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Empresas mudam comportamento sobre preços, diz pesquisa do Banco Central

Os dados da Pesquisa Firmus, divulgada pelo Banco Central, mostra que empresas estão segurando aumentos
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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fabricante peruana de bebidas Indústria São Miguel (ISM)
Responderam à pesquisa 309 empresas Foto: Manu Dias/GOVBA

A percepção das empresas brasileiras sobre o cenário econômico mostra sinais de acomodação da inflação e leve melhora nas condições financeiras, segundo dados da Pesquisa Firmus divulgada pelo Banco Central do Brasil para o primeiro trimestre de 2026.

De acordo com o levantamento, houve mudança relevante na política de preços das empresas. A maior parte passou a projetar reajustes em linha ou abaixo da inflação esperada, enquanto recuou o grupo que indicava aumentos superiores ao índice oficial. Esse movimento ocorre em um ambiente de revisão das expectativas inflacionárias, com o IPCA projetado para 2026 caindo de 4,2% para 4,0%, segundo o próprio Banco Central.

No campo da rentabilidade, os dados indicam que as empresas seguem em processo de recomposição de margens. A expectativa é de melhora ao longo dos próximos 12 meses, mas o nível atual ainda permanece abaixo do observado no segundo semestre de 2024, período em que as condições financeiras eram mais favoráveis. A leitura predominante captada pela pesquisa é de uma recuperação classificada como moderada, sem retorno completo ao patamar anterior.

Já as condições de financiamento mostram trajetória ligeiramente mais positiva. A oferta de crédito registrou expansão pelo terceiro trimestre consecutivo, indicando continuidade na melhora iniciada em 2025. Apesar disso, a difusão do avanço ainda é limitada: a maior parte das empresas ouvidas afirma não ter percebido mudanças relevantes no acesso ou custo do crédito, sugerindo que o movimento permanece concentrado ou ocorre de forma desigual entre setores.

A combinação desses indicadores reforça uma leitura de transição na economia. De um lado, há evidências concretas de alívio inflacionário, com queda na intenção de reajustes acima do IPCA e projeção inflacionária reduzida para 4,0%. De outro, a atividade empresarial ainda convive com limitações, refletidas em margens abaixo do nível de 2024 e em um ambiente de crédito que, embora em expansão por três trimestres consecutivos, ainda não é amplamente percebido pelas empresas.

Na avaliação do Banco Central, o recuo na pressão de preços por parte das empresas tende a contribuir para a convergência da inflação à meta ao longo de 2026. Ao mesmo tempo, a melhora gradual — ainda que incompleta — das margens e do crédito indica que a recuperação da atividade segue em ritmo moderado, sem sinais de aceleração mais intensa no curto prazo.

O diagnóstico reforça o cenário de política monetária mais sensível aos dados correntes, especialmente aqueles ligados à dinâmica de preços. A continuidade da redução nos reajustes empresariais e a ancoragem das expectativas de inflação em torno de 4,0% devem permanecer no centro das atenções nas próximas decisões.

A edição referente ao primeiro trimestre de 2026 foi realizada entre 9 e 27 de fevereiro.
Nesta rodada, foram obtidas 309 respostas completas, 69 a mais do que na edição anterior. O questionário contemplou as 13 perguntas recorrentes da pesquisa.

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