
A decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas sobre produtos brasileiros também causa apreensão em produtores de coco, que temem que a sobretaxa à água de coco brasileira comprometa a produção de coco em Alagoas. Já o Sindicato da Indústria dos Produtores de Açúcar e Etanol de Alagoas (Sindaçúcar) teme que a medida reduza em 20% o faturamento dos exportadores de açúcar do estado.
Assinado na última quarta-feira (30), o decreto norte-americano prevê tarifas que totaliza 50% sobre produtos brasileiros, incluindo café, carne bovina, frutas, açúcar, entre outros. Quase 700 produtos brasileiros ficaram isentos da medida, incluindo suco de laranja, fertilizantes, artigos de aeronaves, produtos de ferro, aço, alumínio e cobre.
O setor sucroenergético de Alagoas acompanha com preocupação a política comercial dos EUA. De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, o estado é responsável por cerca de 50% das exportações brasileiras dentro da cota norte-americana, que permite ao Brasil vender anualmente até 150 mil toneladas de açúcar com isenção de tarifa.

Perdas sem a compra de açúcar pelos norte-americanos
Alagoas exporta, em média, mais de 80 mil toneladas por ano dentro da cota, o que representa cerca de 15% do volume total enviado ao mercado externo pelas usinas alagoanas. No entanto, como o preço pago pelo mercado norte-americano é cerca de 100% superior ao praticado em outros destinos, essa fatia garante 20% ou mais de todo o faturamento internacional do setor em Alagoas.
“A adoção do tarifaço traz uma preocupação grande ao nosso setor, especialmente pela questão do faturamento. Não será difícil escoar o volume se deixarmos de exportar para os EUA, mas não conseguiremos exportar pelo mesmo valor, e nossas indústrias terão uma perda irreparável”, destaca Pedro Robério.
Segundo o presidente do Sindaçúcar, o setor defende que o governo brasileiro atue de forma diplomática para preservar a competitividade das indústrias nacionais. Ele lembra que os efeitos das tarifas não se limitam a Alagoas, mas atingem diretamente a estrutura de exportação agroindustrial de diversos estados brasileiros.
“As perdas são irreparáveis no caso de Alagoas, mas as medidas impactarão vários outros setores em todo o país”, pontua o presidente do Sindaçúcar.
Tarifas sobre água de coco preocupa produtores de coco em AL
Para o presidente da Associação de Produtores de Coco de Alagoas (Prococo), Alexandre Lyra, o impacto da medida pode ser devastador para a cadeia produtiva do coco. Ele afirma que a exportação para os Estados Unidos é um dos principais canais de escoamento da produção de água de coco industrializada no Brasil e, por consequência, uma válvula de equilíbrio de preços no mercado interno.

“Estamos muito preocupados com isso, porque o coco vai ser taxado. Cerca de 80% da água de coco produzida no Brasil vai para os Estados Unidos. Ou seja, afeta diretamente a cadeia do coco”, alertou Lyra.
O dirigente lembra que o setor já enfrentou uma queda acentuada nos preços do coco verde este ano e que a taxação pode agravar ainda mais a situação. Segundo ele, a exportação da água de coco ajuda a conter a oferta interna e a sustentar os preços pagos aos produtores. Sem esse canal, o excesso de produto no mercado doméstico deve pressionar ainda mais o valor da fruta.
“Esse coco todo, se não conseguir ser vendido para os Estados Unidos, vai para o mercado interno. E aí vai sobrar muito coco. O que já estava ruim vai piorar. A gente anda muito preocupado com isso, muito preocupado mesmo”, reforça.
Tanto a Prococo quanto o Sindaçúcar-AL esperam que o governo brasileiro reaja com firmeza à ordem executiva americana, não apenas pelo impacto econômico, mas pelas implicações políticas e diplomáticas do ato. Para os representantes dos dois setores, as sobretaxas desorganizam cadeias produtivas, ameaçam empregos e inviabilizam investimentos previstos para o segundo semestre.
“A gente espera que isso se reverta, que o governo consiga reverter isso de alguma forma. Está tudo muito em cima, mas é preocupante”, conclui Alexandre Lyra.
Leia mais:
Alckmin contabiliza que tarifaço pode afetar 36% das exportações brasileiras
Lista de produtos isentos de tarifa tem caneta, água micelar, mel e até games
Com tarifa dos EUA, diversificação entra no radar de exportadores de Alagoas











