
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) homologou o resultado do leilão de concessão das rodovias BR-116/324/BA/PE, a Rota dos Sertões. O Consórcio 116 Sertões apresentou a menor tarifa de pedágio, com desconto de 19,60% e prevê um investimento de R$8,53 bilhões pelos próximos 30 anos de gestão da rodovia.
A deliberação foi publicada na edição desta sexta-feira (17) do Diário Oficial da União (DOU) e vincula o consórcio vencedor do certame à assinatura do contrato e demais condições previstas no edital. O leilão foi realizado no dia 28 de maio na sede da B3, em São Paulo, e recebeu três propostas.
O Consórcio 116 Sertões representa o retorno da Odebrecht às disputas por concessões federais de rodovias, setor do qual a empresa saiu ao vender ativos nos desdobramentos da Operação Lava Jato. A Mota-Engil tem participação acionária da CCCC (China Communications Construction Company), grupo chinês de infraestrutura.
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O contrato prevê R$ 4,13 bilhões em obras de ampliação e modernização e R$ 4,40 bilhões em custos operacionais ao longo das três décadas de concessão. A antiga concessionária devolveu a administração das vias em 15 de maio de 2025, e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) assumiu provisoriamente a operação. A ANTT realizou audiências públicas entre 15 de abril e 29 de maio de 2025 para subsidiar o Plano de Outorga que definiu as diretrizes da nova concessão.
Rodovias conectam economia no Semiárido nordestino
O trecho que foi concedido ao consórcio 116 Sertões atravessa 16 municípios entre o anel viário de Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE), ponto de cruzamento com a BR-232 e principal acesso terrestre ao Sertão pernambucano. Na Bahia, integram a concessão Abaré, Araci, Canudos, Chorrochó, Euclides da Cunha, Feira de Santana, Lamarão, Macururé, Quijingue, Santa Bárbara, Serrinha, Teofilândia e Tucano.
Em Pernambuco, estão Belém do São Francisco, Cabrobó e Salgueiro. O contrato prevê R$ 4,13 bilhões em obras de ampliação e modernização e R$ 4,40 bilhões em custos operacionais ao longo das três décadas de concessão.
Além da relevância industrial e urbana, a Rota dos Sertões também exerce papel fundamental para o agronegócio e para a economia do semiárido nordestino. Municípios como Euclides da Cunha possuem forte atividade agropecuária, com destaque para produção de feijão, milho, mandioca, apicultura e pecuária.
Feira de Santana também é ligado ao Centro Industrial do Subaé (CIS), considerado o terceiro maior polo industrial da Bahia, atrás apenas do CIA e do Polo de Camaçari, que depende do fluxo na BR-116 para poder escoar sua produção.
Rota dos Sertões terá melhorias estruturais
O projeto da Rota dos Sertões integra a Estruturação de Concessão de Rodovias Federais – 2, parceria entre o banco e o Ministério dos Transportes iniciada em 2020, e é o quinto lote levado a leilão no âmbito desse contrato.
Segundo o Ministério dos Transportes, o processo de controle social foi conduzido por meio da Deliberação nº 477, de 21 de novembro de 2024, na Audiência Pública nº 9/2024, com apresentação de contribuições sobre as minutas do edital e do contrato, o Programa de Exploração da Rodovia e os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental.
Também estão previstas no projeto de melhorias da Rota dos Sertões a duplicação de 108,2 km da BR-116, a implantação de 44,5 km de vias marginais, 7,1 km de contornos urbanos, 5 km de faixas adicionais, além de passarelas, dispositivos de acesso, sistemas inteligentes de monitoramento, serviços de atendimento ao usuário, ambulâncias, guinchos e um Ponto de Parada e Descanso (PPD) para caminhoneiros.
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