
Em 12 meses de operação, a Linha Santana movimentou mais de 103 mil TEUs (unidades equivalentes a um contêiner de 20 pés) pelo Porto do Pecém, o equivalente a 15% de toda a movimentação de contêineres do terminal cearense. O serviço marítimo, operado pela MSC, completou um ano em maio de 2026 e figura entre os maiores em volume do complexo portuário, consolidando uma conexão direta e regular entre o Ceará e os principais mercados da Ásia.
A MSC é a maior armadora de contêineres do mundo, com capacidade operacional superior a 6,6 milhões de TEUs e frota de mais de 1.000 navios conectando 500 rotas em 150 países. A presença da empresa no Pecém posiciona o porto cearense dentro da malha logística global de maior alcance do setor. O terminal encerrou 2025 com recorde histórico de 706.509 TEUs movimentados, alta de 27% sobre o ano anterior, com a Linha Santana como principal vetor da expansão.

Redução de 30 dias no trânsito
O impacto logístico mais direto da rota é a eliminação de 30 dias no tempo de trânsito de cargas oriundas da China com destino ao Ceará. Antes da operação da linha, uma carga que saía do Extremo Oriente podia levar até 70 dias para chegar ao Estado, percorrendo o Cabo da Boa Esperança, realizando conexão em portos do Sudeste e aguardando transporte por cabotagem até o Nordeste. “Hoje temos uma operação muito mais eficiente, previsível e competitiva”, afirmou o presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino.
A rota conecta o porto cearense a terminais na China, Coreia do Sul e Singapura, além de rotas na América Central e no Caribe. O perfil de transbordo representa cerca de 47% da operação, transformando o Pecém em ponto de redistribuição de cargas internacionais para as regiões Norte e Nordeste. Entre os principais produtos importados estão painéis solares, coque de petróleo, peças automotivas e cargas destinadas ao Polo Industrial de Manaus. Na exportação, que já representa entre 5% e 10% da movimentação da linha, destacam-se pedras ornamentais, óleos minerais e açaí.
Contexto geopolítico favorável
A consolidação da Linha Santana ocorre num cenário de reconfiguração das cadeias globais de suprimento provocada pela guerra tarifária entre Estados Unidos e China. Com tarifas americanas sobre produtos chineses chegando a 145% em 2025, armadoras e exportadores passaram a buscar rotas e mercados alternativos.
Os portos do Nordeste brasileiro emergiram como alternativa logística relevante nesse contexto: a conexão direta com a China reduziu o tempo de deslocamento entre o Extremo Oriente e o Ceará de 60 para 30 dias, favorecendo tanto a importação de maquinário e insumos quanto a exportação de produtos regionais.
A guerra tarifária também elevou os fretes na rota Ásia-Brasil, com preços chegando a US$ 3.300 por contêiner em 2025, segundo a consultoria Datamar, pressão que reforça a competitividade de rotas diretas com menor custo logístico.
Investimentos em Pecém
Para Max Quintino, o desempenho da rota reforça a capacidade do Pecém de atrair grandes serviços internacionais de longo curso. “O sucesso da Linha Santana comprova que o Pecém está preparado para receber grandes serviços internacionais de longo curso, ampliar fluxos comerciais e consolidar cada vez mais sua posição entre os principais hubs logísticos do país”, declarou.
O Complexo do Pecém tem uma série de investimentos em curso: o Terminal de Tancagem, com aporte de R$ 600 milhões, tem previsão de operação em 2027; o terminal da Transnordestina, com R$ 1,3 bilhão investido, deve iniciar em 2028, com meta de movimentar 6 milhões de toneladas já no primeiro ano.
O complexo é uma joint venture formada pelo Governo do Ceará e pelo Porto de Roterdã e concentra 79,8% da movimentação portuária do estado.
*Com informações do Governo do Ceará
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