
A Petrobras reajustou em 55% o preço do querosene de aviação (QAV), em resposta à escalada do barril de petróleo tipo Brent, que passou de cerca de US$ 70 para pouco acima de US$ 101 após o início do conflito militar entre Estados Unidos, Israel e Irã em 28 de fevereiro. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (1º) pela estatal e os novos valores constam nas tabelas de preços publicadas pela companhia junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), cumprindo exigência da Resolução ANP nº 795/2019.
À tarde, a Petrobras divulgou que vai parcelar o reajuste de 54,8% anunciado para o querosene de aviação (QAV). Distribuidoras que atendem à aviação comercial poderão optar por pagar apenas 18% de aumento e parcelar a diferença em até seis vezes, a partir de julho.
No Nordeste, os dois pontos de fornecimento direto da Petrobras acumulam os maiores preços da série desde 2022. Em Ipojuca (PE), onde está localizada a Refinaria Abreu e Lima, o preço na modalidade ETM (Entrega no Tanque de Destino Marítimo) passou de R$ 3.651,10/m³ em março para R$ 5.625,10/m³ em abril, alta de R$ 1.974,00/m³ — variação de 54% em um único mês. Em Fortaleza (CE), ponto de entrega no terminal marítimo da estatal, o avanço foi de R$ 3.553,00/m³ para R$ 5.498,30/m³, incremento de R$ 1.945,30/m³ ou 54,7%. Os preços da tabela são praticados sem tributos, à vista.
O reajuste de 55% em abril é o maior registrado mensalmente desde junho de 2022, quando o mercado absorvia o choque da guerra na Ucrânia e os valores chegaram a superar R$ 5.500/m³ nos pontos nordestinos — patamar que agora voltou a ser ultrapassado. Em fevereiro de 2026, o QAV havia recuado 1% frente ao mês anterior. Em março, o reajuste médio foi de 9%, primeiro reflexo do conflito no Oriente Médio sobre a tabela da estatal.
Querosene de aviação como fator estrutural de custo
O QAV é o principal insumo variável das companhias aéreas. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), combustíveis respondem por cerca de 30% dos custos totais das empresas do setor. O mercado brasileiro tem estrutura concentrada: a Petrobras detém aproximadamente 85% da produção nacional do combustível, embora o segmento seja formalmente aberto à livre concorrência, com possibilidade de participação de produtoras e importadoras independentes.
O ciclo de reprecificação é mensal e ocorre sempre no primeiro dia do mês. A tabela publicada nesta quarta abrange 14 pontos de venda em todo o país. Os reajustes na atual vigência variam entre 53,4% e 56,3% conforme a localidade, com as praças nordestinas posicionadas no intervalo central da variação nacional. O modelo de distribuição do QAV opera em etapas: a Petrobras vende às distribuidoras, que transportam e revendem às companhias aéreas e demais consumidores finais nos aeroportos.

Origem do choque e exposição logística do Nordeste
O conflito iniciado em 28 de fevereiro de 2026 comprometeu rotas estratégicas do Oriente Médio, em especial o Estreito de Ormuz, corredor por onde transita 20% da produção mundial de petróleo. A perturbação gerou desequilíbrio na oferta global e elevou o Brent de cerca de US$ 70 para pouco acima de US$ 101 desde o início das operações militares.
Para o Nordeste, o impacto tem dimensão logística adicional. A região opera com dois terminais de abastecimento primário da Petrobras — Fortaleza e Ipojuca — e depende do escoamento marítimo para distribuição de combustível aos aeroportos do interior. Variações nos preços ex-refinaria elevam o custo ao longo de toda a cadeia, com absorção pelas distribuidoras que operam nos aeroportos regionais de Recife, Fortaleza, Salvador, Natal, João Pessoa, Maceió, Teresina e São Luís.
A nova tabela tem vigência imediata. A próxima revisão obrigatória está fixada para 1º de maio, seguindo o calendário mensal estabelecido pela regulação da ANP.
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