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Emplacamentos somam 1,25 milhão no 1º tri na carona de motos e elétricos

Com 1.254.696 emplacamentos, mercado automotivo e de motos avança 16,09% sobre igual período de 2025 e projeta 5,26 milhões de registros para o ano inteiro, segundo a Fenabrave
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Linha de montagem de motos da Royal Enfiel na fábrica da Zona Franca de Manaus. Foto: Royal Enfield/Divulgação
Linha de montagem de motos da Royal Enfiel na fábrica da Zona Franca de Manaus. Segmento já vendeu mais de meio milhão de veículos em 2026. Foto: Royal Enfield/Divulgação

O mercado brasileiro de veículos encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 1.254.696 emplacamentos, resultado 16,09% superior ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 1.080.807 unidades, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (7) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O acumulado é o terceiro melhor da série histórica da entidade, atrás apenas dos anos de 2011 e 2012.

O desempenho foi puxado por março, que registrou 513.099 veículos emplacados — crescimento de 36,86% sobre fevereiro e de 35,26% em relação a março de 2025. O mês é o segundo melhor março da série histórica da Fenabrave. A comparação foi favorecida pelo calendário: março de 2026 somou 22 dias úteis, ante 18 em fevereiro e 19 em março do ano anterior. Para a federação, o resultado reflete também melhora efetiva do ambiente de consumo.

“O mês de março confirmou um mercado mais dinâmico, com desempenho disseminado entre os principais segmentos e um primeiro trimestre que já se posiciona entre os melhores da série histórica. O calendário ajudou, mas os dados mostram também uma reação consistente da demanda”, afirmou Arcelio Junior, presidente da Fenabrave.

Automóveis e comerciais leves somam 597 mil unidades no trimestre

O segmento de automóveis registrou 206.375 emplacamentos em março, alta de 46,85% sobre fevereiro e de 45,82% frente a março de 2025. No acumulado do trimestre, foram 472.028 unidades, crescimento de 18,11% sobre o mesmo período do ano anterior. Os comerciais leves somaram 51.848 unidades em março, expansão de 43,05% sobre fevereiro e de 21,68% sobre março de 2025, com acumulado trimestral de 125.437 unidades, alta de 6,12%. Juntos, os dois segmentos totalizaram 258.223 unidades em março e 597.465 no trimestre, variação de 40,23% sobre março de 2025 e de 15,38% no acumulado anual.

O Programa Carro Sustentável respondeu por mais de 27% das vendas do segmento no trimestre. Desde a implementação do programa, em 11 de julho de 2025, até 31 de março de 2026, os modelos incluídos acumulam 372.340 unidades emplacadas, crescimento de 30,3% sobre as 285.821 registradas no período equivalente do ciclo anterior. Segundo Arcelio Junior, há ainda uma combinação de renovação de portfólio, maior diversidade de oferta e ambiente comercial ativo, com concorrência entre marcas trazendo promoções.

Nos veículos eletrificados, os híbridos avançaram 33,67% sobre fevereiro e 98,13% sobre março de 2025, com crescimento acumulado de 71,51% no trimestre em relação ao mesmo período de 2025. Os elétricos puros registraram alta de 62,22% sobre fevereiro e de 192,83% sobre março de 2025, com expansão acumulada de 138,20% no trimestre. “Os elétricos seguem avançando e já ocupam um espaço importante dentro da estratégia de eletrificação da mobilidade nacional, embora ainda em volumes menores se comparados a outras tecnologias”, avaliou Arcelio Junior.

emplacamento de veículos no Brasil em 2026
Arte: IA/ME

Caminhões e ônibus recuam no acumulado do ano

Caminhões emplacaram 8.766 unidades em março, avanço de 32,60% sobre fevereiro, mas queda de 3,66% frente a março de 2025. No acumulado trimestral, o segmento registrou 21.750 unidades, retração de 19,28% sobre o mesmo período do ano anterior. Para o presidente da Fenabrave, a melhora em março foi impulsionada pelo crédito do Programa Move Brasil, mas o trimestre ainda reflete ambiente de maior seletividade para investimento e renovação de frota. “É um mercado que depende diretamente de confiança e previsibilidade econômica”, afirmou.

No Programa Move Brasil, as contratações estão próximas do limite total liberado pelo governo federal de R$ 10 bilhões, com parte dos recursos da categoria direcionada a autônomos ainda sem reflexo integral nos emplacamentos. Em março, a subcategoria de caminhões pesados (CA-Pesado) somou 4.137 unidades, alta de 49,03% sobre fevereiro, a maior variação mensal entre as subcategorias. Caminhões semipesados registraram 2.744 unidades, alta de 17,82%, e caminhões médios somaram 1.152, crescimento de 31,36%.

Ônibus registraram 2.474 unidades em março, alta de 42,02% sobre fevereiro, mas recuo de 10,99% frente a março de 2025, com acumulado trimestral de 5.899 unidades, queda de 13,19%. A ausência do Programa Caminho da Escola em 2026 é apontada pela Fenabrave como fator de pressão sobre o segmento.

Motos avançam 20,61% no trimestre e elétricas crescem 16,19%

As motocicletas somaram 221.573 unidades em março, expansão de 29,19% sobre fevereiro e de 33,47% frente a março de 2025. No acumulado trimestral, o segmento registrou 571.610 unidades, crescimento de 20,61% sobre os 473.918 do mesmo período de 2025. Dentro do segmento, as motocicletas eletrificadas avançaram 99,18% sobre fevereiro e 49,26% sobre março de 2025, com crescimento acumulado de 16,19% no trimestre.

“As motocicletas elétricas ainda ocupam uma base pequena dentro do mercado total, mas vêm mostrando evolução e já formam um nicho com características próprias, especialmente ligadas à mobilidade urbana e ao uso profissional para curtas distâncias”, avaliou Arcelio Junior.

Implementos rodoviários totalizaram 6.392 unidades em março, alta de 27,64% sobre fevereiro e de 6,07% sobre março de 2025, mas com retração acumulada de 14,54% no trimestre. Para a Fenabrave, o segmento acompanha a lógica dos investimentos dos transportadores, ainda impactados por maior cautela nas decisões empresariais.

Fenabrave projeta 5,26 milhões de emplacamentos em 2026

A Fenabrave estima crescimento de 6,10% no total de emplacamentos em 2026, com volume projetado de 5.259.803 unidades frente às 4.957.517 registradas em 2025. Automóveis e comerciais leves devem avançar 3,00%, de 2.549.462 para 2.625.912 unidades. Caminhões têm projeção de 114.752 unidades, alta de 3,50%, e ônibus de 29.709, crescimento de 3,00%. O subtotal desses três segmentos passa de 2.689.179 para 2.770.373 unidades, variação de 3,02%. Motocicletas projetam a maior expansão: 10,00%, com 2.416.980 unidades estimadas frente às 2.197.308 de 2025. Implementos rodoviários devem crescer 2,00%, de 71.030 para 72.450 unidades.

O desempenho do primeiro trimestre posiciona automóveis, comerciais leves e motocicletas acima do ritmo necessário para atingir as metas anuais projetadas, enquanto caminhões, ônibus e implementos rodoviários ainda operam abaixo das médias exigidas para fechar o ano nos volumes estimados.

*Com informações da Fenabrave e da Agência Brasil

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