- Publicidade -

Descarbonização industrial do Brasil é 1ª aprovada por fundo climático global

Brasil e México foram os primeiros entre sete países a ter planos aprovados pelo CIF, fundo climático ligado ao Banco Mundial, com US$ 250 mi e potencial de mobilizar mais de US$ 3 bilhões
- Publicidade -
Ouvir o Artigo Gerando áudio…
~5:13
  1. Brasil recebe aprovação do CIF para plano de descarbonização industrial junto ao México.
  2. Investimento de US$ 250 milhões mobiliza mais de US$ 3 bilhões em recursos adicionais.
  3. Ferro e aço, cimento e químicos receberão recursos para reduzir emissões industriais.
  4. Plataforma BIP coordenará seleção e implementação dos projetos de transformação ecológica.
  5. Descarbonização fortalece competitividade industrial e gera empregos verdes de qualidade no país.
Descarbonização industrial do Brasil tem aprovação de fundo climático global poluição Banco Mundial Climate Investment Funds (CIF)
Aprovada pelo fundo climático CIF, vinculado ao Banco Mundial,iniciativa articulada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apoiará projetos de baixa emissão de carbono em setores responsáveis por cerca de 65% das emissões industriais do país. Foto: MDIC/Reprodução

O plano de descarbonização industrial do Brasil recebeu aprovação do Climate Investment Funds (CIF), tornando o país, ao lado do México, um dos dois primeiros a concluir essa etapa entre os sete selecionados pela iniciativa global. Participam ainda do programa de US$ 1 bilhão voltado à redução de emissões em setores de alta intensidade energética o Egito, Namíbia, África do Sul, Turquia e Uzbequistão. Administrado em parceria com o Banco Mundial e outros bancos multilaterais de desenvolvimento, o CIF conta com US$ 12,5 bilhões comprometidos por países doadores e é um dos maiores mecanismos ativos de financiamento climático do mundo.

O plano brasileiro prevê aporte direto de US$ 250 milhões com razão de cofinanciamento superior a 1:12: cada dólar investido pelo fundo mobiliza mais de doze em recursos adicionais. O total alavancado ultrapassa US$ 3 bilhões, dos quais US$ 1,36 bilhão virá do setor privado. Os recursos serão direcionados a três subssetores que respondem por 65% das emissões industriais do país: ferro e aço, cimento, e produtos químicos e fertilizantes. A indústria como um todo representa 11% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa, segundo dados do CIF.

O plano é coordenado pelo Ministério da Fazenda, em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME), o BNDES, o BID, o BID Invest, o Banco Mundial e a IFC. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) atua como articulador da agenda junto a esses órgãos e bancos multilaterais. A implementação ocorrerá por meio da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP), que apoiará a formação e a seleção da carteira de projetos.

“A transformação ecológica não é meramente uma agenda ambiental, mas um pilar central da estratégia de desenvolvimento do Brasil para fortalecer a competitividade industrial, acelerar a reindustrialização e gerar empregos verdes de qualidade”, afirmou Dario Durigan, ministro da Fazenda, em nota ao CIF de junho de 2026. A secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria (SEV) do MDIC, Julia Cruz, também destacou o avanço. “É assim que transformamos metas climáticas em investimento, em emprego verde e em competitividade para a indústria nacional, num cenário internacional cada vez mais exigente em sustentabilidade”, afirmou.

Os sete países e a disputa por fundo climático entre 26 candidatos

Os sete países foram selecionados entre 26 candidatos após avaliação técnica conduzida por painel independente de especialistas, com critérios que incluíram engajamento do setor privado, maturidade institucional e comprometimento com a descarbonização industrial. O Egito foca em cimento, aço e químicos, com ênfase em hidrogênio limpo e resiliência climática no delta do Nilo. A Namíbia desenvolve um hub de hidrogênio e manufatura para a África Austral. A África do Sul concentra esforços na descarbonização do setor siderúrgico dependente de carvão. A Turquia mira cimento, aço, alumínio e fertilizantes, com ambição de reduzir até 135 milhões de toneladas de CO₂ por ano. O Uzbequistão conduz projetos piloto em cimento, químicos e metalurgia.

O México, aprovado na mesma sessão que o Brasil, no dia 17 deste mês, tem plano de US$ 250 milhões com alavancagem de US$ 1,68 bilhão, sendo US$ 1,2 bilhão do setor privado, numa razão de quase 1:7, com foco em aço, alumínio, cimento e produtos químicos. Juntos, os planos de Brasil e México projetam evitar quase 2 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano, volume equivalente ao carbono absorvido por 33 milhões de árvores anualmente, segundo o CIF.

Estratégia e metas de redução de emissões

A estratégia brasileira apoiará processos produtivos de baixa emissão de carbono, projetos de eficiência energética e o desenvolvimento de clusters e infraestruturas industriais voltados à descarbonização. Estimativas do MDIC indicam que os projetos apoiados poderão evitar a emissão de 1,2 milhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano. A iniciativa também prevê ampliação do uso de energias renováveis na indústria, estímulo a práticas de economia circular e geração de empregos alinhados à transição para uma economia de baixo carbono.

O programa integra a Missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB), voltada a bioeconomia, descarbonização, transição e segurança energética. O CIF projeta que o mercado global de produtos industriais verdes alcance US$ 2 trilhões até 2030, posicionando os países participantes para capturar parte desse crescimento. O programa é parte do Clean Technology Fund (CTF), um dos instrumentos do CIF, fundo multilateral criado em 2008 e administrado em parceria com o Banco Mundial e outros bancos multilaterais de desenvolvimento.

O CTF permite que até 100% de seu capital seja direcionado a projetos liderados pelo setor privado, com mínimo obrigatório de 50% para iniciativas privadas. O programa de descarbonização industrial é o primeiro do CIF dedicado exclusivamente à redução de emissões industriais em economias em desenvolvimento.

*Com informações da Agência Gov

Leia mais: Governo adia pela 3ª vez reunião do CNPE sobre etanol a 32% na gasolina

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -