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Colheita de cana-de-açúcar cai 1,4% e produção de etanol avança no NE

Até abril de 2026, a moagem da cana-de-açúcar caiu 1,4% no Nordeste, embora a produção de etanol tenha apresentado um crescimento de 6,2%, impulsionada pelo avanço de 20,2% do etanol anidro.
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  1. Moagem de cana-de-açúcar no Nordeste recua 1,4% na safra 2025/2026, totalizando 48,96 milhões de toneladas
  2. Produção de etanol cresce 6,2%, alcançando 1,86 milhão de metros cúbicos no Nordeste durante safra atual
  3. Etanol anidro apresenta maior crescimento regional com alta de 20,2%, produzindo 637,1 mil metros cúbicos
  4. Produção de açúcar cai 16,8% no Nordeste devido tarifas americanas e queda de preços internacionais
  5. Participação do etanol no mix aumenta de 45,72% para 51,84% da matéria-prima processada regionalmente
cana-de-açúcar
O Nordeste fez mais álcool na safra que está praticamente encerrada, segundo levantamento da NovaBio. Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil.

A moagem de cana-de-açúcar no Nordeste recuou 1,4% na safra 2025/2026, totalizando 48,96 milhões de toneladas até 30 de abril de 2026, contra as 49,67 milhões de toneladas no mesmo período da safra anterior (2024/2025), segundo um levantamento feito pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio). Com 94,4% da atual safra realizada, os números confirmaram o que foi se consolidando aos poucos: as usinas da região ampliaram a produção de etanol e reduziram a fabricação de açúcar. A produção total de etanol cresceu 6,2%, alcançando 1,86 milhão de metros cúbicos, puxado por um aumento de 20,2% do etanol anidro.

De todos os produtos derivados da cana-de-açúcar, o etanol anidro que o que que mais cresceu quando se compara a atual safra com a anterior na região, sendo produzidos 637,1 mil metros cúbicos nesta moagem até 30 de abril. A comparação é feita sempre com a safra passada (24/25).

Já a produção de açúcar no Nordeste caiu 16,8%, sendo produzidas 2,92 milhões de toneladas até 30 de abril, comparando com a safra anterior. No ano passado, o aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre o açúcar, a queda do preço da commodity no mercado internacional e a redução do preço da tonelada de cana no Brasil levaram os produtores a apostarem mais na produção do biocombustível.

Ainda de acordo com o levantamento da NovaBio, no mix do setor a participação do açúcar caiu de 54,28% para 48,16% da matéria-prima processada no Nordeste, enquanto o etanol passou de 45,72% para 51,84%.

Segundo o presidente da NovaBio, Renato Cunha, muitos países cresceram a produção do açúcar, como a Tailândia e a China, fazendo com que o mercado ficasse com um certo marasmo, o que provocou uma certa lentidão de reação.  Ele também é presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE). 

O setor também enfrentou dificuldades externas como as tarifas estabelecidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com Renato,  o aumento das tarifas dos Estados Unidos afetou a cota americana da exportação brasileira de açúcar, reduzindo uma importante fonte de liquidez para as usinas no início da safra. “Há expectativa de retomada das negociações entre os dois países ocorra a partir de julho”, comenta o executivo.

Com relação ao mercado de etanol, Renato afirma os produtores buscaram ampliar a demanda com a adoção do E32 (mistura de 32% de etanol na gasolina), mas a medida ainda depende de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). 

Até 30 de abril, o etanol hidratado permaneceu praticamente estável, com leve alta de 0,1%, alcançando uma produção de 1,225 milhão de metros cúbicos. A moagem da cana-de-açúcar no Nordeste está quase totalmente realizada.

Ainda na atual safra, os Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) registraram uma queda de 6,2% no Nordeste. O ATR é o principal indicador da qualidade da cana-de-açúcar, apontando o quanto de açúcar pode ser efetivamente recuperado da planta e transformado em açúcar ou etanol.

A produção de cana-de-açúcar no Norte

No Norte do Brasil, foram produzidas 6,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar até 30 de abril, representando uma queda de 5,5%. Comparando o mesmo período da safra anterior, a colheita estava em 7,3 milhões de toneladas.

A moagem do Norte e Nordeste acumulou somou 55,93 milhões de toneladas, até 30 de abril de 2026, redução de 2% frente às 57,05 milhões de toneladas registradas na safra anterior. Nas duas regiões, a produção de açúcar caiu 15,8%, para 3,14 milhões de toneladas, enquanto a produção total de etanol aumentou 2%, alcançando 2,28 milhões de metros cúbicos.

Nos estados do Norte, o mix produtivo também se deslocou para uma produção maior do etanol, cuja participação saiu de 50,38% para 55,20%, enquanto a do açúcar recuou de 49,62% para 44,80%. No levantamento da NovaBio – que usa os mesmos dados do Ministério da Agricultura, são considerados também como Norte estados nordestinos como Ceará, Maranhão e Piauí.

O levantamento da NovaBio também conta com dados dos Sindicatos da Indústria do Açúcar e do Álcool dos estados de Alagoas e de Pernambuco e do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado da Paraíba.

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