
Representantes dos setores de gás e energia elétrica defenderam, durante o painel sobre convergência energética no evento Origem 360, realizado em Maceió na última semana, uma atuação mais coordenada entre os segmentos como caminho para impulsionar a industrialização de Alagoas. A proposta foi reforçada por Luís Henrique Guimarães, membro do Conselho da Cosan, e Eduardo Hirschle, head de Novos Negócios da Origem Energia.
Segundo Guimarães, a Cosan pretende contribuir diretamente para o desenvolvimento industrial do estado. “Temos um desafio muito grande de industrializar Alagoas. E queremos que esse desafio venha de forma agregada, sem fragmentação, para que, como provedores de infraestrutura, possamos investir com segurança e gerar desenvolvimento socioeconômico para o estado”, afirmou.
Já Eduardo Hirschle reforçou que a Origem está comprometida com soluções que promovam o crescimento industrial do estado. “Estamos construindo esse caminho com foco em Alagoas. Queremos atuar em conjunto com o setor elétrico para viabilizar a industrialização e garantir segurança energética”, afirmou.
Gás e energia vão contribuir com industrialização em Alagoas
Grandes investimentos foram anunciados durante o evento promovido pela Origem Energia, que atua em Alagoas desde 2022. O principal deles é o projeto de Estocagem Subterrânea de Gás Natural (ESGN), no município de Pilar. O investimento previsto para o projeto é de US$ 200 milhões, algo em torno de R$ 1,2 bilhão. O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) concedeu licença ambiental prévia para o empreendimento.

O CEO da Origem, Luiz Felipe Coutinho, também confirmou que a empresa pretende aplicar outros US$ 500 milhões, cerca R$ 3 bilhões, na construção de usinas termelétricas em Alagoas até 2030. A expectativa é que as usinas tenham capacidade de 500 MW, com construção condicionada ao resultado do próximo Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP).
O Nordeste, segundo avaliação do diretor de Estratégia Econômica e Relações com o Mercado do Banco Safra, Joaquim Levy, tem papel estratégico na segurança energética do Brasil e pode se tornar um novo polo de industrialização a partir da combinação entre fontes renováveis e gás natural com preços competitivos.
“O Nordeste tem possibilidades muito grandes. Se você tiver gás próprio para a indústria, pode criar polos industriais sem necessidade de subsídio. Isso é emprego na veia, uma coisa superpositiva”, disse em entrevista ao Movimento Econômico.
Convergência energética ainda enfrenta desafios
No painel que analisou os desafios e oportunidades para o setor de gás natural e energia, o debate girou em torno da necessidade de união e integração entre os setores para que seja possível a expansão geração térmica e o uso estratégico do gás como fonte de estabilidade para a matriz. O debate foi moderado por Sylvie D’Apote, diretora executiva de Gás Natural do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP).

“Boa parte da infraestrutura de gás foi pensada há 25 anos para alimentar leilões de térmicas. Hoje continuamos crescendo em energia solar, mas sem planejar a expansão térmica integrada à rede. O resultado é improviso e aumento de custo para o consumidor final”, afirmou Eduardo Hirschle.
Luís Henrique avaliou que a simplificação do sistema e o diálogo entre empresas, Estado e investidores são fundamentais para viabilizar investimentos sustentáveis e coordenados.
O CEO da Energisa, Ricardo Botelho, também participou do painel e alertou para os riscos da falta de coordenação entre os setores diante do crescimento acelerado das fontes renováveis intermitentes. Ele também defendeu maior equilíbrio na concessão de subsídios e contratação de reservas de capacidade. “Precisamos de soluções que aumentem a confiabilidade do sistema sem sobrecarregar o consumidor. Para isso, é fundamental a orquestração entre gás e eletricidade”, pontuou.
Para o CEO da Transmissão Brasil (Engie), Gustavo Labanca, a ausência de um planejamento integrado e as assimetrias regulatórias entre os setores dificultam o avanço do gás como vetor de desenvolvimento. “Na transmissão elétrica, temos um modelo maduro, com leilões regulares e planejamento nacional. No gás, lidamos com regulações estaduais fragmentadas e falta de coordenação”, explicou.
Labanca defendeu que o Brasil adote uma abordagem semelhante à da energia elétrica, garantindo previsibilidade para atrair investimentos. “Enquanto não houver um olhar nacional e integrado, será difícil expandir a malha de transporte de gás de forma eficiente e estratégica”, concluiu.
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