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Peças do Piauí inspiradas em arte rupestre chegam a lojas e museus

Com produção totalmente artesanal, a Cerâmica Serra da Capivara fabrica cerca de 10 mil peças por mês e leva arte rupestre do Piauí para a Tok&Stok e o Masp
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Cerâmica Serra da Capivara, localizada em Coronel José Dias, no Piauí
Cerâmica Serra da Capivara fabrica cerca de 10 mil peças por mês, incluindo itens utilitários, como pratos, copos e travessas. Foto: Governo do Piauí/Divulgação

Por Amanda Costa, do Piauí Negócios

A Cerâmica Serra da Capivara, localizada em Coronel José Dias, no Piauí, não é apenas um símbolo da tradição artesanal e da arte rupestre do Parque Nacional Serra da Capivara, mas também um exemplo de como a produção local pode conquistar grandes mercados nacionais. Com 31 anos de história, a fábrica transformou a riqueza cultural da região em peças únicas que atraem clientes de peso, como a rede Tok&Stok e o Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Segundo Marcos Oliveira, diretor da fábrica, a parceria com a Tok&Stok, grande empresa brasileira de varejo de móveis e decoração, é consolidada e ocorre de forma mensal, garantindo estabilidade e reconhecimento para a produção local. Já o Masp adquire peças há cada dois meses, dependendo do fluxo de vendas, mas também representa um canal estratégico para levar a arte piauiense a novos públicos.

“É muito gratificante trabalhar com cerâmica e saber que nosso trabalho é reconhecido em todo o Brasil. Não só produzimos cerâmica, mas agregamos valor a ela ao incorporar a arte rupestre da Serra da Capivara. Estamos ajudando a divulgar o parque e nossa cultura através das peças”, ressalta Oliveira.

Cerâmica do Piauí mantém legado de Niède Guidon

A Cerâmica Serra da Capivara fabrica cerca de 10 mil peças por mês, incluindo itens utilitários, como pratos, copos e travessas, e objetos decorativos que reproduzem as pinturas rupestres do parque. A fábrica gera emprego para mais de 60 pessoas, sendo 41 artesãos e outros profissionais que atuam na loja, no escritório e na embalagem, mostrando seu impacto direto na economia local.

O processo de produção é totalmente artesanal. Desde o preparo da argila, que passa por decantação, secagem e limpeza, até a modelagem, que pode ser feita em torno, formas ou com placas. Após a primeira queima, as peças são esmaltadas com minérios naturais, recebem a pintura inspirada nas figuras rupestres e passam por uma segunda queima a 1.240?°C, adquirindo cor, brilho e resistência.

Apesar da perda recente de figuras importantes para a história da fábrica, como a administradora Girleide Oliveira e a arqueóloga Niède Guidon, o legado permanece vivo. A equipe segue fortalecendo a presença da cerâmica no mercado nacional, mostrando que investir em produtos que combinam cultura e design pode gerar oportunidades de desenvolvimento local e visibilidade em grandes centros de consumo.

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