
O mercado financeiro brasileiro fechou com forte aversão ao risco. O dólar comercial registrou alta e encerrou a quinta-feira (16) cotado próximo a R$ 5,10, impulsionado pelo cenário econômico global e pelos reflexos diretos da confirmação de novas taxas alfandegárias dos Estados Unidos sobre as exportações do Brasil.
O movimento negativo atingiu em cheio a Bolsa de Valores brasileira (B3), que recuou mais de 1% na sessão, acompanhando o mau humor das negociações em Wall Street. Paralelamente, os preços internacionais do petróleo registraram queda no fechamento, ignorando momentaneamente o agravamento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio.
No fechamento dos negócios, o dólar comercial subiu 0,40%, negociado a R$ 5,098 para a venda, acumulando uma alta de R$ 0,021 no dia. O principal índice de ações da bolsa, o Ibovespa, despencou 1,24% e encerrou aos 173.825,27 pontos, o que representa uma perda acumulada de 2,27% na semana.
Entenda por que o dólar subiu
A valorização do dólar frente ao real foi sustentada pela divulgação de indicadores econômicos robustos nos Estados Unidos. O relatório semanal apontou que os pedidos de auxílio-desemprego somaram 208 mil pedidos, abaixo dos 217 mil estimados, enquanto as vendas no varejo avançaram 0,2% em junho, reforçando que o consumo americano segue aquecido.
Esses números de emprego e comércio consolidaram o entendimento de que os juros nos Estados Unidos vão permanecer elevados por mais tempo. Esse panorama atrai capital para os títulos públicos americanos, fortalecendo a moeda globalmente e prejudicando as divisas de países emergentes, como o Brasil.
Ao longo do dia, o dólar comercial chegou a atingir a máxima de R$ 5,11 por volta das 14h15, perdendo um pouco de força no fim do pregão. Mesmo com o acréscimo registrado nesta quinta-feira, a moeda norte-americana acumula uma desvalorização de 7,12% no ano de 2026.
Impactos do tarifaço americano no Ibovespa
No ambiente doméstico, os operadores financeiros ajustaram suas posições para absorver o anúncio da tarifa de 25% fixada pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
Embora a lista final de produtos isentos tenha sido maior do que o mercado projetava, o início das taxas provocou apreensão generalizada no setor produtivo. De acordo com analistas, o clima de cautela aumentou diante das incertezas sobre o fluxo cambial do país e a extensão dos prejuízos para companhias exportadoras.
“Além da piora do ambiente internacional, pesaram sobre o mercado as incertezas em torno dos impactos do tarifaço americano e da eventual resposta do governo brasileiro por meio da Lei da Reciprocidade”, apontou o relatório das mesas de operação.
A queda das ações mais negociadas na B3 também ajudou a puxar o Ibovespa para o campo negativo. Os papéis da Petrobras recuaram em bloco e as mineradoras fecharam em forte baixa, afetadas pela desvalorização do minério de ferro e pela fragilidade das commodities no exterior. Com o resultado, o índice da bolsa sustenta alta de 7,88% em 2026.
Petróleo recua apesar de tensões no Mar Vermelho
No mercado de energia, os contratos futuros do petróleo fecharam em baixa após operarem em forte volatilidade. O barril do tipo Brent, que serve de referência global, caiu 0,85%, cotado a US$ 84,23, enquanto o barril WTI, negociado no Texas, registrou desvalorização de 0,82%, comercializado a US$ 78,95.
O recuo ocorreu mesmo com novas ameaças dos rebeldes houthis, no Iêmen, contra instalações de petróleo da Arábia Saudita. O grupo ameaça provocar interrupções logísticas no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz, que são rotas de navegação consideradas estratégicas e vitais para o transporte da commodity.
Apesar da baixa na sessão desta quinta-feira, os fundos e investidores seguem em alerta máximo. O risco real de um corte súbito no abastecimento global e o prêmio de risco geopolítico continuam embutidos nos preços do produto a curto prazo.
Com informações da Agência Brasil.
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