Polo automotivo faz Goiana saltar 9 posições no ranking do PIB de Pernambuco

Confira nesta 2ª reportagem da série "Montadora Jeep: o Salto na Economia de Pernambuco", o crescimento alcançado pelo município sede da indústria automotiva.
A cidade de Goiana saiu de uma participação de 0,93% do PIB de Pernambuco em 2010 para 5,17% em 2019. Foto: Prefeitura de Goiana.

A implantação da fábrica da Stellantis mudou completamente a economia da cidade de Goiana, a 62 km do Recife. O município passou por uma etapa de “notável desenvolvimento”, saindo de uma participação de 0,93% do Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco, em 2010, para 5,17% em 2019, e agora ocupa a 4ª posição entre as cidades com melhor desempenho econômico em Pernambuco, contra a 13ª de anos atrás. Lá, o emprego e os avanços na escolaridade também apresentaram crescimentos acima da média de outras cidades pernambucanas. E uma parte disso se concentrou de 2015 a 2019, anos que incluem a maior recessão registrada no Brasil, ocorrida entre 2015 e 2016. 

Os números sobre Goiana estão no estudo Principais Impactos dos Setores Automotivo e Autopeças no Estado de Pernambuco, realizado pela Consultoria Econômica e Planejamento (Ceplan).

Ainda entre 2015 e 2019, a área de influência da Stellantis apresentou um crescimento médio do PIB de 6,3% ao ano, enquanto em Goiana este percentual, também na média, ficou em 20,5% anualmente. Em Pernambuco, no mesmo período, o aumento médio anual foi de 0,5%. 

A unidade da Stellantis começou a ser construída em 2012 e entrou em operação em 2015. Até então, Goiana tinha no setor sucroalcooleiro a sua principal atividade econômica, embora as usinas mais próximas à cidade estivessem fechadas há alguns anos. “É uma reconfiguração da dinâmica econômica da Mata Norte na geração de emprego, renda e arrecadação, especialmente em Goiana, mas traz rebatimento aos municípios do entorno”, resume Ademilson Saraiva, economista da Ceplan e um dos autores do estudo.

Ele acrescenta: “A indústria gera empregos qualificados, melhorando a empregabilidade, o que fomenta a rede de comércio e serviços de toda a região”. Uma montadora de veículos é uma fábrica que atrai outras indústrias, porque depende de muitos componentes para fazer um único veículo. Desse modo, a planta da Stellantis conta com 34 fornecedores, dos quais 16 estão instalados no supplier park do Polo Automotivo, em Goiana. 

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Jeep
Montadora Jeep em Goiana: supplier park com 16 indústrias/Foto: divulgação Jeep

E isso fez muita diferença na criação de empregos, que registrou uma alta anual de 5,6% em Goiana entre 2015 e 2022. Este percentual foi maior do que o apresentado em outras cidades pernambucanas, incluindo as demais da Região Metropolitana do Recife (RMR), como a capital, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho, que antes da crise de 2015-2016 lideravam a geração de empregos em Pernambuco. 

A fábrica da Stellantis gera 5 mil empregos diretos e mais 9,8 mil indiretos. Em Goiana, 25% dos empregos formais estão ligados à empresa. Na Stellantis, 21% dos trabalhadores residem em Goiana e 50% moram na área de influência do empreendimento, formada por outros nove municípios do entorno, indo desde a cidade de Paulista até Itaquitinga, na Mata Norte pernambucana. 

 “E foi crescendo”…

Um dos atuais líderes de time da Stellantis, Willames José da Silva, de 32 anos, diz que “foi crescendo” junto com a planta da montadora. Natural de Goiana, ele trabalhava na construção da fábrica da Hemobrás – também naquela cidade –, quando a unidade automotiva estava sendo construída e pensava: “Um dia ainda vou trabalhar nesta empresa”. A construção da Hemobrás parou e Willames foi trabalhar no comércio, vendendo roupa de cama e banho. “No dia que soube que a empresa estava precisando, vim sem a carteira de trabalho, que ainda estava pra dar baixa na outra firma, porque era uma oportunidade de melhorar minha vida profissional e pessoal”, lembra.

William José da Silva
Willames José da Silva, crescendo com a Jeep/Foto: divulgação

Quando ingressou na montadora, em 14 de dezembro de 2015, o jovem tinha apenas o segundo grau. Há dois anos, ele concluiu o curso de Técnico em Qualidade. “A empresa proporcionou a busca pelo estudo. Entrei como auxiliar. Depois de três anos e três meses, participei de um processo seletivo interno e passei a ser líder de time”, conta. 

Seu salário atual, segundo Willames, é quatro vezes maior do que o que ganhava no comércio. Ele lidera uma equipe de nove pessoas que trabalham na parte elétrica dos veículos. E o próximo passo? “Galgar uma faculdade e alcançar novos ares. Gostaria de ir para uma supervisão. Minha vontade é de crescer junto com a empresa”, afirma. Quando questionado sobre o que fez a diferença na sua trajetória, Willames responde: “O conhecimento… Amadureci muito e aprendi a lidar com as pessoas”. 

Outras mudanças na cidade

A implantação de uma grande indústria também mudou o perfil da economia de Goiana. Em 2010, a indústria era responsável por 30% do PIB local. Em 2019, este percentual foi para 54%. “É um segmento que usa muita tecnologia e que precisa de empregos mais bem qualificados”, lembra Ademilson Saraiva, se referindo à indústria automotiva.

As receitas correntes de Goiana cresceram, em média, 10,5% ao ano entre 2015 e 2021, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) citados no estudo. “A instalação da Stellantis trouxe um bom desenvolvimento ao município. O comércio está fluindo bem, a educação caminhando e o funcionalismo com a folha em dia”, resume o prefeito de Goiana, Eduardo Onório (União Brasil). Segundo ele, a prefeitura arrecada cerca de R$ 43 milhões por mês e gasta entre R$ 28 milhões e R$ 35 milhões, também mensalmente. 

Destaque em Pernambuco

O aumento da arrecadação fez a cidade ficar superavitária e aumentar os investimentos na área de educação, saúde e infraestrutura, segundo um levantamento feito pela Agência de Desenvolvimento de Goiana a partir de 2015. “Nos últimos anos, a cidade construiu três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) com recursos próprios e fez investimentos nas unidades básicas de saúde. Estamos querendo fazer um novo Plano Diretor para planejar o futuro da cidade. E também temos a intenção de fazer um segundo distrito industrial, pois a cidade se tornou um local procurado pelas empresas”, cita o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico de Goiana, Carlos Torres Filho. 

E não só o setor público foi beneficiado pela implantação do empreendimento. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiana, Luciano Ferreira, argumenta que a evolução da cidade foi indiscutível. “Aumentou a quantidade de restaurantes e lanchonetes. Goiana hoje tem quatro hotéis e, antes, não tinha um. O município também atrasava muito os salários dos funcionários e isso impactava todo o comércio, o que não ocorre mais”, afirma Luciano. Ainda de acordo com ele, Goiana se consolidou como um polo para as cidades vizinhas, com cerca de 5 mil pessoas de fora circulando nos dias de semana. 

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