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EUA retiram 56 mil toneladas do Norte-Nordeste na cota de açúcar bruto exportado

USTR corta parcela brasileira de 155,9 mil para 100 mil MTRV no ano fiscal 2027. Perda recai sobre 50 usinas do Norte-Nordeste e compromete até R$ 250 milhões por safra de açúcar
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  1. EUA reduz cota brasileira de açúcar bruto em 56 mil toneladas para ano fiscal 2027.
  2. Cinquenta usinas nordestinas perdem acesso ao mercado preferencial norte-americano a partir de outubro.
  3. Redução compromete aproximadamente um terço da receita anual estimada entre R$ 600 e 700 milhões.
  4. Exportação fora da cota preferencial torna-se inviável com tarifa de 101% acrescida de 25%.
  5. Setor nordestino gera mais de 250 mil empregos diretos e indiretos na cadeia produtiva.
exportação de açúcar norte e nordeste cota estados unidos
Toda a cota brasileira de açúcar bruto para os Estados Unidos é performada por usinas do Norte e do Nordeste, com embarques exclusivamente a partir de Recife e Maceió. Foto: Agência Brasil

Cinquenta usinas do Norte e do Nordeste perderão acesso a 55.993 toneladas métricas de açúcar bruto no mercado norte-americano a partir de outubro, o que compromete cerca de um terço da receita gerada pela cota preferencial, estimada pelo setor entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões por ano-safra. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) cortou a parcela brasileira na cota tarifária de 155.993 para 100 mil toneladas métricas em valor bruto (MTRV) no ano fiscal 2027, segundo documento publicado nesta quinta-feira (23). “É mais uma imprevisibilidade do governo norte-americano”, afirmou ao Movimento Econômico o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) e CEO da NovaBio — Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia, Renato Cunha, que classificou a decisão como uma “quebra na rotina”, com motivações que ultrapassam questões técnicas.

A cota é operada exclusivamente por usinas do Norte e do Nordeste, segundo a Lei nº 9.362/1996, que reserva a essas regiões a exportação de derivados de cana para mercados preferenciais. Segundo Cunha, as 55.993 MTRV retidas poderão retornar ao Brasil ou ser encaminhadas a outros países do grupo de 39 contemplados pela cota, com definição prevista antes de outubro. O presidente do Sindaçúcar Alagoas, Pedro Robério Nogueira, estimou perda de receita de 80% sobre o volume redirecionado ao mercado mundial, o equivalente a cerca de US$ 32 milhões, porque o preço norte-americano é significativamente superior ao internacional.

Segundo Nogueira, Alagoas responde por metade desse volume. Exportar açúcar para os EUA fora da cota preferencial é inviável: a tarifa fora da cota alcança 101% e agora será acrescida de 25%. O dirigente lembrou que o efeito da taxação de 50%, aplicada anteriormente, foi atenuado por decisão da Suprema Corte norte-americana, e o governo a substituiu por 10%, mas a alíquota atual de 25% terá efeito mais danoso sobre o setor.

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Renato Cunha disse que a diminuição pode ser momentânea ou duradoura e que o setor acompanhará os desdobramentos. “Os Estados Unidos costumam, nessa época, estudar as suplementações e sempre puderam contar com o Nordeste em credibilidade, qualidade e agilidade na entrega”, afirmou o dirigente ao Movimento Econômico em novembro de 2025, destacando os investimentos feitos por usinas da região em terminais voltados ao mercado norte-americano.

A rota entre os portos de Recife (PE) e Maceió (AL) e refinarias na Flórida, consolidada desde os anos 1960, percorre mais de 6 mil quilômetros em cerca de dez dias por via marítima. A cadeia produtiva envolvida gera mais de 250 mil empregos diretos e indiretos nas duas regiões. Na proporção da receita estimada por Cunha para a cota integral de 155.993 MTRV, o volume suprimido compromete entre R$ 215 milhões e R$ 250 milhões em faturamento.

Corte recai sobre uma única parcela

No ano fiscal 2026, anunciado em 15 de agosto de 2025, o USTR havia distribuído a totalidade das 1.117.195 MTRV entre os mesmos 39 países, com base em embarques históricos, e a parcela brasileira era de 155.993 MTRV. No ano fiscal 2027, as parcelas dos demais 38 países permanecem idênticas: República Dominicana com 189.343 MTRV, Filipinas com 145.235 MTRV e Austrália com 89.293 MTRV, entre outros. A diferença de 55.993 MTRV recai inteiramente sobre o Brasil.

A quantidade total da cota norte-americana de açúcar bruto permaneceu em 1.117.195 MTRV, piso ao qual os Estados Unidos se comprometeram junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). O USTR distribuiu, nesta nova rodada divulgada nesta quinta-feira, 1.061.202 MTRV. As 55.993 MTRV restantes serão alocadas antes de 1º de outubro de 2026, data de início do ano fiscal, sem indicação de destino. A quantidade in-quota foi estabelecida em 14 de julho de 2026 pelo Foreign Agricultural Service do USDA, e a distribuição por país, publicada pelo USTR nove dias depois. No documento do ano fiscal 2027, o USTR não incluiu a menção a embarques históricos como critério de distribuição, presente no documento do exercício anterior.

Açúcar refinado sem volume extra

O mesmo documento fixou a cota de açúcar refinado do ano fiscal 2027 em 22 mil MTRV: 10.300 MTRV para o Canadá, 2.954 MTRV para o México e 7.090 MTRV por ordem de chegada. A parcela de 1.656 MTRV de açúcar especial (specialty sugar) também será administrada por ordem de chegada.

No ano fiscal 2025, o USDA havia adicionado 210 mil MTRV de specialty sugar à cota de refinado, importações das quais o Brasil respondeu por quase 50%. No ano fiscal 2026, o órgão optou por não acrescentar volume extra. Para produtos contendo açúcar, a cota total é de 64.709 toneladas métricas, das quais 59.250 foram destinadas ao Canadá e 5.459 ficam disponíveis para os demais países por ordem de chegada. A entrada sob as cotas do ano fiscal 2027 será permitida a partir de 1º de outubro de 2026.

Leia mais: Exportações do Nordeste alcançam US$ 782,5 mi após acordo Mercosul-União Europeia

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