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NE pode ter novo ciclo industrial com gás e renováveis, diz Joaquim Levy

Joaquim Levy destacou que matriz energética posiciona o Nordeste como protagonista em uma nova fase de desenvolvimento
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Presidente do Banco Safra, Joaquim Levy, destacou potencial do Nordeste na produção de gás natural e energias renováveis
Presidente do Banco Safra, Joaquim Levy, destacou potencial do Nordeste na produção de gás natural e energias renováveis. Foto: Agência Brasil

O Diretor de Estratégia Econômica e Relações com o Mercado do Banco Safra, Joaquim Levy, afirmou, durante participação no evento Origem 360 Alagoas – Caminhos para a Segurança Energética, realizado em Maceió, nesta terça-feira (15), que o Nordeste tem papel estratégico na segurança energética do Brasil e pode se tornar um novo polo de industrialização a partir da combinação entre fontes renováveis e gás natural com preços competitivos.

Em entrevista ao Movimento Econômico, o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BNDES destacou que o Brasil vive um momento privilegiado no cenário internacional por reunir diversidade energética e condições de expandir sua matriz de forma sustentável, inclusive com efeitos positivos na balança comercial.

Segurança energética vai ser cada vez mais importante para todos os países. O Brasil tem o privilégio de ter uma diversidade enorme de fontes de energia: hidráulica, eólica, solar, e até mesmo combustíveis fósseis, que usados com critério, ainda podem contribuir com a exportação de energia, substituindo opções mais poluentes em outros países”, afirmou.

Joaquim Levy citou o projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), como exemplo de oportunidade concreta para ampliar o fornecimento de gás natural com menor custo logístico.

O Nordeste tem possibilidades muito grandes. A grande vantagem é que os poços [em Sergipe] estão mais próximos da costa do que no Sudeste, o que reduz o custo do gasoduto e permite uma precificação mais barata. Isso pode ser um grande estímulo à industrialização da região”, avaliou.

Segundo Levy, o acesso a gás natural competitivo, aliado à força das fontes renováveis integradas ao sistema elétrico nacional, posiciona o Nordeste como protagonista em uma nova fase de desenvolvimento.

“Se você tiver gás próprio para a indústria, pode criar polos industriais sem necessidade de subsídio. Isso é emprego na veia, uma coisa superpositiva.”

Evento em Maceió, promovido pela Origem Energia debate caminhos da transição energética no pais
Evento em Maceió, promovido pela Origem Energia debate caminhos da transição energética no pais. Foto: Dean Almeida

Financiamento para segurança energética

Ao comentar o papel do setor financeiro, Joaquim Levy afirmou que o financiamento é decisivo para a segurança energética, principalmente em projetos estruturantes, e ressaltou a importância dos bancos neste processo.

“O BNDES tem a grande vantagem de poder ancorar projetos com um horizonte de longo prazo. Projetos bons geralmente conseguem financiamento, e o banco está desenhado para isso”, comentou.

Levy também defendeu que a construção de infraestrutura energética eficiente pode gerar ganhos sociais, econômicos e ambientais. “Ter uma energia segura e limpa é essencial para atrair investimentos de qualidade e transformar potencial em crescimento de longo prazo”, afirmou.

Futuro energético do Brasil

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), empresário José Carlos Lyra de Andrade ressaltou que Alagoas vive um momento singular, consolidando-se como referência na produção, processamento e estocagem de gás natural. Ele saudou a atuação da Origem Energia, destacando a instalação da primeira unidade de estocagem subterrânea de gás natural do país, no município de Pilar.

“Um projeto estratégico, que amplia a segurança energética e contribui para estabilizar preços — um ganho direto para a Indústria e para a sociedade”, afirmou ele, que também representou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, na solenidade.

Presidente da FIEA participou do Origem 360 e destacou potencial de Alagoas
Evento reuniu diversos empresários de Alagoas e do Sudeste/ Foto: Ascom FIEA

O presidente da FIEA também enfatizou a importância de uma política industrial que enxergue o gás como ativo estratégico na transição energética e defendeu maior infraestrutura de distribuição e harmonia regulatória.

“Este encontro é uma oportunidade única para fortalecer a colaboração entre empresas, governo, reguladores, financiadores e tomadores de decisão. O futuro energético do Brasil exige diálogo, cooperação e visão de longo prazo”, completou.

Origem 360 reúne setor energético e financeiro em Maceió

O evento Origem 360 Alagoas – Caminhos para a Segurança Energética reúne, em Maceió, entre os dias 15 e 17 de julho, autoridades, especialistas, empresas e representantes do setor de gás e energia para discutir os rumos da matriz energética brasileira. A programação inclui painéis sobre integração energética, infraestrutura e financiamento, além de workshops técnicos e rodada de negócios.

Organizado pela Origem Energia, o evento busca fomentar o diálogo entre empresas, governo, sociedade, reguladores e investidores, promovendo soluções para uma matriz mais eficiente, resiliente e integrada.

O Nordeste, como anfitrião e destaque em fontes renováveis e reservas estratégicas de gás, ocupa posição central nos debates. A expectativa dos organizadores é que o Origem 360 contribua para acelerar iniciativas estratégicas que garantam abastecimento seguro, competitivo e sustentável para o Brasil dos próximos anos.

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