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Ramal da ferrovia pode impactar toda a economia do Vale do São Francisco

O impacto do trecho Petrolina-Salgueiro foi discutido por técnicos, políticos e academia no segundo encontro do Conexões Transnordestina
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Patricia Raposo (ao centro), representando o Grupo EQM e o Movimento Econômico, reuniu autoridades de Estado e municipais, reitores, técnicos e a sociedade civil em Petrolina para debater o ramal Petrolina-Salgueiro, que pretende integrar o Vale do São Francisco à Ferrovia Transnordestina

Lideranças do Vale do São Francisco se reuniram, nesta quarta-feira (13), em Petrolina, para debater a viabilidade de um ramal ligando Petrolina a Salgueiro, entroncamento da Ferrovia Transnordestina no Sertão Central. Para os participantes do seminário Conexões Transnordestina – A Ferrovia que Mudará Pernambuco, o ramal pode impactar toda a economia do Vale do São Francisco. O evento é uma iniciativa do portal Movimento Econômico, com patrocínio da Sudene e do Governo de Pernambuco e ocorreu na sede do CDL de Petrolina.

“O ramal ferroviário Petrolina-Salgueiro vai gerar negócios para um futuro promissor. O nosso interesse é ter um plano de trabalho para que esse ramal e o trecho Salgueiro-Suape saiam do papel e integrem o Nordeste a outras infraestruturas”, disse o coordenador geral de Estudos e Pesquisas, Avaliação e Tecnologia e Inovação da Sudene, José Farias, que foi um dos debatedores do evento.

A Sudene fez um convênio com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para atualização dos estudos técnicos do trecho ferroviário entre Petrolina e Salgueiro. “A nossa intenção é finalizar este estudo ainda este ano”, comenta o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, que também participou do seminário como debatedor.

O estudo vai mostrar os custos do trecho Salgueiro-Petrolina, os impactos ambientais, entre outras informações que serão usadas, posteriormente, nos futuros projetos básico e executivo do ramal Petrolina-Salgueiro. Alfredo informou também que localizou o projeto original, com mais de 250 caixas do trecho Petrolina-Salgueiro e que as informações serão digitalizadas. O trecho Petrolina-Salgueiro começou a ser implantado no início da década de 1990, mas foi paralisado por falta de recursos em 1992. Só chegou a ser realizada uma parte da terraplenagem.

A ferrovia e o Vale do São Francisco

Também debatedor no evento, o consultor em fruticultura Júnior Silvestre disse que o Vale do São Francisco “tem grandes oportunidades de crescimento”. No ano passado, o Vale exportou cerca de US$ 480 milhões em frutas. O executivo argumenta que a melhoria da logística – com a implantação do trecho férreo Salgueiro-Petrolina “potencializaria” toda a economia da região.

Ele argumentou que a ferrovia também também impactaria os insumos comprados pelos produtores do Vale. “Somos um importador de embalagens. Se elas vierem pelo trem isso se traduz em mais competitividade”, comentou, acrescentando “é muito importante ter outras opções de logística”.

A intermodalidade e as vantagens que isso pode trazer ao Vale do São Francisco e a Pernambuco também foi a tônica do debate, sendo abordado na apresentação do professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) Rafael Amorim Viana. “A China é barata porque tem complementaridade entre os modais. No Brasil, 61% do transporte depende do modal rodoviário”, comentou. O rodoviário é o meio de transporte mais caro.

Integração com hidrovia

O professor mostrou que os modais de transporte mais baratos, como o trem e a cabotagem (navegação entre os portos brasileiros) correspondem, respectivamente, a 21% e 12% de tudo que é transportado no País. “O grande desafio é a intermodalidade e fazer a integração com a hidrovia”, comentou Viana. A hidrovia do São Francisco está desativada, mas se estende por mais de 1.300km começando na cidade de Pirapora, em Minas Gerais e indo até Petrolina.

Importância de adesão ao debate

Durante o evento, vários participantes ressaltaram a importância de adesão ao debate de defesa da Ferrovia Transnordestina. “Vimos aqui no evento que o Vale tem carga suficiente para que viabilizaria o ramal Petrolina-Salgueiro. É importante esta discussão para colher opiniões diversas, sugestões, seja da academia, dos políticos, dos técnicos em torno de um projeto fundamental para melhorar a competitividade de Pernambuco. Em 2032, vão acabar os incentivos fiscais e os estados com melhor infraestrutura vão se destacar na atração de investimentos”, afirmou a CEO do Movimento Econômico, Patrícia Raposo, representando também o presidente do Movimento Econômico, o empresário Eduardo de Queiroz Monteiro.

Também compareceu ao evento o ex-superintendente da Sudene, Danilo Cabral: “Não é justo que este projeto tenha o crescimento de forma desequilibrada. Queremos fazer um debate técnico, mas o que vai fazer a obra andar é a mobilização política no sentido republicano”, destacou Danilo. Ele defendeu que as obras da Transnordestina devem ocorrer nos três estados: em Pernambuco, no Ceará e no Piauí.

Disputa política

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti, também falou da necessidade de interligar a futura ferrovia Salgueiro-Suape com outras conexões como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), projeto que vai ligar o Porto de Ilhéus, na Bahia, a Figueirópolis, em Tocantins, se conectando a Ferrovia Norte-Sul, que vai cortar o Brasil no sentido vertical. “Essa disputa é política. Estamos todos no mesmo palanque em defesa da Transnordestina em Pernambuco”, declarou, convocando o envolvimento dos pernambucanos.

O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, também afirmou: “Precisamos que as lideranças do Estado deem os braços para que este projeto saia do papel, porque depende da decisão política”.

Licitação das obras sairá no segundo semestre

O diretor de Empreendimentos da Infra. S. A., André Luís Ludolfo, confirmou que o edital para a licitação das obras do trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina vai ser licitado no segundo semestre deste ano. Cerca de 38% dos 544 km do trecho estão concluídos. O primeiro trecho a ser licitado vai ser o de 73 km, o lote SPS 4, entre Custódia e Arcoverde.

Ludolfo disse que a TLSA enviou os projetos para a Infra e que também serão aproveitados os licenciamentos ambientais feitos pela antiga concessionária, do SP1 ao SP7, que vão de Salgueiro até o município de Belém de Maria, na Mata Sul.

Os projetos executivos que estão sendo elaborados são os trechos SP8, de Belém de Maria a Ribeirão, e o SP9, que vai de Ribeirão ao Porto de Suape. “Estamos cumprindo tudo que é necessário para que esta obra seja linear e comece com tudo que é necessário”, resumiu Luiz Adolfo. A previsão da Infra é de que as obras do trecho Salgueiro-Suape sejam concluídas até 2029 e a estimativa é de que o empreendimento custe R$ 3,5 bilhões.

Atualmente, a Ferrovia Transnordestina está com o trecho Eliseu Martins-Pecém em obras com financiamentos aprovados pela Sudene, enquanto o trecho Salgueiro-Suape está com as obras paralisadas desde 2016.

Petrolina foi o segundo encontro do Seminário Conexões Transnordestina. O terceiro será em Araripina, nesta sexta-feira (15). Depois o projeto itinerante vai passar por mais quatro cidades: São Bento do Una, Belo Jardim, Caruaru e Recife.

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