
O custo da construção civil no Brasil avançou 0,72% em abril de 2026, segundo o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), divulgado nesta segunda-feira (12 de maio) pelo IBGE em parceria com a Caixa Econômica Federal. O resultado é o maior registrado para um mês de abril em duas décadas, desconsiderados os anos impactados pela pandemia de Covid-19, e representa aceleração de 0,35 ponto percentual frente à taxa de março (0,37%).
O custo nacional da construção por metro quadrado passou de R$ 1.932,27 em março para R$ 1.946,09 em abril, sendo R$ 1.098,80 relativos aos materiais e R$ 847,29 à mão de obra. O acumulado dos últimos 12 meses chegou a 7,01%, acima dos 6,73% registrados nos doze meses imediatamente anteriores. No ano, o Sinapi acumula alta de 2,89%.
Nordeste lidera a alta regional
A região Nordeste registrou a maior variação entre as cinco grandes regiões do país em abril, com alta de 0,98%, com alta em todos os estados e destaque para o Maranhão (2,99%), impulsionado por reajustes de acordos coletivos nas categorias profissionais da construção civil. As demais regiões registraram: Norte (0,58%), Sudeste (0,66%), Sul (0,61%) e Centro-Oeste (0,42%).
O maior índice mensal do país em abril foi registrado pelo Acre (3,89%), também sob efeito de acordo coletivo firmado nas categorias profissionais. Em seguida veio o Maranhão (2,99%). No Nordeste, o Rio Grande do Norte registrou 1,22%, o segundo maior da região. Os demais estados nordestinos tiveram as seguintes variações: Bahia (0,98%), Alagoas (0,74%), Pernambuco (0,58%), Sergipe (0,58%), Paraíba (0,27%), Piauí (0,36%) e Ceará (0,19%).
No acumulado de 12 meses, o Nordeste atingiu 7,89%, a maior taxa entre as regiões, com destaque para Maranhão (10,72%) e Paraíba (9,61%). O custo médio por metro quadrado no Nordeste em abril foi de R$ 1.828,03, o menor entre as cinco regiões. Em contrapartida, o Nordeste acumula 4,05% no ano, a maior variação regional acumulada em 2026.
Mão de obra pressiona mais do que materiais
A parcela dos materiais apresentou variação de 0,83% em abril, alta de 0,40 ponto percentual frente a março (0,43%) e de 0,52 ponto percentual em relação a abril de 2025 (0,31%). A mão de obra registrou 0,57%, alta de 0,26 ponto percentual frente a março (0,31%) e queda de 0,11 ponto percentual em relação a abril de 2025 (0,68%).
No acumulado de 12 meses, a mão de obra acumula 9,77%, quase o dobro da variação dos materiais no mesmo período (4,99%). No acumulado de 2026, os materiais somam 1,90% e a mão de obra, 4,19%. A disparidade entre os dois componentes reflete a pressão dos acordos coletivos anuais do setor, que concentram reajustes de piso em datas específicas por categoria e estado, gerando picos mensais de alta na mão de obra.
Com peso de cerca de 40% no custo agregado do Sinapi, a parcela da mão de obra tem grande influência sobre a variação do custo por metro quadrado calculada nos estados, segundo o gerente da pesquisa, Augusto Oliveira.
Impacto sobre orçamentos públicos
A elevação do Sinapi tem efeito direto sobre obras financiadas com recursos públicos federais, cuja referência de custos é obrigatoriamente o índice, por determinação do Decreto 7.983/2013 e da Lei de Licitações 14.133/2021. Para obras privadas, o índice funciona como referência de mercado.
O Sinapi foi criado em 1969 e tem como objetivo a produção de informações de custos e índices de forma sistematizada e com abrangência nacional, visando a elaboração e avaliação de orçamentos e o acompanhamento de custos. A próxima divulgação, referente a maio de 2026, está prevista para junho.
*Com informações do IBGE
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