
Alagoas consolida uma nova expansão hoteleira, puxada nos últimos anos por projetos que tiveram incentivos fiscais. Somente em 2025, o estado concentrou R$ 428 milhões via Sudene, o que corresponde a 38% do total nacional. Já os incentivos estaduais passam de R$ 600 milhões. Redes como Amarante e GV4 Empreendimentos aparecem com destaque, que vão impulsionar o crescimento da rede hoteleira principalmente em Maceió e no Litoral Norte alagoano.
A corrida por incentivos fiscais regionais se intensificou muito por conta do fim antecipado do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos e Turismo (PERSE), em abril de 2025. Isso recolocou os incentivos fiscais regionais e estaduais no centro da estratégia de expansão de hotéis e resorts no Nordeste.
Esse cenário de retomada dos incentivos regionais impulsiona 22 novos empreendimentos em construção no estado, com 12 hotéis previstos para serem entregues até o final de 2026.
O PERSE foi extinto após a Receita Federal constatar que o limite de renúncia fiscal de R$ 15 bilhões estabelecido pela Lei nº 14.859/2024 havia sido atingido. Ele havia sido instituído pela Lei nº 14.148/2021 com vigência de 60 meses para mitigar perdas causadas pela pandemia de Covid-19 no setor de turismo e eventos.
O segmento de Turismo-Hotelaria registrou R$ 1,1 bilhão em investimentos e 64 pleitos aprovados ao longo de 2025, ante apenas R$ 296,5 milhões no biênio 2023-2024, segundo o Relatório de Avaliação de Incentivos e Benefícios Fiscais e Financeiros da Coordenação-Geral de Incentivos e Benefícios Fiscais e Financeiros (CGIF) da Sudene.
A variação corresponde a um crescimento de 279% no volume de investimentos declarados em um único exercício em relação aos dois anos anteriores somados. O relatório atribui diretamente o movimento ao fim do PERSE, que durante sua vigência reduzia a zero as alíquotas de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins sobre receitas de atividades específicas do setor, tornando o incentivo da Sudene menos atrativo para empresas já beneficiadas pelo programa federal.
Com o retorno integral da tributação, o benefício de redução de 75% do IRPJ administrado pela autarquia voltou a representar vantagem competitiva relevante para empreendimentos hoteleiros localizados na área de atuação da Sudene.

Incentivos ampliam rede hoteleira em Alagoas
No recorte por estado, Alagoas ficou na dianteira dos investimentos hoteleiros incentivados pela Sudene no ano passado. Foram R$ 428 milhões em projetos aprovados, com 11 pleitos, o equivalente a 38% do total nacional do segmento. O desempenho colocou o estado à frente de Pernambuco, com R$ 275,2 milhões e 11 pleitos e 1.974 empregos informados, a Bahia, com R$ 202,8 milhões e 9 pleitos, e o Ceará, com R$ 122,9 milhões e 15 pleitos.
A liderança de Alagoas na concessão de incentivos a empreendimentos dialoga diretamente com a expansão hoteleira que o estado vive nos últimos anos. Dados da Secretaria de Estado do Turismo (Setur) apontam que 12 hotéis devem ser entregues no estado até o final de 2026. A pasta contabiliza 22 hotéis em construção que possuem entregas previstas para os próximos anos.

Um levantamento obtido pelo Movimento Econômico com dados da Sudene e da Secretaria do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços de Alagoas (Sedics) mostra que entre 2023 e 2025 o estado ampliou o número de empreendimentos hoteleiros que tiveram incentivos concedidos.
Segundo os dados da Sudene, somente em 2025 foram R$ 428 milhões concedidos em incentivos para 11 pleitos. Já em 2023 foram atendidos 04 pedidos, que totalizaram R$ 163,4 milhões.
O mesmo movimento foi observado na concessão de incentivos pelo Governo de Alagoas no mesmo período. Os incentivos passaram de R$ 183,1 milhões em 2023 para R$ 339,6 milhões em 2024, alcançando R$ 601,7 milhões em 2025.

Maceió e Litoral Norte lideram novos hotéis no estado
Os dados da Sudene e da Sedics apontam que Maceió e cidades do Litoral Norte capitaneiam os investimentos para novos hotéis, com destaque para resorts e empreendimentos que focam no alto padrão das acomodações.
Os incentivos dialogam diretamente com a expansão de infraestrutura que a região norte de Alagoas vem experimentando no período pós-pandemia, que deve se alongar pelos próximos anos. O novo aeroporto Costa dos Corais, que tem previsão de ser inaugurado este ano, em Maragogi, além de obras de duplicação das rodovias que cortam a região fortalecem o movimento hoteleiro no Litoral Norte alagoano.
Os maiores volumes de incentivos concedidos pelo Governo estadual entre 2022 e 2025 estão em empreendimentos localizados em Maceió, com R$ 504,1 milhões, e Maragogi, com R$ 309,9 milhões. Porto de Pedras aparece em seguida entre os destinos que mais concentraram hotéis com incentivos fiscais no estado, com R$ 297,1 milhões.
Entre 2023 e 2025, redes como Vila Galé, Brisa Hotel e Lages Exclusive Resort estão entre os principais empreendimentos que tiveram incentivos estaduais aprovados.
No recorte da Sudene em 2025, o GV4 Empreendimentos, responsável pelo Maceió Mar Resort, e o Japaratinga Lounge Resort, do grupo Amarante, figuram entre os empreendimentos de maior porte beneficiados pela autarquia no estado.

ABIH alerta para necessidade de sustentar demanda
Na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Alagoas (ABIH), Gabriel Cedrim, a ampliação da capacidade hoteleira representa um passo importante para fortalecer o turismo e a economia do estado, ao estimular emprego, renda e outras cadeias produtivas ligadas à atividade. Ele pondera, no entanto, que esse crescimento precisa vir acompanhado de estratégia para garantir ocupação.
“Não adianta termos mais leitos disponíveis se não tivermos turistas suficientes para ocupá-los. E, para isso, dois pontos são essenciais: investimento contínuo na promoção do destino e o fortalecimento da nossa conectividade aérea”, afirmou.
Segundo Cedrim, a expansão da rede precisa estar alinhada à ampliação da malha aérea e à promoção de Alagoas nos principais mercados emissores. “Quando conseguimos alinhar expansão hoteleira, promoção eficiente e acesso facilitado, criamos um ambiente sustentável de crescimento, que beneficia todo o estado”, completou.
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