pela diretoria de Logística, Comercialização e Mercados, sob a responsabilidade direta de Claudio Schlosser, sem o aval político que a companhia buscava manter para proteger o consumidor final.

Ao serem confrontados com o ágio elevado, os executivos deram seguimento ao processo de venda, mesmo diante de um ambiente econômico no qual a própria gestão da empresa e o Governo Federal buscavam formas de subsidiários e desonerações para suavizar os efeitos da alta dos derivados.

Essa desarticulação entre a estratégia comercial da diretoria e a orientação política do Palácio do Planalto resultou na rápida abertura de fiscalização pela Agência Nacional do Petróleo.

Com informações da Agência Brasil.

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