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Alagoas amplia cultivo de soja e usa “protetor solar” para produção de sementes

Produto à base de carbonato de cálcio é aplicado nos meses mais críticos; sementes de soja produzidas na Usina Caeté são destinadas à Bahia e ao Maranhão
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  1. Soja amplia área de cultivo em Alagoas como alternativa na entressafra da cana-de-açúcar.
  2. Produtor em São Miguel dos Campos mudou foco para sementes comercializadas na Bahia e Maranhão.
  3. Protetor solar reduz radiação e transpiração das plantas nos meses críticos de agosto e setembro.
  4. Protetor solar à base de carbonato de cálcio forma película reflexiva sobre as folhas da soja.
  5. Resultados da tecnologia serão avaliados durante a colheita, com sinais positivos já observados.
Área na Usina Caeté recebeu protetor solar e modificou direcionamento da produção para vender sementes de soja para a Bahia e o Maranhão. Foto: Cortesia
Área na Usina Caeté recebeu protetor solar e modificou direcionamento da produção para vender sementes de soja para a Bahia e o Maranhão. Foto: Cortesia

A soja tem ampliado espaço em Alagoas, seja como opção às usinas na rotação da cultura de cana-de-açúcar nos períodos de entressafra, ou em áreas que produzem para abastecer o mercado de grãos do país. Para garantir a qualidade, produtores tem recorrido ao uso de protetores solares, que reduzem os efeitos do excesso de radiação solar e da menor disponibilidade de água.

Uma das maiores áreas de produção de soja em Alagoas fica em São Miguel dos Campos, na Usina Caeté. O produtor Alexandre Dalla Vechia produz desde 2021 o grão na entressafra, que compreende 1.800 hectares e consegue retornar cerca de 60 sacas por hectare.

Ele explicou ao Movimento Econômico que na última safra modificou o direcionamento da produção, produzindo sementes de soja, que são comercializadas com a Bahia e o Maranhão.

“Nossa previsão era ter aumentado a área para 2 mil hectares, mas, por algumas questões econômicas, estamos trabalhando com a mesma área e produzindo as sementes de soja, que estão sendo vendidas para as cidades de Jaborandi, na Bahia, e Chapadinha, no Maranhão”, explicou.

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A aplicação do protetor solar ainda é recente. Segundo Dalla Vechia, já foi possível perceber uma diferença na coloração das folhas, mas os resultados da experiência somente poderão ser avaliados durante a colheita. Para atender a esse mercado, além do volume colhido, características como qualidade fisiológica e vigor germinativo são importantes.

“Vamos ter mais informações do resultado durante a colheita, mas, por enquanto, a soja já apresenta sinais positivos”, disse.

protetor solar soja Alagoas 5
Protetor solar é aplicado para formar uma película clara sobre as folhas da soja, ampliando a capacidade de reflexão da radiação. Foto: Cortesia

Protetor solar ajuda soja nos meses mais críticos

O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Anderson Marafon explicou que entre agosto e setembro são historicamente os meses mais críticos para o desenvolvimento da soja na região Sealba, formada por municípios de Sergipe, Alagoas e do nordeste da Bahia.

Nesse período, a redução da disponibilidade de água no solo coincide com maior incidência de radiação solar. O produto à base de carbonato de cálcio é aplicado para formar uma película clara sobre as folhas, ampliando a capacidade de reflexão da radiação.

“Ele forma uma camada, reduz a temperatura foliar e reduz a transpiração. Dá uma segurança melhor, principalmente nos meses mais críticos, quando a chuva diminui, que são agosto e setembro no caso da soja”, explicou Marafon.

No plantio de saoja, produto é utilizado juntamente com as pulverizações de fungicida. Foto: Reprodução
No plantio de saoja, o protetor solar é utilizado juntamente com as pulverizações de fungicida em duas fases do desenvolvimento da lavoura. Foto: Reprodução

O excesso de radiação também faz com que as folhas atinjam seu ponto de saturação luminosa, quando a fotossíntese se estabiliza. A partir disso, a planta precisa dissipar o excesso de energia por meio da fotorrespiração, processo que pode desperdiçar entre 25% e 30% do carbono fixado durante a fotossíntese.

A película formada pelo carbonato de cálcio modifica o coeficiente de reflexão das folhas, conhecido como albedo. O mecanismo favorece os processos de abertura e fechamento dos estômatos, a absorção e a translocação de água e nutrientes e as trocas gasosas entre a planta e o ambiente.

No cultivo de soja, o produto é utilizado juntamente com as pulverizações de fungicida. As aplicações ocorrem em duas fases do desenvolvimento da lavoura.

“Para a soja, utilizamos junto com as aplicações de fungicida, que, na prática, são duas: no final do período vegetativo e, entre 15 e 20 dias depois, no início do reprodutivo”, detalhou o pesquisador.

Segundo Marafon, esse cronograma representa um diferencial para a produção alagoana. As sementes cultivadas no estado podem ser destinadas a mercados produtores que iniciam o plantio depois da colheita realizada no Sealba.

“A gente tem uma demanda grande para produzir sementes, e o valor agregado para o produtor é maior. Aqui se colhe em agosto e setembro, e há tempo para processar essas sementes e destiná-las a outras regiões, que plantam depois”, afirmou.

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Alagoas vem ampliando presença da soja em outros municípios no Agreste, como Campo Alegre e Limoeiro de Anadia, oferecendo opção de uma lavoura para áreas fora das terras de usinas. Foto: Cortesia

A produção de soja em Alagoas não está restrita às terras utilizadas para a renovação dos canaviais. Em Campo Alegre, outra propriedade também vem realizando o plantio de soja em sistema de rotação com a cana-de-açúcar em uma área de 595 hectares. A produção era realizada em 200 hectares próprios e depois ampliada com o arrendamento de mais 300 hectares para o plantio de soja.

Segundo o décimo levantamento da safra de grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a produção em Limoeiro de Anadia, outro local com produção do grão, registrou volumes de chuva baixos, mas considerados suficientes para manter a umidade do solo e permitir a conclusão do plantio ainda em junho. As temperaturas máximas variaram entre 30 °C e 32 °C.

Durante as visitas realizadas pela Companhia, as lavouras estavam em diferentes estágios de desenvolvimento, desde a germinação até áreas com vagens no estágio conhecido como “canivete”.

O regime de chuvas intercalado com dias de estiagem favoreceu a realização dos tratos culturais e permitiu que a soja expressasse seu potencial produtivo, segundo o levantamento.

Marafon explicou que as condições para o cultivo mudam conforme a localização das áreas. Nas regiões onde chove mais, os riscos são menores. Em direção ao Agreste, onde a disponibilidade de chuva é menor, a produção enfrenta riscos mais elevados.

“Temos poucas áreas disponíveis na Zona da Mata, e muitas estão ligadas à produção de cana. A soja entra na área de renovação e, depois, volta a cana. O outro diferencial é a produção ser destinada a sementes, e não a grãos”, afirmou.

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