
Pernambuco está a poucos passos de consolidar um novo e lucrativo nicho econômico: o turismo de observação de aves. Nesta quinta-feira (26), um encontro no Instituto Autoimune serviu como uma amostra estratégica para o que o mercado encontrará entre os dias 17 e 21 abril, durante o Avistasse?! – I Congresso Pernambucano de Observação de Aves. O evento, que ocorrerá no Parque Estadual de Dois Irmãos, no Recife, incentiva a nova prática turística e quer inseri-la como destino certo de um setor que movimenta desde a hotelaria até a venda de equipamentos ópticos de alta precisão.
”O objetivo do congresso é dar o pontapé inicial nesse movimento em Pernambuco. Queremos reunir quem já tem experiência e trazer referências como o fundador do Avistar, o maior evento da América Latina, que em São Paulo chega a reunir 16 mil pessoas”, explica Ludmila Portela, da Aviva Ecoatividades.
Segundo ela, o encontro de abril é a peça que faltava para conectar a riqueza natural do interior pernambucano à cadeia produtiva do turismo. Pernambuco catalogou mais de 500 espécies de aves.
R$ 500 mil para destravar o potencial do interior
O congresso de abril chega em um momento de suporte institucional. Um edital de R$ 500 mil, aprovado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), será o combustível para estruturar roteiros e capacitar guias. O foco é transformar o conhecimento de quem já vive no campo em uma ferramenta profissional de atendimento.
Para Valdemar Lopes, guia de turismo que atua no Cabo de Santo Agostinho, a preparação é urgente. “É uma demanda mundial e Pernambuco tem muitos elementos, como resquícios de Mata Atlântica e Caatinga. O guia precisa estar pronto para atender um público qualificado, que busca aves específicas e exige um conhecimento técnico profundo do ambiente”, afirma.
O fim da dependência do “sol e mar”
Um dos principais trunfos que serão debatidos no Avistasse?! é a capacidade da observação de aves de combater a sazonalidade. Diferentemente do turismo convencional, o observador de aves viaja o ano todo, gasta mais nos destinos e busca experiências em locais preservados.
Ludmila Portela exemplifica com o impacto real já testado em Pesqueira: enquanto pousadas do Agreste costumam esvaziar nos meses de calor intenso, o birdwatching mantém a ocupação ativa.
“Levei um grupo de 12 observadores para uma consultoria em uma pousada que ficava parada nessa época. Eles fazem fotos, consomem e geram renda. É o negócio do futuro, focado na economia verde”, destaca.
Polo hoteleiro e diversificação
A estratégia que será detalhada no congresso também envolve gigantes do setor, como Porto de Galinhas. O balneário, que, segundo Ludmila, possui mais leitos do que o Recife, tem áreas de alagados com aves raras que atraem estrangeiros. A meta é diversificar a oferta: quem vem pelo sol pode acabar ficando mais tempo para observar a fauna, aumentando a média de ocupação anual do estado.
Cidades como Gravatá, Caruaru, Garanhuns e o Vale do Catimbau — onde mais de 40 guias já aguardam qualificação — são os alvos imediatos dessa nova rota que une lucro e conservação ambiental. O Avistasse?! é uma realização do Aviva Ecoatividades em parceria com o Instituto Autoimune.
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