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Simão Durando pede ao BNDES crédito emergencial para Vale do São Francisco

Durante encontro no BNDES, prefeito de Petrolina, Simão Durando, alerta que tarifaço dos EUA ameaça milhares de empregos no setor frutícola
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No BNDES, o prefeito de Petrolina, Simão Durando, disse que o prazo do tarifaço foi muito cruel com os produtores da região do São Francisco Foto :Fernando Frazão/Agência Brasil
No BNDES, o prefeito de Petrolina, Simão Durando, disse que o prazo do tarifaço foi muito cruel com os produtores da região do São Francisco Foto :Fernando Frazão/Agência Brasil

O prefeito de Petrolina, Simão Durando, fez um apelo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para garantir crédito emergencial aos produtores de frutas do Vale do São Francisco. A cobrança foi feita durante reunião no Rio de Janeiro com o presidente do banco, Aloizio Mercadante, promovida pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP).

Durando afirmou que a fruticultura irrigada da região está sob risco diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que elevou em até 50% as alíquotas de importação de diversos produtos brasileiros. Segundo ele, o impacto é imediato e ameaça o sustento de milhares de famílias.

“O prazo desse tarifaço foi muito cruel com a gente. A nossa manga está sendo colhida e o mercado interno não tem como absorver. Apenas neste mês, mais de 50 mil toneladas de frutas da nossa região estão prontas para exportação, com valor estimado em R$ 480 milhões. Mas para além disso, mais de 60% dos empregos da nossa terra estão ligados à fruticultura irrigada. Essa tarifa inviabiliza completamente nossas exportações e ameaça milhares de famílias que vivem da produção agrícola. Precisamos que soluções práticas e urgentes sejam implementadas”, afirmou o prefeito.

Vale do São Francisco em alerta

Petrolina e Juazeiro, no Sertão pernambucano e na Bahia, respectivamente, são responsáveis pela maior parte da exportação de frutas tropicais do Brasil. Entre agosto e outubro, a região tem programado o envio de 2.500 contêineres de manga e 700 contêineres de uva para o mercado norte-americano. Com o tarifaço, a operação ficou comprometida.

“Petrolina e as demais cidades do Vale do São Francisco são os maiores exportadores de produtos tropicais do Brasil, especialmente manga e uva. Esse tarifaço pegou o Vale de mãos atadas. Junto com o BNDES e a Frente, discutimos a dilatação de prazos e acesso ao crédito para pequenos, médios e grandes exportadores”, acrescentou Durando.

Medidas anunciadas pelo BNDES

O BNDES apresentou aos prefeitos a linha de crédito emergencial prevista no Plano Brasil Soberano, que prevê R$ 40 bilhões em financiamentos para empresas atingidas. Do total, R$ 30 bilhões serão garantidos pelo Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões virão de recursos próprios do banco. Os financiamentos terão um ano de carência, até dois anos para investimento e exigirão manutenção de empregos como condição contratual.

Segundo Mercadante, a expectativa é que as primeiras aprovações de crédito possam ocorrer já em setembro. “O BNDES já está em campo. Realizamos oficinas de crédito com bancos e cooperativas, e a orientação ao empresário é procurar o gerente de sua instituição financeira para acessar as linhas”, disse.

Setor estratégico

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que, em 2024, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram R$ 217 bilhões, com destaque para combustíveis, carnes, frutas e café. O Vale do São Francisco responde pela maior parte da produção de manga e uva destinadas ao mercado externo, consolidando-se como polo estratégico da balança comercial.

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