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RN quer abrir rota inédita no Nordeste para exportação de gado vivo

Embarque-teste de 3.300 cabeças para o Líbano está previsto para 24 e 25 de junho. Mercado nacional de gado vivo movimenta R$ 9 bilhões e RN quer capturar 10% do volume
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  1. Porto de Natal realiza teste de embarque com 3.300 cabeças de gado vivo para o Líbano entre 24 e 25 de junho.
  2. Rio Grande do Norte projeta injetar até R$ 1 bilhão anuais na economia após liberação regular de exportações pelo terminal potiguar.
  3. Brasil exportou recorde de 947,8 mil bovinos vivos em 2024, com previsão de 1,5 milhão de cabeças embarcadas em 2025.
  4. Estado possui duas Estações de Pré-Embarque aprovadas pelo Mapa, cada uma com investimento privado de R$ 3,4 milhões em infraestrutura.
  5. Proximidade com Oriente Médio reduz viagem marítima de Natal em 11 a 13 dias comparado a 21 dias de outros estados.
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Emnbarque de gado vivo realizado no Rio Grande do Sul, estado que só perde para o Pará como polo exportador da pecuária brasleira. Foto: Fernando Dias / SEAPDR

O Porto de Natal realizará entre os dias 24 e 25 de junho um embarque-teste de 3.300 cabeças de gado vivo para o Líbano, operação que seria a primeira de gado vivo realizada por um porto nordestino e que abre ao Rio Grande do Norte acesso a um mercado nacional que movimenta R$ 9 bilhões por ano. A expectativa é que, após o embarque, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) libere as exportações regulares de animais vivos pelo terminal potiguar, com projeção de injetar até R$ 1 bilhão ao ano na economia do estado, segundo o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do RN, Guilherme Saldanha. A operação será acompanhada presencialmente por técnicos da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Mapa.

O estado dispõe de duas Estações de Pré-Embarque (EPE) registradas no MAPA, estruturas obrigatórias para a operação. Uma está no Distrito de Irrigação do Baixo-Açu (DIBA), em Alto do Rodrigues, aprovada pelo Mapa em agosto de 2025, e a outra em São Gonçalo do Amarante, a cerca de 50 km de Natal, de onde sairão os animais para o embarque-teste.

Cada EPE recebeu investimento privado de cerca de R$ 3,4 milhões para adequação às exigências do ministério. Nas estações, os animais ficam em quarentena recebendo ração, água e acompanhamento veterinário pelo período exigido por cada país de destino.

O Brasil encerrou 2024 com recorde histórico de 947,8 mil bovinos vivos exportados, alta de mais de 40% em relação a 2023, e projeta embarcar 1,5 milhão de cabeças em 2025, segundo dados da consultoria Agrifatto. A exportação de gado vivo segue em alta em 2026, consolidando o Brasil como líder mundial no segmento.

Os principais compradores são países do Oriente Médio e Norte da África, que respondem por quase 80% da demanda. O Pará concentra a maior parcela dos embarques nacionais, com 85% do volume saindo pelo Porto de Barcarena, seguido por Rio Grande do Sul e São Paulo. O RN pretende capturar 10% desse mercado.

Vantagem geográfica

O principal diferencial competitivo do RN é a proximidade com o Oriente Médio. A viagem marítima a partir de Natal leva entre 11 e 13 dias, contra até 21 dias saindo de outros estados. Em relação ao Rio Grande do Sul, a proximidade reduz em 14 dias o tempo total de viagem de ida e volta, com impacto direto em custos de combustível, alimentação e manejo dos animais a bordo.

“O Brasil é o maior exportador de gado vivo para o mundo árabe. A gente está muito mais próximo desses países do que o Porto do Rio Grande do Sul, que demora sete dias a mais. Como o navio vai buscar e depois volta para deixar o gado vivo, são 14 dias a menos de viagem, de combustível e de alimentação para os animais. Então a vantagem competitiva do RN é muito maior”, afirmou Saldanha ao jornal Tribuna do Norte.

Obstáculos superados

A exportação de gado vivo pelo RN esbarrava em entraves burocráticos e na certificação do Porto de Natal, tema que levou a governadora Fátima Bezerra e o secretário Guilherme Saldanha a se reunirem com o ministro da Agricultura, André de Paula, em Brasília, em 27 de abril.

O principal gargalo era a adaptação do licenciamento ambiental do porto para esse tipo de operação, inexistente até então, e a inspeção do Mapa nos equipamentos de embarque. Saldanha afirma que todos os obstáculos foram superados. “Era necessário autorização para o embarque e também um operador portuário habilitado, mas todas as questões foram superadas”, afirmou.

Mercado de gado vivo

Além do Líbano, outros países manifestaram interesse no gado potiguar: KuwaitEmirados Árabes UnidosMarrocos e Arábia Saudita. “Nossa perspectiva é muito boa. A gente acredita muito que esse negócio irá se consolidar no Rio Grande do Norte, como já acontece no Pará, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Existe um mercado gigante nos países do Norte da África e do Oriente Médio que estão interessados nesses animais para abate”, afirmou Saldanha.

O secretário aponta que a limitação atual ao crescimento do setor no Brasil não é de demanda, mas de infraestrutura portuária. A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), que administra o Porto de Natal, confirmou que ajustou a operação para atender à nova demanda e está preparada para apoiar os embarques com infraestrutura, segurança e eficiência.

Leia mais: Carne do Brasil é proibida de entrar na União Europeia a partir de setembro

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