
Os nove estados do Nordeste ocuparam as posições mais baixas no ranking nacional de rendimento domiciliar per capita em 2025, divulgado nesta sexta-feira (27/02) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). A média nacional ficou em R$ 2.316 — avanço de 11,9% sobre os R$ 2.069 registrados em 2024 —, mas nenhum estado nordestino chegou a dois terços desse valor.
O Rio Grande do Norte liderou a região com R$ 1.819, seguido por Sergipe (R$ 1.697), Pernambuco (R$ 1.600), Piauí (R$ 1.546), Paraíba (R$ 1.543), Bahia (R$ 1.465), Alagoas (R$ 1.422), Ceará (R$ 1.390) e Maranhão (R$ 1.219) — o menor rendimento entre todas as 27 unidades da federação.
O Ceará registrou R$ 1.390 — valor inferior ao do Acre (R$ 1.392) e praticamente igual ao do Pará (R$ 1.420), estados da região Norte historicamente associados a baixos indicadores sociais. A distância entre o topo e a base do ranking nacional expõe a magnitude da desigualdade regional. O Distrito Federal, com R$ 4.538, registrou renda 3,7 vezes superior à do Maranhão e 2,5 vezes superior à do Rio Grande do Norte, o estado nordestino de melhor desempenho.
Dos dez estados com rendimento acima da média nacional, nenhum pertence ao Nordeste: o bloco inclui DF, São Paulo (R$ 2.956), Rio Grande do Sul (R$ 2.839), Santa Catarina (R$ 2.809), Rio de Janeiro (R$ 2.794), Paraná (R$ 2.762), Mato Grosso do Sul (R$ 2.454), Goiás (R$ 2.407), Minas Gerais (R$ 2.353) e Mato Grosso (R$ 2.335) — todos das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
Rendimento nominal mensal domiciliar per capita da população residente,
segundo as Unidades da Federação – 2025
| Unidades da Federação | Rendimento nominal mensal domiciliar per capita da população residente (R$) |
|---|---|
| Brasil | 2.316 |
| Rondônia | 1.991 |
| Acre | 1.392 |
| Amazonas | 1.484 |
| Roraima(1) | 1.878 |
| Pará | 1.420 |
| Amapá | 1.697 |
| Tocantins | 2.036 |
| Maranhão | 1.219 |
| Piauí | 1.546 |
| Ceará | 1.390 |
| Rio Grande do Norte | 1.819 |
| Paraíba | 1.543 |
| Pernambuco | 1.600 |
| Alagoas | 1.422 |
| Sergipe | 1.697 |
| Bahia | 1.465 |
| Minas Gerais | 2.353 |
| Espírito Santo | 2.249 |
| Rio de Janeiro | 2.794 |
| São Paulo | 2.956 |
| Paraná | 2.762 |
| Santa Catarina | 2.809 |
| Rio Grande do Sul | 2.839 |
| Mato Grosso do Sul | 2.454 |
| Mato Grosso | 2.335 |
| Goiás | 2.407 |
| Distrito Federal | 4.538 |
| Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Pesquisas por Amostra de Domicílios, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua – 2025. Nota (1): Em cumprimento ao Mandado de Segurança – Ação Judicial nº 1000261-89.2020.4.01.4200, o valor de Roraima é R$ 1.764. | |
Dado define rateio do FPE para o Nordeste
A divulgação atende à Lei Complementar 143/2013, que estabelece os critérios de rateio do Fundo de Participação dos Estados (FPE) — mecanismo de transferência constitucional da União para os estados. Os valores do rendimento domiciliar per capita determinam diretamente o coeficiente de cada unidade da federação no cálculo do fundo, tornando o indicador um instrumento de política fiscal com impacto direto nas receitas estaduais.
A trajetória de crescimento da renda média no país é consistente: R$ 1.625 em 2022, R$ 1.893 em 2023, R$ 2.069 em 2024 e R$ 2.316 em 2025 — alta acumulada de 42,5% em três anos. O Nordeste acompanhou a recuperação, mas sem reduzir proporcionalmente a distância em relação ao restante do país.
O rendimento domiciliar per capita é calculado pelo IBGE como a razão entre o total dos rendimentos domiciliares nominais — incluindo trabalho e outras fontes — e o total de moradores, com base nas primeiras visitas da PNAD Contínua realizadas nos quatro trimestres do ano de referência.
A metodologia retornou ao padrão das primeiras visitas a partir de 2023, após ter adotado as quintas visitas em 2020, 2021 e 2022 em razão das distorções geradas pela pandemia de Covid-19 nas taxas de aproveitamento da coleta.
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