
Uma barra alimentícia composta por quatro ingredientes simples — melado de cana, aveia integral em flocos, amendoim torrado sem sal e leite integral em pó — tem pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O produto foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e contém 14% de proteína, três vezes acima da média das barras industrializadas, com custo de produção de R$ 0,85 — aproximadamente um quarto do preço comercial.
O diferencial da barra reside na ausência de aditivos. Não contém corantes, aromatizantes, conservantes ou emulsificantes, não se enquadrando na categoria “ultraprocessada” de alimentos. A maioria das barras de cereais disponíveis no mercado é classificada como ultraprocessada. Segundo o Guia Alimentar da População Brasileira do Ministério da Saúde, deve-se evitar o consumo desses produtos.
O pedido de patente foi protocolado através da Agência UFPB de Inovação Tecnológica (INOVA). Integram o pedido o professor Ian Nóbrega, que liderou o processo, a graduanda Priscila Guilhen, autora do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que originou a invenção, a professora Solange Sousa, do Departamento de Gestão e Tecnologia Agroindustrial, no campus III da UFPB, coorientadora do TCC, e o professor Gilsandro Costa, colega de Nóbrega no Departamento de Engenharia de Alimentos (DEA).
A ideia surgiu em 2021 quando Nóbrega conheceu o trabalho desenvolvido pela Comunidade Filhos da Misericórdia, localizada em João Pessoa, que distribui “quentinhas” para pessoas em situação de rua. Pensou em desenvolver um alimento compacto, estável — que não deteriora facilmente — com alta densidade energética/nutricional para ser distribuído a essas pessoas.
Em meados de 2022, Priscila Guilhen começou a trabalhar no projeto sob orientação de Nóbrega, no laboratório do DEA da UFPB. Em junho de 2023, defendeu o TCC intitulado “desenvolvimento de uma barra de cereais, fonte de proteínas e de baixo custo, destinada prioritariamente à população em situação de insegurança alimentar”.

Ingredientes alcançam alegação de “fonte de proteínas”
O teor de proteína final da barra alcançou 14%. Uma porção individual de 39 gramas fornece 5,6 gramas de proteína, permitindo receber a alegação “fonte de proteínas” conforme Instrução Normativa 75/2020 da Anvisa, que exige mínimo de cinco gramas de proteína por porção. Barras de cereais similares disponíveis no mercado — sabor castanhas/amendoim — normalmente contêm entre 5% e 6% de proteína.
Segundo Nóbrega, os ingredientes foram selecionados por serem naturalmente ricos em proteínas, de sabor agradável e valores de compra acessíveis. Amendoim torrado fornece 27% de proteína, leite em pó integral 26% e aveia integral em flocos 16%. O melado de cana (mel de engenho) cumpre dupla função: é um ótimo agente ligante — une bem os ingredientes — e é muito apreciado na culinária brasileira, especialmente nordestina, pelo seu sabor marcante.
O teor de proteína final da barra alcançou 14%, bem acima das barras de cereais comuns com características similares — sabor castanhas/amendoim — que normalmente contêm entre 5% e 6%. Uma porção individual de 39 gramas fornece 5,6 gramas de proteína, permitindo receber a alegação “fonte de proteínas” conforme regulamentação da Anvisa. As dimensões da porção são 8 centímetros de comprimento x 3,5 centímetros de largura x 1 centímetro de espessura.
Uma barra de 39 gramas já embalada custava R$ 0,85 nos cálculos do TCC de 2022/2023. Uma barra similar — 30 gramas, sabor castanhas/amendoim — comercializada em João Pessoa nesse período girava em torno de R$ 3,50.

Viabilidade em escala da barra alimentícia e aceitação sensorial
A produção é viável tanto em larga escala como em micro/pequena escala. O processo exige pouca demanda de energia — gás e eletricidade — e não necessita de equipamentos complexos. A UFPB entrou em contato com uma indústria de alimentos de médio/grande porte localizada em João Pessoa em 2023. A diretora avaliou a patente com profissionais da empresa, mas a comercialização não foi efetivada até agora.
Um teste sensorial foi conduzido pela professora Solange Souza com 47 provadores usando escala de nove pontos. Resultados: 32% escolheram nota 9 (“gostei extremamente”), 38% nota 8 (“gostei muito”), 25% nota 7 (“gostei moderadamente”) e nenhuma nota abaixo de 6 foi registrada. Na avaliação de intenção de compra, 83% responderam que “compraria”, 15% “talvez compraria” e apenas 2% “não compraria”.
*Com informações da UFPB
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