
A percepção das empresas brasileiras sobre o cenário econômico mostra sinais de acomodação da inflação e leve melhora nas condições financeiras, segundo dados da Pesquisa Firmus divulgada pelo Banco Central do Brasil para o primeiro trimestre de 2026.
De acordo com o levantamento, houve mudança relevante na política de preços das empresas. A maior parte passou a projetar reajustes em linha ou abaixo da inflação esperada, enquanto recuou o grupo que indicava aumentos superiores ao índice oficial. Esse movimento ocorre em um ambiente de revisão das expectativas inflacionárias, com o IPCA projetado para 2026 caindo de 4,2% para 4,0%, segundo o próprio Banco Central.

No campo da rentabilidade, os dados indicam que as empresas seguem em processo de recomposição de margens. A expectativa é de melhora ao longo dos próximos 12 meses, mas o nível atual ainda permanece abaixo do observado no segundo semestre de 2024, período em que as condições financeiras eram mais favoráveis. A leitura predominante captada pela pesquisa é de uma recuperação classificada como moderada, sem retorno completo ao patamar anterior.
Já as condições de financiamento mostram trajetória ligeiramente mais positiva. A oferta de crédito registrou expansão pelo terceiro trimestre consecutivo, indicando continuidade na melhora iniciada em 2025. Apesar disso, a difusão do avanço ainda é limitada: a maior parte das empresas ouvidas afirma não ter percebido mudanças relevantes no acesso ou custo do crédito, sugerindo que o movimento permanece concentrado ou ocorre de forma desigual entre setores.

A combinação desses indicadores reforça uma leitura de transição na economia. De um lado, há evidências concretas de alívio inflacionário, com queda na intenção de reajustes acima do IPCA e projeção inflacionária reduzida para 4,0%. De outro, a atividade empresarial ainda convive com limitações, refletidas em margens abaixo do nível de 2024 e em um ambiente de crédito que, embora em expansão por três trimestres consecutivos, ainda não é amplamente percebido pelas empresas.

Na avaliação do Banco Central, o recuo na pressão de preços por parte das empresas tende a contribuir para a convergência da inflação à meta ao longo de 2026. Ao mesmo tempo, a melhora gradual — ainda que incompleta — das margens e do crédito indica que a recuperação da atividade segue em ritmo moderado, sem sinais de aceleração mais intensa no curto prazo.

O diagnóstico reforça o cenário de política monetária mais sensível aos dados correntes, especialmente aqueles ligados à dinâmica de preços. A continuidade da redução nos reajustes empresariais e a ancoragem das expectativas de inflação em torno de 4,0% devem permanecer no centro das atenções nas próximas decisões.
A edição referente ao primeiro trimestre de 2026 foi realizada entre 9 e 27 de fevereiro.
Nesta rodada, foram obtidas 309 respostas completas, 69 a mais do que na edição anterior. O questionário contemplou as 13 perguntas recorrentes da pesquisa.
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