
O diretor do Grupo Serra Grande, o empresário Luiz Antônio de Andrade Bezerra, inaugurou nesta segunda-feira (08) um monumento em homenagem ao centenário do etanol no Brasil na sede da usina, em São José da Laje, em Alagoas. O evento marcou os 100 anos do combustível verde e fez uma homenagem aos netos do engenheiro químico Salvador Lyra, que estava à frente da empresa, quando começou a ser produzido, em 1825, o Usga – um álcool combustível feito com tecnologia desenvolvida na Serra Grande.
A fabricação do Usga pela Serra Grande é considerado um marco na história do etanol no Brasil, segundo um dos maiores especialistas em setor sucroenergético, presidente e CEO da Datagro Consultoria, Plínio Nastari. O Grupo Serra Grande tem a usina de nome homônimo em Alagoas e a Trapiche, em Pernambuco.
Na época, o Usga chegou a ter bombas de abastecimento em Recife, Maceió, Garanhuns, e também na própria Serra Grande. “Foi uma inovação porque o Usga – tinha uma tecnologia própria – e vinha da usina para a bomba”, diz o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha. Ele também é presidente da NovaBio.
O uso do Usga foi descontinuado porque o transporte pela ferrovia tirou a competitividade do produto. Neste último século, os outros marcos do etanol foram o Proálcool – que estimulou os produtores a fabricarem mais etanol para driblar os preços altos do petróleo no mercado internacional – dando início ao uso do combustível em larga escala – e o carro flex em 2003, que deu ao consumidor a opção de colocar o etanol ou a gasolina.

O evento dos 100 anos do etanol lembrou todas as conquistas do combustível verde nos discursos de Luiz Antônio, Plínio Nastari, do presidente do Grupo EQM e do Movimento Econômico, Eduardo de Queiroz Monteiro, e do presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas, Pedro Robério.
“Hoje, 85% da frota do Brasil é flex. O grande desafio é aumentar o consumo do álcool hidratado, que não chega a 30% da frota”, afirma o presidente do Grupo EQM, Eduardo de Queiroz Monteiro. “O evento teve uma simbologia muito grande”, comentou o empresário, se referindo às homenagens e a todo o cuidado de preservação da memória existente na Serra Grande, que tem o museu do etanol. O Grupo EQM tem duas usinas: Cucaú, em Pernambuco, e Utinga, em Alagoas, e também faz a gestão da Usina Estivas, no Rio Grande do Norte.

Evento dos 100 anos do etanol homenageou a família de Salvador Lyra
O evento que marcou os 100 anos do etanol fez uma homenagem à família Lyra, dona da Usina Serra Grande até 1961. Entre eles estavam os netos de Salvador Lyra: Tereza, Ricardo e Guilherme, descendentes de João Lyra, e Ana Elizabeth Lyra, filha de Carlos Lyra, acompanhada do marido, o senador por Alagoas Fernando Farias (MDB).
Também foram entregues placas comemorativas em miniatura aos familiares de Salvador Lyra, convidados e produtores do setor.
Durante a celebração, destacou-se também a exibição de uma maria-fumaça em funcionamento, que percorreu parte da usina com vagões – imitando o transporte do álcool há 100 anos. O evento foi feito em parceria com o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas.

Atualmente, o etanol e seus subprodutos são apontados como uma solução para a descarbonização, com uso na produção de bioplásticos, e-metanol – combustível sustentável que vai abastecer navios -, SAF, combustível sustentável de aviação e até para a futura produção de hidrogênio.

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