
O Grupo Dislub Equador investiu R$ 640 milhões na construção do que será, quando concluído em 2027, o maior terminal de armazenamento de combustíveis do Nordeste, com capacidade para atender 20% do consumo regional de derivados de petróleo, biocombustíveis e químicos. Com 70% das obras já concluídas e quatro meses à frente do cronograma original, o empreendimento no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE), já reúne como parceiros estratégicos Petrobras, Vitol, Gunvor e a ferrovia Transnordestina.
O terminal, que mobiliza atualmente 1.040 trabalhadores no canteiro de obras, deverá manter cerca de 100 empregos permanentes após a entrada em operação. O projeto é descrito pelo próprio grupo como o maior terminal de combustíveis em construção no país, posição que, segundo seus executivos, reforça o Complexo do Pecém como plataforma estratégica para importação, cabotagem, distribuição e movimentação de derivados no Nordeste. Além dos acordos já confirmados, o grupo informou que mantém negociações com outros players do setor, cujos nomes seguem protegidos por cláusula de sigilo.

A ferrovia como braço do terminal
Entre os acordos anunciados, o firmada com a ferrovia Transnordestina é a que tem maior potencial de transformar a capilaridade do terminal. A linha ferroviária, que ligará o interior do Nordeste aos portos da região, será usada para o escoamento de combustíveis a longas distâncias, ampliando a área de influência do Pecém para além do litoral cearense.
“A ferrovia Transnordestina será uma parceira relevante para o escoamento dos derivados de petróleo a longas distâncias, aumentando a ‘mancha’ de Pecém”, disse ao Movimento Econômico, Beto Carrilho, vice-presidente de Finanças do Grupo Dislub Equador.
A integração porto-ferrovia é considerada rara na infraestrutura logística brasileira e tende a reduzir custos de transporte para distribuidores e, em última instância, para consumidores. O terminal também conta com acesso rodoviário adequado, graças à localização em um porto planejado que opera sem interferência no tráfego urbano de São Gonçalo do Amarante.

Dois gargalos, uma resposta
O projeto foi desenhado para eliminar dois problemas estruturais que hoje encarecem o abastecimento do Ceará. Cerca de 40% dos combustíveis que chegam ao estado são transportados por caminhão a partir de portos mais distantes. Os outros 60%, que chegam por navio, encontram limitações operacionais em função do calado e baixa disponibilidade de berços.
“Nosso projeto terá ausência de limitações operacionais em função da profundidade, alta disponibilidade de berços, evitando custos de demurrage (taxa cobrada quando um navio permanece além do prazo acordado para operação em porto), estrutura de armazenamento moderna, garantindo alta produtividade dos navios e grande disponibilidade de baías de carregamento/descarregamento de caminhões”, disse Carrilho.
O presidente da Federação das Indústrias do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, lembrou que mais de mil navios cruzam semanalmente a costa cearense sem abastecer no estado. “Nenhum deles abastece aqui porque não tem estrutura. Com essa obra, o Ceará pode se tornar um grande hub para receber esses navios e abastecer”, afirmou.

PetroRecôncavo abre caminho para exportação
Um dos contratos mais concretos é o firmado com a PetroRecôncavo, voltado ao escoamento, pelo Porto do Pecém, do petróleo extraído no Rio Grande do Norte. O acordo prevê a instalação de 40 mil m³ adicionais de tancagem, equivalente a cerca de 250 mil barris, e já aponta para uma vocação exportadora do terminal. Outros produtores e tradings de petróleo, segundo o grupo, podem se somar ao contrato aproveitando a localização e as águas profundas do Pecém.
A lista de parceiros confirmados inclui ainda Acelen, Ale Combustíveis, Binatural, Inpasa e Gunvor, em acordos de diferentes naturezas, contratos e Memorandos de Entendimento (MoU). O grupo afirmou acreditar que a demanda reprimida na região exigirá novos investimentos além da primeira fase, mas ressaltou que eles virão na esteira de novos contratos e com o tempo de maturação do empreendimento. A expansão da capacidade de 170 mil m³ para até 240 mil m³ já está prevista no projeto original. “Com mais competitividade, surgem melhores soluções e melhores condições para consumidores, empresas e para a economia regional”, conclui Beto.
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