
A combinação de barreiras comerciais impostas pela China e pela União Europeia pode provocar mudanças relevantes no mercado de carnes brasileiro em 2026. Se por um lado as medidas representam um duro golpe para frigoríficos e pecuaristas exportadores, por outro tendem a aumentar a oferta de proteína no mercado interno, criando um ambiente favorável para queda no preço da carne bovina ao consumidor brasileiro ao longo do segundo semestre.
A China, principal destino da carne bovina nacional, decidiu impor cotas e sobretaxas às exportações brasileiras até 2028. O limite estabelecido para 2026 é de 1,106 milhão de toneladas e metade desse volume já foi utilizada, segundo o Ministério do Comércio chinês (MOFCOM). A expectativa é que a cota seja totalmente preenchida ainda no primeiro semestre. A partir daí, todo volume adicional exportado passará a pagar sobretaxa de 55%, além da tarifa normal de 12% e do IVA de 9%.
O impacto é expressivo porque, em 2025, das 3,5 milhões de toneladas de carne bovina exportadas pelo Brasil, cerca de 1,7 milhão tiveram a China como destino, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Diante do novo cenário, a entidade já projeta retração próxima de 10% nas exportações totais brasileiras em 2026.
Isso significa que parte importante da produção deixará de ser absorvida pelo mercado externo. O efeito mais imediato tende a ser aumento da oferta doméstica. Como o preço do boi gordo hoje é sustentado principalmente pelo forte ritmo das exportações, uma desaceleração nos embarques pode reduzir a pressão compradora dos frigoríficos e provocar acomodação nos preços.
EUA querem carne
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos caminham na direção oposta da China. O governo norte-americano estuda reduzir temporariamente tarifas de importação de carne bovina para conter a inflação dos alimentos. A medida pode abrir espaço para o aumento das exportações brasileiras aos EUA, mas dificilmente compensará integralmente a perda chinesa, maior comprador da carne brasileira.
Além disso, o setor enfrenta nova pressão da União Europeia, que decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano a partir de setembro. A alegação é falta de garantias sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.
Se as exportações desacelerarem como o setor projeta, o consumidor brasileiro pode finalmente sentir algum alívio no preço da carne. Mas esse movimento positivo para o bolso da população virá acompanhado de maior pressão sobre produtores, frigoríficos e toda a cadeia pecuária nacional, que precisará buscar novos mercados e investir mais em rastreabilidade e adequação sanitária para preservar competitividade global.
Livre de contrabando
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, justificou o fim da taxa das blusinhas argumentando que “o contrabando foi eliminado” graças à referida taxa. Algo que nem criança acredita.
CNC Innovation Day
Inovação, cenário econômico e turismo estarão em debate durante o CNC Innovation Day, dentro da programação da Semana S 2026, na próxima sexta-feira (15), no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem. Promovido pela CNC e realizado em Pernambuco pela Fecomércio-PE, o evento reunirá empresários em torno de temas ligados à transformação digital, inteligência artificial e tendências de mercado. A programação incorpora ainda os eventos “Global Voices” e “Vai Turismo”, ampliando as discussões sobre negócios e desenvolvimento do setor produtivo.
Vela brasileira
O escritório Queiroz Cavalcanti Advocacia assessorou a Confederação Brasileira de Vela (CBVela) na criação do Instituto Brasil Vela de Alto Rendimento. É uma entidade que vai promover a prática desse esporte de mar aberto no país, com foco na formação de atletas e a conquista de resultados em competições internacionais, especialmente em Jogos Olímpicos.
AIRES
Na próxima semana, Mariana Pontes, presidente Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) cumpre agenda com a Universidade de Artes de Londres, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Agência Francesa de Desenvolvimento, com foco na formulação de soluções para cidades mais inteligentes e sustentáveis. A ARIES também integrará a delegação pernambucana da Cooperação Recife-Nantes, iniciativa de intercâmbio técnico e cultural que aproxima as duas cidades por meio da troca de experiências e projetos estratégicos.
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