
Longe dos grandes centros de negócios, uma startup alagoana desenvolveu soluções para dores reais recorrentes em prefeituras, como a falta de controle eficiente sobre bens públicos, ainda marcada por processos manuais, descentralizados e sem rastreabilidade. Em fase de expansão comercial, a Pilares iniciou tratativas para oferecer a tecnologia para prefeituras de Alagoas e Bahia, com foco em gestão patrimonial.
A Pilares foi construída a partir de um programa de inovação no município de Pilar, região Metropolitana de Maceió, usando as demandas da Secretaria de Patrimônio como ponto de partida para desenhar e validar a solução dentro da rotina da gestão pública. Hoje, a startup é liderada por Mirela Pinheiro, que mora em Penedo, e diz que estruturou a plataforma para facilitar a adoção por servidores, com telas e fluxos alinhados ao dia a dia das prefeituras e foco em dar mais visibilidade sobre localização, histórico, movimentações e manutenções dos ativos, dentro de uma proposta de gestão patrimonial municipal.
“Hoje moro em Penedo, minha cidade de origem, e é daqui que lideramos o crescimento da Pilares. Construir uma GovTech a partir do interior é um desafio, mas acreditamos que é possível desenvolver tecnologia com potencial nacional a partir de realidades locais”, explicou Mirela.
Gestão patrimonial municipal: como a plataforma organiza bens públicos
A proposta da plataforma é organizar o que, em muitos municípios, ainda depende de planilhas, papéis e informações espalhadas entre secretarias. “Pilares nasceu a partir de uma dor real: a dificuldade que muitos municípios têm em manter controle eficiente sobre seus bens públicos. Ainda é comum encontrar processos manuais, descentralizados e sem rastreabilidade, o que gera perdas, retrabalho e limita a capacidade de gestão”, disse.
A partir desse diagnóstico, a startup afirma que a centralização de informações pode apoiar a gestão patrimonial e dar mais rastreabilidade a movimentações e manutenções.
Segundo a CEO, a ferramenta reúne em um único ambiente o que normalmente está fragmentado. “A plataforma permite que a prefeitura tenha uma visão completa do seu patrimônio, com informações sobre localização, histórico, movimentações e manutenções, tudo em um único ambiente. Isso fortalece a transparência, melhora a tomada de decisão e contribui diretamente para uma gestão mais eficiente e responsável com os recursos públicos”, explicou.
A empresa afirma que a digitalização ajuda a reduzir lacunas de informação que afetam a gestão patrimonial e o planejamento de rotinas.

O foco inicial da PILARES está em prefeituras de pequeno e médio porte, onde a falta de padronização e de sistemas integrados costuma tornar a gestão patrimonial mais vulnerável a perdas e baixa rastreabilidade.
Recentemente, a empresa concluiu o ciclo de validação e agora começa a estruturar a entrada comercial, depois de testar a solução em situações reais. “A Pilares concluiu seu ciclo de validação e está agora em sua fase de pré-expansão comercial. A solução já foi validada em ambiente real e passou por validação no Polo de Ciência e Tecnologia de Alagoas”, explicou Mirela.
Mesmo com o produto validado, a startup ainda está no início da jornada de vendas. “Neste momento já estamos em negociação com três prefeituras de Alagoas e iniciando conversas com municípios da Bahia. Esse é o primeiro passo de um plano estruturado de expansão, com foco inicial no Nordeste e perspectiva de crescimento para outras regiões do país”, disse.
Para acelerar o processo de entrada no mercado público, a Pilares fechou parceria com a Dome Ventures, uma venture builder especializada em soluções para o setor público. Mirela descreve a parceria como um passo para encurtar a curva de aprendizado, especialmente em um mercado conhecido por ciclos de venda mais longos e exigências de documentação e governança, fatores que influenciam a adoção de ferramentas de gestão patrimonial.
“Vemos a Dome Ventures como parceira estratégica na nossa jornada GovTech. Eles são uma venture builder especializada em soluções para o setor público, com tese 100% voltada a transformar a gestão pública por meio de tecnologia e inovação”, afirmou.
A Dome Ventures deve apoiar desde posicionamento e refinamento da tese até validação por meio de MVPs e pilotos com secretarias, além de acompanhamento de métricas como redução de desperdícios. A expectativa é usar rede e método para facilitar vendas, apoiar participação em editais e provas de conceito, e preparar a empresa para futuras rodadas de investimento, com governança, documentação e indicadores mais robustos, incluindo métricas associadas à gestão patrimonial e ao impacto operacional nas prefeituras.
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