
Os primeiros resultados das exportações nordestinas para a União Europeia em maio e junho de 2026 aumentaram 16,3% em relação o mesmo período do ano passado. Os números mostram que a região mantém uma posição estratégica no comércio internacional justamente no momento em que começa a vigorar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
Embora os dados do sistema Comex Stat, do Ministério do do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) representem apenas um recorte bimestral, eles confirmam tendências consolidadas ao longo de 2025 e evidenciam tanto a força de setores tradicionais quanto a dependência de determinadas commodities.
Os dados mais recentes indicam que, apesar das diferenças entre os estados, o Nordeste continua ocupando posições relevantes no abastecimento europeu de alimentos, produtos industriais e matérias-primas.
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Exportações consolidam setor de alimentos
Poucas cadeias produtivas simbolizam tão bem a relação entre Nordeste e Europa quanto a fruticultura irrigada. Pernambuco e Rio Grande do Norte continuam desempenhando papel central nesse mercado, reforçando a imagem da região como uma das principais fornecedoras de frutas frescas para o continente europeu.
Em Pernambuco, as frutas e nozes lideraram as exportações no bimestre, movimentando US$ 32,2 milhões. O desempenho reforça uma tendência observada em 2025, quando mangas, uvas e limões consolidaram os Países Baixos entre os principais compradores do estado. A pauta exportadora pernambucana para a União Europeia permanece fortemente concentrada nesses produtos, responsáveis por mais de metade das vendas ao bloco no ano passado.
O Rio Grande do Norte seguiu trajetória semelhante. Entre maio e junho, as exportações de frutas alcançaram US$ 6,6 milhões, mantendo a relevância de melões, melancias e mamões no comércio exterior potiguar. Em 2025, esses itens responderam por mais de 76% das exportações do estado para a Europa.
A Paraíba também se beneficia desse movimento, ainda que em escala menor. No período analisado, os sucos e as frutas lideraram as vendas externas, superando inclusive os tradicionais calçados, setor historicamente importante para a economia paraibana.
Maranhão amplia dependência da celulose
O Maranhão representou, no período, o peso das commodities industriais na pauta nordestina. O estado apresentou, mais uma vez, a estrutura exportadora mais concentrada da região.
Entre maio e junho, a celulose movimentou US$ 104,5 milhões, valor muito superior ao registrado pela soja, que alcançou US$ 15,4 milhões no mesmo período. O resultado reforça uma tendência observada ao longo de 2025, quando a pasta química de madeira respondeu por 66,1% das exportações maranhenses destinadas à União Europeia.
Além da celulose, produtos como alumínio, gorduras vegetais e resíduos agrícolas complementam a pauta estadual, ainda que em volumes significativamente menores.

Bahia aposta na diversificação
A Bahia surge como uma exceção no cenário regional. Diferentemente de outros estados nordestinos, cuja pauta exportadora depende fortemente de poucos produtos, o estado apresenta uma composição mais equilibrada.
No bimestre analisado, os farelos de soja lideraram as exportações, com US$ 90,5 milhões, seguidos pelos minérios de cobre, com US$ 83,8 milhões. A soja, a celulose e o café também mantiveram participação relevante, todos acima da marca dos US$ 30 milhões.
O perfil diversificado já havia sido identificado em 2025, quando café e ouro figuravam entre os principais produtos exportados para a União Europeia.
Indústria cearense mantém protagonismo
O Ceará ocupa um espaço singular na relação comercial com a Europa ao concentrar parte importante de suas exportações em produtos industrializados. Entre maio e junho, os produtos semiacabados, lingotes de ferro e aço responderam por US$ 41,5 milhões em negócios.
O desempenho confirma a especialização produtiva observada em 2025, quando mais da metade das exportações estaduais era composta por itens siderúrgicos. A União Europeia ampliou sua participação no comércio exterior cearense, especialmente por meio de mercados como Itália e Países Baixos.
Além do aço, o Ceará exporta minerais, derivados de petróleo, frutas, calçados e sucos.
Mercados concentrados em SE e AL
Entre os estados nordestinos, Sergipe apresenta uma das maiores concentrações setoriais. Em 2025, petróleo bruto e sucos responderam por mais de 90% das exportações destinadas à União Europeia.
Os dados de maio e junho mostram que essa estrutura permanece praticamente inalterada. Os óleos brutos de petróleo movimentaram US$ 37,7 milhões no período, enquanto os sucos alcançaram US$ 8,5 milhões.
Alagoas oferece um retrato diferente. Embora o açúcar tenha representado mais de 95% das exportações do estado para a União Europeia em 2025, os números de maio e junho foram modestos.
No bimestre, os maiores volumes estiveram relacionados a derivados de petróleo, sucos e produtos processados, enquanto as vendas de açúcar somaram apenas cerca de US$ 42 mil. O resultado sugere que os embarques do setor sucroalcooleiro seguem uma dinâmica sazonal, concentrando-se em outros momentos do ano.
Novas oportunidades para exportações
Os dados confirmam que o Nordeste entra no novo ciclo de integração comercial entre Mercosul e União Europeia apoiado em vocações econômicas bastante distintas. Enquanto alguns estados dependem fortemente da exportação de commodities, outros avançam na diversificação produtiva e na agregação de valor.
O estudo elaborado pela ApexBrasil e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços aponta oportunidades importantes para setores como frutas frescas, sucos, café, soja, calçados, siderurgia e mineração. O acordo comercial tende a ampliar o acesso desses produtos ao mercado europeu, reduzindo barreiras tarifárias e estimulando investimentos.
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