
O Porto de Natal realizará entre os dias 24 e 25 de junho um embarque-teste de 3.300 cabeças de gado vivo para o Líbano, operação que seria a primeira de gado vivo realizada por um porto nordestino e que abre ao Rio Grande do Norte acesso a um mercado nacional que movimenta R$ 9 bilhões por ano. A expectativa é que, após o embarque, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) libere as exportações regulares de animais vivos pelo terminal potiguar, com projeção de injetar até R$ 1 bilhão ao ano na economia do estado, segundo o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do RN, Guilherme Saldanha. A operação será acompanhada presencialmente por técnicos da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Mapa.
O estado dispõe de duas Estações de Pré-Embarque (EPE) registradas no MAPA, estruturas obrigatórias para a operação. Uma está no Distrito de Irrigação do Baixo-Açu (DIBA), em Alto do Rodrigues, aprovada pelo Mapa em agosto de 2025, e a outra em São Gonçalo do Amarante, a cerca de 50 km de Natal, de onde sairão os animais para o embarque-teste.
Cada EPE recebeu investimento privado de cerca de R$ 3,4 milhões para adequação às exigências do ministério. Nas estações, os animais ficam em quarentena recebendo ração, água e acompanhamento veterinário pelo período exigido por cada país de destino.
O Brasil encerrou 2024 com recorde histórico de 947,8 mil bovinos vivos exportados, alta de mais de 40% em relação a 2023, e projeta embarcar 1,5 milhão de cabeças em 2025, segundo dados da consultoria Agrifatto. A exportação de gado vivo segue em alta em 2026, consolidando o Brasil como líder mundial no segmento.
Os principais compradores são países do Oriente Médio e Norte da África, que respondem por quase 80% da demanda. O Pará concentra a maior parcela dos embarques nacionais, com 85% do volume saindo pelo Porto de Barcarena, seguido por Rio Grande do Sul e São Paulo. O RN pretende capturar 10% desse mercado.
Vantagem geográfica
O principal diferencial competitivo do RN é a proximidade com o Oriente Médio. A viagem marítima a partir de Natal leva entre 11 e 13 dias, contra até 21 dias saindo de outros estados. Em relação ao Rio Grande do Sul, a proximidade reduz em 14 dias o tempo total de viagem de ida e volta, com impacto direto em custos de combustível, alimentação e manejo dos animais a bordo.
“O Brasil é o maior exportador de gado vivo para o mundo árabe. A gente está muito mais próximo desses países do que o Porto do Rio Grande do Sul, que demora sete dias a mais. Como o navio vai buscar e depois volta para deixar o gado vivo, são 14 dias a menos de viagem, de combustível e de alimentação para os animais. Então a vantagem competitiva do RN é muito maior”, afirmou Saldanha ao jornal Tribuna do Norte.
Obstáculos superados
A exportação de gado vivo pelo RN esbarrava em entraves burocráticos e na certificação do Porto de Natal, tema que levou a governadora Fátima Bezerra e o secretário Guilherme Saldanha a se reunirem com o ministro da Agricultura, André de Paula, em Brasília, em 27 de abril.
O principal gargalo era a adaptação do licenciamento ambiental do porto para esse tipo de operação, inexistente até então, e a inspeção do Mapa nos equipamentos de embarque. Saldanha afirma que todos os obstáculos foram superados. “Era necessário autorização para o embarque e também um operador portuário habilitado, mas todas as questões foram superadas”, afirmou.
Mercado de gado vivo
Além do Líbano, outros países manifestaram interesse no gado potiguar: Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Arábia Saudita. “Nossa perspectiva é muito boa. A gente acredita muito que esse negócio irá se consolidar no Rio Grande do Norte, como já acontece no Pará, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Existe um mercado gigante nos países do Norte da África e do Oriente Médio que estão interessados nesses animais para abate”, afirmou Saldanha.
O secretário aponta que a limitação atual ao crescimento do setor no Brasil não é de demanda, mas de infraestrutura portuária. A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), que administra o Porto de Natal, confirmou que ajustou a operação para atender à nova demanda e está preparada para apoiar os embarques com infraestrutura, segurança e eficiência.
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