
A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo governo dos Estados Unidos, com vigência a partir de 1º de agosto, acende o alerta para setores exportadores de Alagoas. O açúcar, entre os principais itens da pauta comercial alagoana com o mercado americano, pode sofrer perdas diretas. Diante do cenário, representantes da Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Sedics) e do Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias, defendem estratégias como a diversificação de mercados, o fortalecimento das cadeias produtivas e a atuação diplomática para mitigar os efeitos da medida.
De acordo com a gerente do CIN/AL, Dielze Mello, os impactos devem ser sentidos principalmente nos setores açucareiro e de pisos industriais. Ela explica que, além da pressão da sobretaxa, as exportações alagoanas já vêm sendo afetadas pela queda nos preços internacionais do açúcar nos últimos três meses, o que agrava o momento econômico.
“O aumento de tarifas dos EUA pode gerar impactos significativos no setor açucareiro e na economia de Alagoas. O momento não poderia ser menos propício, pois já estamos enfrentando uma queda nas exportações do estado”, alerta. Para ela, as empresas devem concentrar esforços na diversificação de mercados, agregação de valor aos produtos, negociações comerciais e incentivos locais. Dielze também defende a intensificação da atuação diplomática do governo federal, com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), como tentativa de reversão das tarifas.
Segundo a dirigente, o setor sucroenergético tem mais margem para redirecionar os embarques devido à existência de outros parceiros comerciais. Por outro lado, segmentos com menor capilaridade internacional enfrentam mais obstáculos. “O setor de açúcar tem outros parceiros comerciais, então essa abertura é mais fácil para eles. Mas todos precisam investir em produtos com maior valor agregado e buscar alternativas para manter o fluxo de exportações”, afirmou.
A secretária de Desenvolvimento Econômico de Alagoas, Alice Beltrão, reforça a necessidade de preparar o estado para lidar com instabilidades no comércio internacional. “Estamos atentos a esse cenário internacional e, embora os impactos ainda não possam ser quantificados, nosso compromisso é garantir estabilidade e segurança para quem empreende em Alagoas”, afirmou. A gestora destacou que a política estadual está voltada para ampliar a competitividade das cadeias produtivas, atrair investimentos e fortalecer relações comerciais com novos mercados.
Entre as ações coordenadas pela Sedics estão a concessão de incentivos fiscais, o fortalecimento de arranjos produtivos locais (APLs), o apoio à transição energética e o diálogo com investidores. Para a pasta, mesmo que os Estados Unidos não sejam o principal destino das exportações alagoanas, qualquer mudança nas regras internacionais exige atenção redobrada — sobretudo em setores como a agroindústria, que lidera os embarques do estado.
Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea), os EUA foram, em 2024, o terceiro maior comprador de produtos alagoanos, com mais de US$ 61 milhões em embarques. O açúcar lidera a pauta de exportação para o país, com destaque para os volumes da agroindústria. Essa dependência direta exige monitoramento constante de contratos e de custos logísticos, operacionais e tarifários.
Além do açúcar, fazem parte da pauta exportadora alagoana itens como álcool e derivados da cana-de-açúcar, insumos da indústria química, artigos têxteis, alimentos processados e até peças de artesanato. A diversificação dessa base produtiva é vista como uma vantagem estratégica para ampliar parcerias comerciais e reduzir vulnerabilidades diante de medidas unilaterais adotadas por países importadores.

Para a Federação das Indústrias de Alagoas, a decisão dos Estados Unidos de elevar tarifas integra um pacote de medidas protecionistas com potencial de comprometer investimentos, empregos e a competitividade da indústria local. “O impacto será direto sobre empregos, investimentos e competitividade da indústria. Esperamos que prevaleça o diálogo diplomático e comercial, com vistas à manutenção de uma relação estratégica entre os dois países”, declarou o presidente da Fiea, José Carlos Lyra de Andrade.
A CNI também se manifestou oficialmente, classificando a medida como prejudicial à previsibilidade dos contratos e ao ambiente de negócios. A entidade cobra ação do governo brasileiro para reverter as tarifas e resgatar a estabilidade necessária aos exportadores nacionais.
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