
A Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca (PE), estabeleceu em abril deste ano o maior volume de produção de diesel S-10 em dez anos: 385 milhões de litros, superando o recorde anterior de 373 milhões, registrado em julho de 2016. O resultado representa crescimento de aproximadamente 60% frente ao mesmo período do ano anterior, quando a unidade produziu 244 milhões de litros. O aumento vem ocorrendo gradualmente desde março, quando a refinaria elevou sua carga de processamento como medida preventiva diante das tensões geopolíticas globais.
O recorde tem impacto direto na economia pernambucana. O Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR) do Banco Central registrou alta de 6,97% em Pernambuco no acumulado do bimestre até fevereiro de 2026, colocando o estado na liderança entre todas as unidades da federação com dados disponíveis. Segundo o índice, a Rnest respondeu por parte relevante do crescimento pernambucano, ao lado do comércio e de outros segmentos industriais.
O avanço decorre da conclusão, em 2025, do projeto de Revisão e Ampliação (Revamp) do Trem 1, que elevou a capacidade de processamento da unidade de 115 mil para 130 mil barris por dia, estabelecendo o maior volume de carga processada da história da refinaria. A Rnest opera no Complexo Industrial Portuário de Suape e tem a maior taxa de conversão de petróleo cru em combustível entre as refinarias brasileiras: 70% do cru processado se transforma em derivados, com foco no diesel S-10 de baixo teor de enxofre.
Segurança energética e contexto geopolítico
Para o diretor executivo de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, o resultado integra uma estratégia deliberada da companhia diante do cenário de instabilidade internacional. “Faz parte do conjunto de ações estruturadas da Petrobras para mitigar potenciais impactos decorrentes de tensões no Oriente Médio. Com a ampliação da produção de diesel, a companhia reforça a capacidade de atendimento à demanda energética brasileira, reduzindo vulnerabilidades na cadeia global de suprimento de combustíveis”, afirmou.
Para o gerente geral da refinaria, Márcio da Silva Maia, o Revamp é apenas o primeiro passo de uma trajetória mais ampla. “O projeto do Revamp foi um importante marco para a refinaria, pois foi a primeira entrega de aumento de capacidade prevista no Plano de Negócios 2026-2030. Juntamente com o investimento previsto no Trem 2, somos responsáveis por mais de 50% de todo o aumento de capacidade no parque de refino previsto no Plano de Negócios. Isso significa mais combustíveis, segurança e oportunidades”, disse.
Trem 2 da Rnest: R$ 12 bilhões e meta para 2029
A Petrobras investirá R$ 12 bilhões para a conclusão do Trem 2 e demais atividades de manutenção do Trem 1. A ampliação adicionará 130 mil barris por dia à capacidade de processamento da Rnest, permitindo que a refinaria alcance 260 mil barris diários ao final do projeto, em 2029. O incremento elevará a produção de diesel S-10 em 88 mil barris por dia, além de gasolina, GLP e nafta, reduzindo a dependência de importações e fortalecendo a autonomia energética nacional. O diesel S-10 responderá por 70% da produção da unidade ampliada, atendendo 17% da demanda nacional do combustível.
No pico das obras, previsto para o segundo semestre de 2026, serão gerados cerca de 10 mil postos de trabalho diretos. Ao longo de todo o projeto, a estimativa é de 25 mil a 30 mil empregos diretos e indiretos, com pressão imediata sobre o mercado de mão de obra em Ipojuca e nos municípios vizinhos da Região Metropolitana do Recife. Já estão mobilizados 5,7 mil trabalhadores nas obras, distribuídos em serviços contratados com empresas como Consag, Tenenge, CPL, Possebon, Tecnosonda e Schneider Electric — parte dos nove contratos firmados pela Petrobras para a execução do Trem 2.
Plano de Negócios e transição energética
O compromisso da Petrobras com o segmento de Refino, Transporte e Comercialização (RTC) é central no planejamento estratégico da companhia. O Plano de Negócios 2026-2030 prevê investimentos de US$ 15,8 bilhões no segmento, com foco na ampliação de produtos de alto valor agregado, produtos de baixo carbono e modernização do parque industrial. A Rnest também receberá uma usina solar fotovoltaica com capacidade de 12 megawatts — equivalente ao consumo de cerca de 50 mil residências — como parte do esforço da Petrobras para reduzir emissões de carbono nas operações de refino.
*Com informações da Petrobras
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