
O prefeito de Petrolina, Simão Durando, fez um apelo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para garantir crédito emergencial aos produtores de frutas do Vale do São Francisco. A cobrança foi feita durante reunião no Rio de Janeiro com o presidente do banco, Aloizio Mercadante, promovida pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP).
Durando afirmou que a fruticultura irrigada da região está sob risco diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que elevou em até 50% as alíquotas de importação de diversos produtos brasileiros. Segundo ele, o impacto é imediato e ameaça o sustento de milhares de famílias.
“O prazo desse tarifaço foi muito cruel com a gente. A nossa manga está sendo colhida e o mercado interno não tem como absorver. Apenas neste mês, mais de 50 mil toneladas de frutas da nossa região estão prontas para exportação, com valor estimado em R$ 480 milhões. Mas para além disso, mais de 60% dos empregos da nossa terra estão ligados à fruticultura irrigada. Essa tarifa inviabiliza completamente nossas exportações e ameaça milhares de famílias que vivem da produção agrícola. Precisamos que soluções práticas e urgentes sejam implementadas”, afirmou o prefeito.
Vale do São Francisco em alerta
Petrolina e Juazeiro, no Sertão pernambucano e na Bahia, respectivamente, são responsáveis pela maior parte da exportação de frutas tropicais do Brasil. Entre agosto e outubro, a região tem programado o envio de 2.500 contêineres de manga e 700 contêineres de uva para o mercado norte-americano. Com o tarifaço, a operação ficou comprometida.
“Petrolina e as demais cidades do Vale do São Francisco são os maiores exportadores de produtos tropicais do Brasil, especialmente manga e uva. Esse tarifaço pegou o Vale de mãos atadas. Junto com o BNDES e a Frente, discutimos a dilatação de prazos e acesso ao crédito para pequenos, médios e grandes exportadores”, acrescentou Durando.
Medidas anunciadas pelo BNDES
O BNDES apresentou aos prefeitos a linha de crédito emergencial prevista no Plano Brasil Soberano, que prevê R$ 40 bilhões em financiamentos para empresas atingidas. Do total, R$ 30 bilhões serão garantidos pelo Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões virão de recursos próprios do banco. Os financiamentos terão um ano de carência, até dois anos para investimento e exigirão manutenção de empregos como condição contratual.
Segundo Mercadante, a expectativa é que as primeiras aprovações de crédito possam ocorrer já em setembro. “O BNDES já está em campo. Realizamos oficinas de crédito com bancos e cooperativas, e a orientação ao empresário é procurar o gerente de sua instituição financeira para acessar as linhas”, disse.
Setor estratégico
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que, em 2024, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram R$ 217 bilhões, com destaque para combustíveis, carnes, frutas e café. O Vale do São Francisco responde pela maior parte da produção de manga e uva destinadas ao mercado externo, consolidando-se como polo estratégico da balança comercial.
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