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Tarifa da China deve pressionar preços da carne bovina no Brasil

Havendo maior oferta inerna, a tendência é de queda nos preços da carne no Brasil

De Recife
CEO do Movimento Econômico
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~4:06
  1. China impõe cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina brasileira para 2026.
  2. Brasil já atingiu 50% da cota anual, com preenchimento total esperado no primeiro semestre.
  3. Sobretaxa de 55% incidirá sobre exportações que ultrapassarem limite estabelecido pela China.
  4. ABIEC projeta queda de 10% nas exportações brasileiras totais de carne bovina em 2026.
  5. Excedente não exportado pressiona preços internos do boi gordo e carne ao consumidor.
Pecuária de corte impulsiona exportações de carne bovina
Estados Unidos, por outro lado, quer reduzir tarifas/ Foto: Divulgação

A imposição de cotas e sobretaxas pela China para a carne bovina brasileira deve provocar uma reorganização profunda do setor em 2026. O efeito mais imediato tende a ser uma desaceleração das exportações e um aumento da oferta no mercado interno, o que pode pressionar os preços do boi gordo e da carne ao consumidor no Brasil.

Segundo o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), o Brasil já atingiu 50% da cota anual de exportação de carne bovina para 2026. O limite definido pelos chineses é de 1,106 milhão de toneladas para este ano. Isso significa que cerca de 553 mil toneladas já foram embarcadas ou contabilizadas no sistema chinês.

Há expectativa de que a cota seja totalmente preenchida ainda no primeiro semestre. Quando isso ocorrer, as exportações brasileiras passarão a enfrentar uma sobretaxa adicional de 55%, aplicada sobre a tarifa normal de importação chinesa de 12%. Além disso, continuará incidindo o IVA chinês de 9%.

Queda potencial das exportações

O impacto tende a ser expressivo porque a China é, disparadamente, o principal destino da carne bovina brasileira. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, das quais 1,7 milhão de toneladas tiveram a China como destino, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Em 31 de dezembro de 2025, uma nova cota foi estabelecida pelo Ministério do Comércio da China (MOFCOM) nas medidas de salvaguarda, que passaram a valer em janeiro de 2026. O anúncio nº 87/2025 do MOFCOM criou um sistema de cotas por país para importações de carne bovina entre 2026 e 2028, com sobretaxa de 55% para volumes que ultrapassarem o limite estabelecido. No caso do Brasil, a cota definida foi 1,106 milhão de toneladas em 2026; 1,128 milhão em 2027; e 1,154 milhão em 2028.

Diante diso, a própria ABIEC já projeta uma queda de cerca de 10% nas exportações totais brasileiras de carne bovina em 2026. Isso significa uma retração potencial próxima de 350 mil toneladas nas vendas externas totais do país, considerando o volume exportado em 2025.

Efeito nos preços internos

Para o excedente que deixar de ser exportado, os produtores precisam direcionar a novos mercadas. Caso contrário, permanecerá no mercado brasileiro. E esse é o principal fator que pode provocar queda nos preços domésticos da carne bovina ao longo do segundo semestre.

Hoje, o boi gordo opera em um cenário relativamente firme, sustentado justamente pelas exportações aquecidas. Mas, com a desaceleração dos embarques para a China, frigoríficos devem reduzir o ritmo de compra de animais destinados ao mercado externo.

Carne no s Estados Unidos

Outro ponto que poe impactar o setor de carnes brasileiro é a que o governo dos Estados Unidos deve anunciar novas medidas para ampliar a oferta de carne bovina no mercado interno e reduzir a pressão inflacionária sobre os alimentos, em meio à alta histórica dos preços da proteína no país.

De acordo com informações publicadas pelo The Wall Street Journal, a Casa Branca avalia reduzir temporariamente as tarifas de importação da carne bovina. A proposta prevê a suspensão temporária da cota tarifária anual aplicada às importações, mecanismo que eleva as taxas cobradas após determinado volume de embarques ser atingido. Com a mudança, países exportadores poderão ampliar as vendas de carne bovina aos Estados Unidos com tarifas menores, facilitando a entrada de cortes e carne moída no mercado americano.

Com a medida, países exportadores passam a ter acesso ao mercado norte-americano com tarifas reduzidas para determinados volumes de carne bovina, o que tende a favorecer o aumento das vendas de cortes e carne moída aos Estados Unidos.

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